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Lula se diz solid�rio a Roberto Jefferson
Felipe Recondo Folhapress O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem solidariedade ao presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), apontado, pelo ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício Marinho, como integrante de um esquema de propinas na estatal. ?Amigo se vê nessas horas?, afirmou Lula conforme relato dos participantes do almoço de ontem com os líderes da base do governo no Congresso. Ao líder do PTB na Câmara, José Múcio Monteiro (PE), o presidente afirmou que Jefferson não pode ser condenado ?por antecipação?. Esse foi o mesmo posicionamento do presidente em relação ao ministro da Previdência, Romero Jucá, acusado de dar fazendas inexistentes como garantia para empréstimo com recursos públicos, e sobre as acusações contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por evasão de divisas, crime eleitoral e sonegação fiscal. ?Não é porque sai uma denúncia que ele vai ser condenado?, teria dito Lula. Apesar da defesa, o presidente não teria se posicionado sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigar o caso, conforme requerimento do PFL e do PSDB. Conforme relato dos líderes, Lula afirmou que defende a apuração completa do tema e, se houver motivos, que os envolvidos sejam punidos. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que não está definida a posição sobre a criação da comissão parlamentar. Os governistas esperarão a defesa do presidente do PTB no plenário da Câmara para decidir como agirão diante dos pedidos para a criação da CPI. Os deputados que compõem a ala de esquerda do PT decidiram ontem apoiar a criação da CPI mista. Segundo o presidente do PT, José Genoino, o partido não fechará questão sobre o apoio ou não à CPI. Os congressistas estão livres para decidir se assinam ou não o requerimento e não serão punidos caso tomem posições contrárias aos interesses do governo. ### Jefferson diz que assinará pedido de CPI O presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), distribuiu, ontem, mais de 200 cópias da fita gravada na qual o ex-diretor de material dos Correios, Maurício Marinho, é flagrado cobrando propina para autorizar licitações. O congressista afirmou ainda que vai assinar o pedido de CPI para investigar a estatal e colocou os cargos que o PTB ocupa no governo à disposição do presidente Lula. A distribuição das fitas foi uma das táticas de defesa de Jefferson, acusado de participar de um esquema de corrupção na Empresa de Correios e Telégrafos segundo apurou a revista ?Veja?. Jefferson entregou uma cópia da fita divulgada pela ?Veja?, e uma carta de Marinho na qual ele confessa ter mentido e usado em falso o nome do PTB. Segundo Jefferson, fica claro, ao ouvir a transcrição total da fita, que Marinho ?não está vendendo nem comprando nada. Está sendo contratado para ser consultor?. ?Maurício Marinho confessa na carta que mentiu, foi leviano e tentou mostrar importância que não tem. Durante toda a conversa ele tenta mostrar relações que não tem e intimidade comigo, o que ele não possui?, afirmou Jefferson, em discurso no plenário da Câmara. Segundo ele, é comum que pessoas façam este tipo de papel, ?cobrar propina, vender prestígio, tentar passar a noção de intimidade e confiança. Maurício Marinho tentou mostrar mais importância do que possui. Ele não é dos quadros do PTB, é funcionário de carreira dos Correios há 28 anos?. De acordo com o deputado, a fita demonstra que Marinho envolveu não só o seu nome, mas o de outros integrantes do governo, na tentativa de parecer ser mais importante do que era. ?Ele envolveu pessoas sérias e corretas?. O deputado afirmou que foi procurado por uma pessoa que se identificou como comandante Molina, suposto represente de uma empresa de informática interessada em prestar serviços aos Correios e que dispensou o comandante, alegando não fazer negócios . ### PTB põe cargos à disposição do governo Segundo Roberto Jefferson, o comandante Molina teria insistido no encontro argumentando que conhecia o senador Ney Suassuna (PMDB-PB). ?Suassuna me ligou pedindo para recebê-lo [ o comandante Molina] e eu o fiz. Ele veio novamente com a mesma conversa e eu o convidei para se retirar do meu gabinete. Então ele me avisou que tinha em seu poder uma fita gravada na qual o senhor Maurício diz que eu e o PTB fazemos parte de um esquema de corrupção. Diante disto, só pude dizer a ele que fizesse bom proveito desta fita. É ela que foi divulgada pela ?Veja??, declarou. ?Ao descer desta tribuna, quero avisar que vou assinar o pedido de CPI para investigar as denúncias de corrupção nos Correios. Eu já fui investigado por uma CPI. Não temo passar de novo por este sofrimento. Não sou mais o troglodita que mete medo. Não usei meu mandato para me locupletar. O PTB não teme a CPI. O PTB não é um partido fisiológico e aviso aqui e agora que todos os cargos ocupados pelo partido estão à disposição do governo.? Autocrítica Jefferson fez uma autocrítica e afirmou que sua imagem de deputado truculento e ?troglodita? foi criada por ele mesmo, como uma forma de defesa devido à sua gordura. ?Eu preferia o olhar de temor do que o de rejeição. Posso ser acusado de ter sido um troglodita, mas nunca de ter sido ladrão.? Além de fazer um balanço do seu patrimônio - que segundo ele se resume a uma casa no valor de R$ 500 mil em Petrópolis e um escritório no valor de R$ 100 mil no Rio de Janeiro - Jefferson também lembrou dos cargos que seu partido ocupa no governo e negou que o PTB tenha indicado qualquer diretor para a Infraero ou para a Braspetro. ?A reportagem [da ?Veja?, com as denúncias de suposto esquema de corrupção] diz que o PTB indicou dois mil cargos no governo. Eu não sei disto. Nem eu nem a Executiva Nacional do PTB temos conhecimento deste fato. Se tem estes cargos, não me contaram?, acrescentou.