Nacional
Governo e oposi��o mant�m impasse
Leila Swwan Ranier Bragon Folhapress Governo e oposição continuavam até a noite de ontem em impasse sobre quais serão os nomes que vão ocupar a presidência e a relatoria da CPI dos Correios, instalada na semana passada. Líderes governistas passaram o dia tentando convencer a oposição a ceder na intenção de emplacar o senador César Borges (PFL-BA) em um dos postos-chave. As conversas continuariam durante a noite de ontem, mas a avaliação até era de que um acordo seria difícil, o que poderia levar a decisão a voto na sessão de hoje. Apesar de possuir o apoio da maioria na comissão, 19 dos 32 integrantes, o Palácio do Planalto quer evitar a impressão de que está assegurando o controle da comissão como forma de abafar as investigações. Sem muita expectativa de obter sucesso no acordo, governistas insistiam nas negociações como forma de tentar passar a seguinte imagem: a de que tentou a todo o custo um acordo, mas que isso só não foi possível devido à inflexibilidade da oposição. ?Estamos discutindo vários nomes [para a presidência e para a relatoria], agora resta saber se a oposição concorda ou não??, afirmou Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo na Câmara. ?A palavra acordo não faz parte do vocabulário do PFL no momento. Se não quiserem aceitar o César Borges, vamos para o voto??, rebateu Rodrigo Maia (RJ), líder da bancada do PFL na Câmara. Na semana passada, a CPI foi instalada, mas a falta de acordo impossibilitou a escolha do presidente e do relator, que são quem conduzem o rumo dos trabalhos. O governo disse que aceitaria o senador Édison Lobão (PFL-MA) como o nome da oposição, mas o PFL e o PSDB recusaram sob o argumento de que não é cabível o governo querer indicar o representante da oposição no comando da CPI. Caso a decisão vá a voto, o Planalto pretende emplacar Delcídio Amaral (MS), líder do PT no Senado, como presidente, e o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) como relator. A CPI foi criada para investigar o suposto esquema de corrupção nos Correios. O governo tentou impedi-la até o último momento, mas mudou de posição após a pressão política resultante das denúncias de pagamento de mesada a deputados no Congresso. Oposicionistas avaliaram que o governo tem menos condições hoje que na semana passada para impor nomes ao comando da CPI. ?A crise foi arrastada para dentro de uma salinha no Planalto (...) É, presidente, a corrupção é velha sim, mas o Delúbio é coisa nova??, disse Virgílio, ironizando a palavra de Lula no rádio. O presidente disse no programa ?Café com o Presidente?? que a corrupção não é novidade no País e disse que a investigação não deixará ?pedra sobre pedra??. Depoimento Em seu primeiro depoimento desde que acusou o PT de pagar mesada a parlamentares em troca de apoio político, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson (RJ), comparecerá hoje a um Congresso Nacional dominado por forte expectativa acerca do potencial explosivo de suas declarações. Uma eventual reforma ministerial e medidas administrativas de reação à crise dependerão dos desdobramentos de seu discurso. O governo espera saber se ele realmente não tem provas, como disse numa segunda entrevista à Folha de S.Paulo. Jefferson deporá sob juramento a partir das 14h30 ao Conselho de Ética da Câmara e enfrentará deputados ávidos pela apresentação de provas em uma sessão que será transmitida ao vivo pela TV Câmara. Não há hora para o depoimento acabar.