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Lula fala em retaliar congressistas

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FOLHAPRESS Numa viagem de 26 horas de Brasília até Seul, capital da Coréia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou duramente do comportamento do seu partido, o PT, e concordou que deve retaliar os congressistas de sua base aliada que permanecerem apoiando a CPI dos Correios. Em conversas com deputados que participaram do vôo, Lula disse que ?ninguém está acuado, ninguém está com medo?. Sobre a hipótese de a CPI vir a ser mesmo instalada, declarou: ?Nós vamos para a ofensiva?. A frase do presidente foi a conclusão de um diálogo seu com um dos vice-líderes do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS). O deputado argumentou com Lula que seria necessário mudar de atitude com os aliados que mantivessem o apoio à CPI. ?Essa lista de assinaturas da CPI é muito clara. Vai acabar o pão-de-ló e o cafuné para quem quiser jogar contra o governo. Tem de acabar essa conversa de verba, de obra. Essa conversa não vamos mais ter com quem não for do governo, no ônus e no bônus.? A reportagem perguntou o que presidente da República disse ao ouvir essa exposição. Albuquerque respondeu: ?Ele concordou. Disse que ?governo é governo??. Para o vice-líder governista, ?é justificável a retirada de assinaturas da CPI?, pois o governo já determinou a investigação pela PF. Segundo Albuquerque, Lula tratou da operação anti-CPI com os ministros políticos que tiveram suas viagens para Seul canceladas - José Dirceu (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento), Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia) e Eunício Oliveira (Comunicações). Todos estão com ordens para pressionar os aliados a retirarem assinaturas da CPI. ?Até porque os ministros têm partidos por trás?, diz o vice-líder. Para ele ?não faz sentido que alguém que faça parte da base do governo não compreenda a situação?. Além de Albuquerque, estavam também no AeroLula, o Airbus presidencial, os deputados João Caldas (PL-AL) e Hidekazu Takayama (PMDB-PR), os governadores Lúcio Alcântara (PSDB-CE) e Germano Rigotto (PMDB-RS), e os ministros Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Dilma Rousseff (Minas e Energia), Roberto Rodrigues (Agricultura) e Celso Amorin (Relações Exteriores). Lula fez críticas ao seu partido. Disse que os petistas deveriam levar em consideração um discurso recente do ministro das Cidades, Olívio Dutra. ?Ele disse que o Olívio deu um recado para a moçada mais jovem petista. Disse que todos têm de ter responsabilidade com a governabilidade?, relatou o deputado João Caldas. Segundo o governador Germano Rigotto, o presidente também citou a derrota recente do PT na disputa para a presidência da Câmara. Na ocasião os petistas tinham dois candidatos e foram derrotados por Severino Cavalcanti (PP-PE). Lula acha que a derrota foi culpa exclusiva do PT. Ao falar de política em geral, o presidente voltou a se declarar contra o sistema que permite reeleição. Rigotto disse que Lula considera a reeleição ?sem sentido?, a não ser que sejam cumpridas duas condições: 1) ?que o governante esteja convencido de que pode fazer um mandato melhor? e 2) ?se não depender de acordos espúrios, que vão contra os seus princípios?.

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