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Marinho inocenta Roberto Jefferson

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Em oito horas de depoimento à Polícia Federal, o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material do Correios Maurício Marinho disse não ter nenhuma ligação com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que não existe esquema de corrupção na estatal e que teria sido vítima de uma ?armação? por interesses ainda a investigar. Indiciado pelos crimes de corrupção passiva e por fraude a licitação, cujas penas podem chegar a até oito anos de prisão, Marinho se apresentou ontem como um ?funcionário público? ?envergonhado? e pediu desculpas à família. ?Foi uma bravata. Eu não tenho nenhum relacionamento político com ninguém. Eu sou técnico. [Fui indicado para o cargo] pelo diretor da empresa Antônio Osório [Batista, ex-diretor de Administração dos Correios]?, disse Marinho, em entrevista à imprensa, ao concluir o depoimento na PF em Brasília. ?A gente gostaria de deixar muito claro: os objetivos que nós tínhamos eram de trabalho. Não há essa corrupção falada na ECT. Nesse nível que nós trabalhamos não é isso que acontece. Vocês sabem a credibilidade e a responsabilidade da empresa como é?. Há duas semanas, nas imagens em vídeo reveladas pela revista ?Veja? - as mesmas que ele agora chama de ?bravatas?-, Marinho descreve o suposto esquema de corrupção nos Correios e afirma que Jefferson é o padrinho político das negociatas: ?Nós somos três e trabalhamos fechado. Os três são designados pelo PTB, pelo Roberto Jefferson. É uma composição com o governo. Nomeamos o diretor, um assessor e um departamento-chave. Tudo que nós fechamos o partido fica sabendo?, diz Marinho na gravação. O diretor seria Antonio Osório Batista, que respondia pela área de Administração dos Correios. O terceiro personagem do suposto esquema seria Fernando Leite de Godoy, assessor de Osório. O depoimento de Godoy durou duas horas na sede da PF, em Brasília. Na saída, ele disse apenas, sorrindo: ?Não sou culpado de nada?. ### CPI deve ser criada hoje A Executiva do PTB confirmou no início da noite de ontem que desistiu de entregar os cargos que detém no governo. Um pouco antes, o partido já havia confirmado que decidiu recomendar a sua bancada que não apóie a CPI dos Correios. Mais cedo, o presidente da legenda, Roberto Jefferson, informou que a decisão do partido dependeria do depoimento do ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício Marinho. Como Marinho negou que exista um esquema de corrupção nos Correios e, por tabela, livrou Jefferson, o PTB entendeu que não há por que assinar a CPI. Em nota divulgada, o PTB atribuiu a tentativa de criar a CPI a ?oportunistas de plantão? e informou que o partido se recusa ?a servir de instrumento a interesses que fogem à ortodoxia política?. Apesar de ter desencadeado ontem articulações para barrar a criação da CPI dos Correios, persuadindo o PTB a retirar em bloco a sua adesão a ela e tentando diminuir o apoio de petistas, o governo já planeja formas para tentar ter algum controle sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito ou inviabilizá-la na prática. A avaliação até a noite de ontem era que seria difícil a operação- abafa ter sucesso. Motivo: mais 11 deputados, sete deles de partidos aliados, e um senador, Ramez Tebet (PMDB-MS), aderiram à CPI. O requerimento para criá-la tinha o apoio de 253 deputados federais e 51 senadores. É preciso, no mínimo, a assinatura de 171 deputados e 27 senadores. Nesse contexto, a principal estratégia do governo é acelerar os trabalhos da Polícia Federal (PF) para ?atropelar? a CPI. Nos últimos dias, a PF ouviu suspeitos, os indiciou e deu batida nos Correios para apreender material (documentos e computadores). O governo quer apurar rapidamente antes de a CPI começar a trabalhar na prática. Pressionando a PF a produzir resultado, o objetivo é mostrar aos parlamentares e à opinião pública que a CPI seria desnecessária. ?A CPI é desnecessária porque tudo o que ela faria a PF e o Ministério Público já estão fazendo?, diz o presidente do PT, José Genoino. Hoje, às 10h, haverá a leitura do requerimento de criação da CPI em sessão do Congresso. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), resistia aos pedidos de bastidor para adotar alguma manobra a fim de adiar por mais uma semana essa leitura, o que daria mais tempo ao governo para retirar apoios à CPI. Feita hoje a leitura do requerimento de criação da CPI, há prazo até a meia-noite para o governo tentar retirar as assinaturas na Câmara.

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