Nacional
Quem n�o deve n�o teme, diz ministro
FOLHAPRESS Rio de Janeiro O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, disse ontem, no Rio, que é a favor da instalação da CPI dos Correios, bem como de qualquer CPI que sirva para apurar irregularidades. ?Quem não deve não teme, já dizia a minha mãe. Comissão Parlamentar de Inquérito é um braço atuante do Congresso que serve para investigar irregularidades e é um instrumento que nem nos tempos da ditadura foi extinto?, declarou. ?As apurações têm de ser feitas o quanto mais rápido possível para que as impunidades não triunfem, não há que se opor. É na transparência que se afirma a democracia?, afirmou o ministro, depois de ser homenageado pela Universidade Cândido Mendes, no centro do Rio. O presidente do STJ, no entanto, fez críticas às negociações entre parlamentares contrários ou a favor da CPI, o que, segundo ele, estariam emperrando o País. ?O jogo político é inerente à democracia, mas estão transformando as CPIs em grandes discussões. Paralisam a agenda política nacional em torno de uma questão menor. Correios, uma coisa tão pequena. Tudo por causa de uma propina de R$ 3.000?, afirmou. ?O Legislativo hoje está dividido entre a missão de elaborar leis e um emaranhado de lutas políticas, corporativistas, populistas?. Convidado pela direção da universidade para dar uma aula magna aos estudantes, o presidente do STJ - em meio ao tema principal, ?A reforma do Poder Judiciário?- fez críticas também à política econômica do governo federal. ?A política de juros altos não poder ser o único remédio para combater a inflação. Parece que na última entrevista que deu, o presidente Lula reconheceu que sua maior falha foi não ter descoberto uma alternativa de combate à inflação que não seja a alta de juros?, disse o ministro, afirmando que ?o País precisa urgentemente de realizar reformas, principalmente a tributária?. Quanto ao processo eleitoral que envolve a governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), e seu marido, Anthony Garotinho, secretário de Coordenação e Governo, Edson Vidigal se limitou a comentar que ?há um princípio de que ninguém deva ser condenado enquanto o processo não houver transitado em julgado?, ou seja, esgotados os recursos a todas instâncias. Vidigal afirmou que as leis eleitorais precisam ser revistas. ?Em matéria eleitoral, esgotar os recursos é um grande teatro. A legislação eleitoral, muitas vezes, é meramente formal, porque, no momento em que a pena está para ser cumprida, o mandato do político já passou?.