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Brasileiro com Aids � barrado nos EUA

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FOLHA ONLINE Um professor brasileiro afirma ter sido expulso dos EUA no dia 2 deste mês por ser portador do vírus da Aids. Contrariando recomendações reiteradas de órgãos da ONU, os Estados Unidos e mais uma dezena de países ainda vetam totalmente a entrada de soropositivos, mesmo para curta permanência no país. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro informou não ter encontrado registros anteriores de expulsões por esse motivo nos EUA, desde 1999. O órgão disse não ter sido informado ainda oficialmente sobre o caso. Apesar de a proibição contrariar princípios defendidos pelo governo no tratamento a soropositivos, o Itamaraty e o Ministério da Saúde evitaram comentar a expulsão, devido às regras para entrada em um país serem uma decisão soberana das nações. A Organização das Nações Unidas (ONU), no entanto, considera que a norma fere a legislação internacional de direitos humanos, que veta a discriminação em razão de doença. ?O meu problema foi ter sido honesto. Tive vontade de morrer?, disse o professor de inglês Apolo Marcos, 48, que pretendia obter mais dados de um tratamento experimental a que se submete e visitar amigos. Ele tinha visto de turista que foi cancelado no mesmo dia 2. Durante as cerca de 12 horas em que permaneceu na área de segurança do aeroporto de Atlanta, ele afirma que ficou sem poder tomar os seus remédios e sem comer. Ele diz ainda que, quando pediu para deitar, foi informado de que o lugar não era ?um hotel?. A infectologista de Marcos, Roberta Schiavon, explica que o professor deve tomar seus remédios duas vezes por dia, depois de se alimentar. ?A interrupção é muito prejudicial.? A droga experimental que recebe, o TMC 114, é seu último recurso, diz a médica, porque o professor tem resistência a outros remédios. Quando Marcos passava pelo setor de imigração, para fazer conexão para Nova York, os oficiais lhe pediram que se dirigisse à área reservada, após a conferência do passaporte. Ele diz acreditar que a pele morena e os traços árabes possam ter chamado a atenção. Na revista da mala do brasileiro, os oficiais encontraram frascos de remédios para Aids. Quando lhe perguntaram sobre eles, o professor informou ser HIV positivo. O governo norte-americano não tem informações sobre o número de pessoas que já foram barradas em razão de serem HIV positivo, mas disse considerar a política legítima. Uma dezena de países restringe totalmente a entrada de portadores do HIV, como a Arábia Saudita. O Brasil permite a entrada. Os EUA só liberam portadores do HIV em casos especiais.

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