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Presidente Lula perde popularidade
AGÊNCIA O GLOBO Repórter O desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu pela terceira vez consecutiva na pesquisa CNT/Sensus, divulgada ontem. A avaliação positiva do presidente estava em 66,1% em fevereiro, caiu para 60,1% em abril e agora é de 57,4%. Já a desaprovação, que era de 26,5% em fevereiro, subiu para 29% em abril e para 32,7% na pesquisa de maio. Apesar disso, Lula venceria as eleições de 2006 em todas as simulações feitas pela pesquisa. A única simulação na qual haveria segundo turno é na que o candidato do PSDB é o prefeito de São Paulo, José Serra. Assim como o desempenho pessoal de Lula, a avaliação positiva do governo caiu: de 41,9% em abril para 39,8% em maio. A avaliação regular caiu de 39,8% em abril para 38,3% em maio, enquanto a avaliação negativa subiu de 16% para 18,8%. Todas essas oscilações ficam dentro da margem da pesquisa, que é três pontos percentuais para cima ou para baixo. A avaliação das ações do governo piorou bastante, tanto na área econômica quanto na social. Para 37,5% dos entrevistados, a política econômica está no rumo certo, contra 45,2% que acham que ela não está no rumo certo. Na pesquisa de dezembro de 2004, a política econômica não estava no rumo certo para 35,3% dos entrevistados, 10 pontos abaixo dos números de maio. A política social está no rumo certo para 41% dos entrevistados e não está no rumo certo para 42,8%. Em dezembro do ano passado, 33,5% achavam que ela não estava no rumo certo. Na área política, o governo tem agido corretamente para 35,6%, mas tem errado para 46,7% dos entrevistados. Em dezembro do ano passado, 36,4% achavam que o governo estava no rumo certo. As ações do governo federal estão sendo feitas de forma eficaz para 38,6% dos entrevistados e de forma ineficaz para 44,8%. Em dezembro, 40,2% achavam que as ações eram eficazes, contra 36,5% que achavam que eram ineficazes. A pesquisa ouviu 2 mil pessoas em 195 municípios de 24 a 27 de maio. ### Preferência do eleitorado em 2006 Apesar da percepção de corrupção, as simulações da corrida presidencial de 2006 na pesquisa do Instituto Sensus mostram que Lula ainda detém a preferência do eleitorado, ganhando em primeiro turno em todas as hipóteses, menos na que concorreria contra José Serra (PSDB), candidato derrotado ao Palácio do Planalto em 2002 e atual prefeito de São Paulo. No único cenário eleitoral para a Presidência em que haveria segundo turno, Lula ficaria com 37,1% dos votos e Serra com 17,7%. Os outros candidatos na lista hipotética são Anthony Garotinho (PMDB) com 11,7%, César Maia (PFL) com 6,8% e Heloísa Helena (PSOL) com 3%. Em segundo turno com Serra, Lula venceria com 49,7% -Serra seria derrotado com 27,1%. Porém, esse é o cenário de segundo turno no qual o presidente Lula leva menor vantagem. Dos tucanos testados pela pesquisa num eventual segundo turno, Geraldo Alckmin ficaria com 22,2%, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso teria 20,9%, e Aécio Neves teria 19,5%. Além da corrida eleitoral para 2006, a pesquisa também questionou quem é o melhor governador do país, em escolha entre os oito maiores Estados. Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo, ficou na frente, escolhido por 18,4% dos entrevistados. Na avaliação para melhor governador do país, ficou em segundo lugar o também tucano Aécio Neves, de Minas Gerais, com 16,6%. De acordo com o Instituto Sensus, é relevante lembrar que esse valor supera o percentual de entrevistados de Minas Gerais na pesquisa, 10,5%. Foi também o caso da governadora Rosinha Garotinho (PMDB), do Rio de Janeiro, que teve 13%, sendo que apenas 8,5% dos entrevistados eram de seu Estado. A avaliação geral dos governos de Estado teve leve variação negativa de abril a maio, com aumento de 2,2% (de 17% para 19,2%), dentro da margem de erro, dos que consideraram a atuação negativa (ruim ou péssima). No caso das prefeituras, a oscilação foi semelhante, com discreto aumento da avaliação negativa no mesmo período (de 22,8% de 24%). ### Corrupção cresceu, segundo população Pesquisa do Instituto Sensus divulgada ontem revela que a maioria da população brasileira ouviu falar ou acompanha a denúncia de corrupção no Correios. Dentre os que ouviram falar, 86% apóiam a instalação de uma CPI para investigar o caso no Congresso Além disso, quase um terço da população avalia que a corrupção no governo Lula aumentou, o que contribuiu para uma oscilação negativa na avaliação de sua gestão. A avaliação positiva (ótimo ou bom) do governo oscilou de 41,9% em abril para 39,8% em maio, variação que está dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos da pesquisa, encomendada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte). Desde a posse, quando a avaliação positiva era de 56,6%, a queda é de quase 17 pontos percentuais. Há uma tendência de queda registrada nas sondagens desde dezembro de 2004. A aprovação do desempenho pessoal de Lula oscilou de 60,1% para 57,4% entre abril e maio, sendo que a queda desde a posse foi de 26 pontos percentuais. Segundo o Instituto Sensus, 51,2% da população acompanha ou ouviu falar do caso de corrupção dos Correios, o suposto esquema de propina na estatal envolvendo um indicado pelo PTB. Na última grave denúncia de corrupção no governo, o caso Waldomiro Diniz, revelado em fevereiro de 2004, o Sensus averiguou que 43,9% da população tomou conhecimento. Dentre esses, 57% mantiveram sua confiança no governo. Naquele caso, Waldomiro Diniz, na época assessor do Palácio do Planalto, aparecia em uma fita gravada em 2002 pedindo propina a um empresário. Cautela Os dados da pesquisa Sensus, contudo, devem ser analisados com cautela. Diferentemente do Datafolha e do Ibope, a Sensus apresenta as opções de resposta ao entrevistado numa lista vertical ordenada, o que pode induzi-lo a optar pelas primeiras respostas (por exemplo, a corrupção aumentou). Segundo Bruno Ramos, assessor de imprensa da Sensus, o instituto não constatou nenhuma diferença entre as pesquisas feitas desse modo e aquelas que utilizam cartões em forma de círculo. O indicador de confiança no governo não foi medido pela pesquisa deste mês. Porém, entre aqueles com conhecimento da denúncia, 86% eram favoráveis à apuração das supostas irregularidades por meio de uma CPI. De março de 2004 a maio de 2005, o número de pessoas que acredita que a corrupção no governo Lula aumentou subiu de 25,2% para 31,2%. Outros 45,4% avaliam que a corrupção ficou como sempre esteve -em março de 2004, 51,3% pensavam assim. Nesse mesmo período, houve uma queda no percentual de pessoas que avaliavam que a corrupção é igual à do governo anterior, de 44% para 34,4%. A diferença se distribuiu entre os que acham que a corrupção é agora maior (26,7%) e os que acham que é menor (31,4%). Outro indicador de que a corrupção afeta o cidadão está no indicador que mede os motivos da falta de orgulho no país. Em agosto de 2004, o principal motivo de falta de orgulho era a violência. Agora é a corrupção, com 27,1%, seguido da violência (23,4%) e da pobreza (15,1%). Além da percepção de corrupção, a pesquisa indica que a queda de popularidade do governo se deve às avaliações de que o rumo é incorreto na política econômica (45,2%), na condução inadequada na área política (46,7%) e de que o desenvolvimento da área social é inadequado (42,8%).