Nacional
Tumulto durante cria��o de comiss�o
FOLHAPRESS Brasília Em uma sessão do Congresso Nacional tumultuada e marcada pela manobra dos governistas e provocações da oposição, o requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, primeiro passo para sua instalação, foi lido ontem. Correndo contra o tempo, governistas disseram que tentariam, até a meia-noite de ontem, prazo máximo para retirada de assinaturas, convencer deputados de sua base que apóiam a CPI a recuar. Assinaram o requerimento lido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), 254 deputados e 51 senadores, bem mais do que o mínimo exigido, 171 e 27 nomes, respectivamente. Contra-ataque Às 19h, o número de deputados havia subido para 258. Se houvesse retirada, seria em bloco, para evitar um contra-ataque, e apenas com a certeza da vitória - deputados deixaram ofício de retirada sob a condição de isso só acontecer se a retirada fosse efetiva, temendo danos de imagem. A avaliação durante o dia entre governistas e oposição era de que a responsabilidade pela viabilização ou não da comissão estava com o PMDB, partido da base, mas que sofre influência de várias correntes distintas. Muitos deputados do PTB, PP, PSB, PL e PT já haviam aceitado tirar seus nomes, mas no PMDB, que deu 39 assinaturas, o progresso era mais lento. Requerimento O deputado João Leão (PL-BA), vice-líder do governo, apresentou a Renan um requerimento para derrubar a CPI com base no argumento de que ela não trata de um fato específico, exigência constitucional. ?O requerimento é genérico e indeterminado??, disse. O recurso de Leão foi encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde o governo, em tese, tem maioria - apesar de no passado ela ter se mostrado pouco confiável. Se acatado e referendado pelo plenário, extinguiria a CPI. Ao mesmo tempo, o governo adotará uma segunda manobra: inviabilizar a CPI por falta de quórum, já que terá a maioria dos membros.