Nacional
Sem acordo, servidor continua em greve
FABIANA FUTEMA ANA PAULA RIBEIRO Folha Online Sem acordo com o governo federal, os servidores públicos federais entram hoje no segundo dia de paralisação. O movimento - iniciado ontem e que segue por tempo indeterminado - é um protesto contra a proposta de reajuste de 0,1% do governo federal para este ano. A categoria reivindica reposição salarial emergencial de 18% -correspondente às perdas acumuladas no governo Lula- e recomposição das perdas salariais a partir de 1995. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), os grevistas também reclamam da ?situação precária e condições de trabalho?. Em algumas categorias, os reajustes reivindicados acumulados ultrapassariam a casa dos 100%. Balanço do Condsef informa que a paralisação atinge diversas categorias: servidores dos ministérios da Agricultura, Cultura, Saúde e Fazenda, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Fundação Nacional de Saúde (Funasa), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs). O ministro da Previdência Social, Romero Jucá, divulgou ontem que só 12 Estados não foram atingidos pela paralisação: Acre, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. Em outros 15 Estados, a paralisação foi parcial, segundo a Previdência. Nesses locais, as agências da Previdência estão apenas como serviço de perícia médica em funcionamento. As consultas já marcadas estão sendo realizadas. Mas a marcação de novas perícias está comprometida. Segundo a Previdência, a paralisação dos servidores do INSS atingiu mais fortemente os Estados de Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro. Desses três, o mais atingindo foi Pernambuco, onde todas as nove agências da capital ficaram fechadas e 31 das 40 existentes no interior também não funcionaram. Os dados fazem parte do levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Previdência Social. Já pelos cálculos da Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), a paralisação dos servidores do INSS atinge 70% da categoria - formada por 38 mil funcionários espalhados em 1.189 agências de todo o País. Os servidores da Previdência têm uma pauta emergencial específica: jornada semanal de 30 horas, piso de R$ 1.500, incorporação das gratificações ao salário-base, nova tabela de salários e regulamentação da carreira do seguro social. As entidades de representação do funcionalismo público federal se reuniram ontem com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Após o encontro, ele avisou que os reajustes serão dados dentro dos limites orçamentários. Bernardo também disse que o governo ainda não decidiu se haverá ou não desconto dos dias parados. ?O que nós queremos é continuar dialogando com os servidores, mas considerando os nossos limites orçamentários, de finanças e considerando o que já foi feito nos dois anos anteriores?, disse. Não existem, por enquanto, novos encontros marcados com os servidores públicos.De acordo com Bernardo, qualquer decisão a ser tomada será feita levando em conta o conjunto de todo o funcionalismo público e o impacto dessa decisão na folha de pagamento. No ano passado, os gastos com pessoal do governo federal somaram R$ 89,4 bilhões. Para este ano, a previsão é que sejam gastos R$ 98 bilhões.