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Governo e oposi��o longe de um acordo

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Não há perspectiva de acordo entre governo e oposição para a escolha do presidente e do relator da CPI dos Correios e a questão deve ser resolvida por meio do voto na próxima terça-feira. Como é maioria na comissão, a base aliada deve ficar com os dois postos, controlando a condução dos trabalhos. Arcaria, no entanto, com a imagem de temer investigações. O impasse gira em torno do nome escolhido pela oposição para a presidência da CPI, o senador César Borges (PFL-BA). O governo não aceita a indicação, alegando que significaria dar o controle ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que tem dado trabalho ao Planalto na presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A oposição ameaça obstruir a votação da medida provisória que cria a Superintendência Nacional de Previdência Complementar, que fiscalizará as entidades fechadas de previdência complementar. O prazo para a votação dessa matéria acaba na terça-feira e, se isso não for feito, ela perderá a validade. O PFL já era contra essa MP mas diz agora que se o governo for flexível na CPI facilitará a votação da matéria. ?Há dificuldades na bancada com essa medida provisória e a truculência na CPI será um elemento complicador?, disse o líder do PFL, senador José Agripino. As duas partes continuavam irredutíveis ontem. ?Vamos buscar o acordo até a exaustão, mas está difícil porque os dois lados estão radicalizando?, disse o líder do PMDB, senador Ney Suassuna. Os governistas acusam a oposição de intransigência, enquanto PSDB e PFL consideram a atitude do governo autoritária. Na reunião convocada em meio à instalação da CPI, na quinta, para se tentar um acordo, tucanos e pefelistas foram irônicos. O presidente do PPS, Roberto Freire, sugeriu ontem o nome da juíza Denise Frossard (PPS-RJ) para a presidência da comissão, alegando que a sociedade apoiaria a escolha por se tratar de uma pessoa com uma biografia impecável. O líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PA), no entanto, já avisou que não aceita a indicação porque acha que o candidato deve ser vir de um partido com mais apoio político. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez um apelo ontem para que os integrantes da CPI dos Correios cheguem a um acordo sobre o comando da comissão, sem que seja preciso decidir a questão no voto. Renan Calheiros disse que a melhor solução é um consenso e que o radicalismo só pode prejudicar os trabalhos da comissão. Questionado se está preocupado com a possibilidade de a CPI terminar ?em pizza?, ele disse não temer esta possibilidade. ### Advogado recebeu R$ 5 mil por vídeo O advogado Joel Santos Filho confessou, em depoimento à Polícia Federal, que recebeu R$ 5 mil para gravar as cenas de pagamento de propina ao ex-chefe do Departamento de Contratação dos Correios Maurício Marinho, que detonaram a crise política enfrentada pelo governo. Joel foi preso na última quinta-feira pela PF, junto com o engenheiro João Carlos Mancuso Vilela, em Curitiba. Os agentes também prenderam o ex-agente do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) José Santos Fortuna Neves e o militar da reserva da Marinha Arlindo Gerardo Molina. Entre os políticos interessados na gravação das cenas de suborno estaria o próprio presidente do PTB, Roberto Jefferson. Uma das suspeitas investigadas é a de que Jefferson teria encomendado a gravação numa tentativa de retomar o controle do grupo de servidores indicados pelo PTB para três postos chaves nos Correios: Maurício Marinho, na Chefia do Departamento de Contratação e Antônio Osório e Fernando Godoy, na Diretoria de Administração. Elo A PF investiga se Molina e Fortuna teriam contratado os serviços de Mancuso e Santos Filho, dois supostos investigadores particulares de Curitiba. Molina seria o elo entre Jefferson e os demais acusados. Segundo a polícia, um dos endereços comerciais de Molina, que atua como consultor da Fundação Getúlio Vargas, é a Rua Anfilófilo de Carvalho 29, no Centro do Rio de Janeiro. Este é o mesmo endereço da Assurê, corretora de Henrique Brandão, investigado por cobrar uma mesada de R$ 400 mil do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) para o PTB. Assurê Na Assurê, também estaria a ponte entre Molina e José Fortuna que, até agora, dizem não se conhecer. Um dos sócios da Assurê seria o empresário Cristiano Luiz Brandão, que também é apontado como um dos donos da Pactum Asses, empresa de Fortuna. Para a PF, tudo indica que Jefferson pediu a gravação do suposto esquema de fraudes nos Correios e depois perdeu o controle do processo. Maurício Marinho teria falado demais e os arapongas resolveram cobrar um preço mais alto pelos serviços. ?Existem os executores (Mancuso e Santos Filho) e os mandantes (Fortuna e Molina). Mas pode ter pessoas acima deles também?, afirmou a procuradora da República Raquel Branquinho. Como não houve entendimento no grupo, a fita acabou sendo divulgada e abriu caminho para a mais recente crise política enfrentada pelo governo Lula até agora. ### Jefferson recusa proteção policial pedida por PFL O presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), recusou ontem a proteção policial pedida para ele, pelo PFL, à presidência da Câmara. Segundo a assessoria da Casa, Jefferson agradeceu aos integrantes do Batalhão da Polícia Legislativa que foram ao seu apartamento nesta manhã para lhe prestar proteção e os dispensou do serviço. O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), havia pedido a proteção policial para Jefferson temendo qualquer atentado ao deputado, devido ao conteúdo ?explosivo? de suas denúncias. Roberto Jefferson vai depor na próxima terça-feira perante o Conselho de Ético da Câmara. Ele está sendo acusado de falta de decoro parlamentar pelo presidente do PL, deputado Waldemar da Costa Neto (SP), que pediu a cassação de Jefferson. Na quarta-feira Jefferson vai depor, desta vez, perante a comissão de sindicância da Câmara, que investiga não só as denúncias de mesada, o chamado ?mensalão?.

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