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Jefferson reafirma den�ncia � Comiss�o
ROSE ANE SILVEIRA Folha Online Em um depoimento tenso e cheio de detalhes, o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), reafirmou ontem, ao Conselho de Ética da Câmara, as declarações dadas à Folha de que não tem provas sobre a existência de um suposto esquema de pagamento de mesada de R$ 30 mil a parlamentares do PP e do PL em troca de apoio político - o ?mensalão?. ?Não tenho provas, sou testemunha. Jamais na vida, como parlamentar, tinha visto o governo pagar mesada a congressistas da base aliada?, declarou. O deputado voltou a apontar o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, como um dos envolvidos no esquema e pediu para o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, sair da pasta. ?José Dirceu, se você não sair, vai fazer réu um homem inocente?, declarou. Jefferson afirmou ainda que Dirceu ?não tem palavra, não cumpre o que promete? e que seria responsável pela blindagem feita ao presidente Lula. Segundo ele, o ministro e o presidente nacional do PT, José Genoino, sabiam do esquema do ?mensalão?. O presidente do PTB afirmou que recebeu Delúbio em casa, desmentindo as declarações do tesoureiro em entrevista coletiva concedida na semana passada. ?Atendi ao Delúbio em minha casa. Com o conhecimento do Genoino, sem o Marco Valério [publicitário que segundo Jefferson trabalha com Delúbio Soares]. Ele fumou um charuto. É um homem simples. Com jeito goiano, cheio de melindres. Ele falou que estava ali para ajudar a tirar uma unha encravada. É assim que ele fala. Ajudar a tirar algum problema na minha bancada. Ajudar a alguém que precise. Eu disse obrigada. Que o PTB não quer dinheiro, quer estrutura de governo. Não quer mensalão.? Jefferson declarou que, depois da conversa, procurou os ministros Ciro Gomes (Integração Nacional), Miro Teixeira (que então ocupava as Comunicações) e Dirceu para denunciar as ações de Delúbio. Para o presidente do PTB, as denúncias contra ele publicadas na revista ?Veja? surgiram para ?livrar a cara? de alguns petistas. ?Eles [o governo e a revista] deram o virtual e esconderam o real. Eles querem desconstituir a minha imagem. A opinião pública quer uma cabeça. Eles vão dar a do PTB e a minha?, declarou, para em seguida dar um recado: ?José Dirceu, Silvinho Pereira, o PTB não é responsável pela corrupção nos Correios?. Em gravação divulgada pela publicação, o ex-executivo dos Correios Maurício Marinho detalha um suposto esquema de cobrança de propina na estatal, e afirma que opera com o aval de Jefferson. A gravação, segundo ele, foi armada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). ?Não fui eu que indiquei Maurício Marinho. A Polícia Federal e a Corregedoria estão nos Correios há 30 dias tentando encontrar um erro, um vício e até agora não encontraram nada?, disse. Com as denúncias de cobrança de mesada por parte do PTB aos seus indicados nos Correios, segundo Jefferson, o governo estaria ?jogando o cadáver no colo do PTB?. ?Não acredito no envolvimento de ninguém da bancada do PT neste esquema de mensalão?. E finalizou: ?Me perdoem Sandro Mabel (PL-GO), Valdemar Costa Neto, Bispo Rodrigues (PL-RJ), Pedro Corrêa (PP-PE) e José Janene (PP-PR). Mas não vou ser cúmplice disso.? ### Parlamentares trocam insultos Em seu depoimento, o deputado Roberto Jefferson não poupou as ironias ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto (PL), autor da representação ao Conselho de Ética, pela oportunidade de se defender para a opinião pública. ?Agradeço ao deputado Valdemar Costa Neto a oportunidade. Vou responder com sinceridade à hipocrisia que tenho ouvido, à tentativa de me intimidar. Não corro, não temo, haverei de enfrentar cada passo, cada segundo, seja na CPI dos Correios ou na CPI do ?mensalão?. Obrigado, Valdemar?, acrescentou. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP), reagiu à fala de Jefferson e foi o primeiro parlamentar a fazer perguntas ao presidente do PTB. Os dois travaram uma discussão ríspida, que resvalou para a ofensa. Costa Neto disse que participou de várias reuniões com deputados do PP e do PTB, mas apenas para tratar de reforma política: ?Vossa Excelência pode dizer o nome dos deputados do PTB que estavam pressionando por mesada??, perguntou Costa Neto. Jefferson se negou a responder. E provocou o deputado do PL: ? Eu devolvo a pergunta: Vossa Excelência vai responder para quem paga o mensalão?, disse Jefferson. Costa Neto insistiu na pergunta. O presidente do PTB mais uma vez se recusou e partiu para a ofensa. ?Vossa Excelência é conhecido como mulherengo e boêmio?. A sessão do Conselho de Ética teve uma breve interrupção. Na volta, o líder do PTB, José Múcio (PE), citado por Valdemar Costa Neto, respondeu que nunca recebeu proposta de mensalão e que nunca participou de qualquer reunião com PP e PL que tratasse do assunto. José Múcio desmentiu Jefferson. Diante da insistência do presidente do PL para que confirmasse ou não as declarações de Jefferson de que teria participado de reunião em que Costa Neto teria pressionado o PTB a receber o mensalão, José Múcio disse que nunca tratou de mensalão com o presidente do PL. Confirmou, no entanto, que estava com Jefferson quando ele falou sobre o mensalão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ### Deputado acusa petistas de não terem sido leais Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, o presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), acusou o PT de não ter sido leal com ele. Segundo o deputado, o Partido dos Trabalhadores o isolou nas denúncias de corrupção nos Correios. ?Essa gente do PT não é leal. Nos usa como sapo para atravessar o rio e sempre nos dá uma ferradinha. Essa é tão forte que vai levar o sapo para o fundo do rio, mas pode levar os escorpiões também?, afirmou o deputado Jefferson. Erro O deputado disse também disse que errou ao retirar a assinatura da CPI dos Correios. E chamou o jornal ?O Globo? e a revista ?Época? de imprensa oficial. Segundo o deputado, o jornal e a revista publicaram uma reportagem covarde, que atingiram a sua honra e de sua família. Ele contou que reuniu a cúpula do PTB e comentou: ?O governo vai botar o cadáver no colo do PTB. Olha a imprensa oficial como está saindo?, relatou. O presidente do PTB contou que chegou a pedir a ajuda do ministro da Casa Civil, José Dirceu, depois do depoimento do ex-chefe de compras dos Correios Maurício Marinho à Polícia Federal que, segundo ele, o teria inocentado. Espaço na imprensa Jefferson queria espaço na imprensa e pediu ao ministro que intercedesse em seu favor na revista ?Veja?: ? Não, a ?Veja? é tucana?, teria dito o ministro José Dirceu. Jefferson disse que, então, perguntou pelo ?Globo?: ?Esse eu tenho por cima, esse eu seguro?, teria sido a resposta do ministro. O próprio deputado admitiu, no entanto, que Dirceu não teve qualquer ingerência no jornal: ?Não segurou, porque o enfraquecimento do PTB recrudesceu a ação da PF contra o partido?, contou Jefferson. Novas denúncias Também durante o depoimento na tarde de ontem, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) fez novas denúncias de corrupção no Governo e afirmou que a bancada do PT não participa do esquema do ?mensalão? denunciado por ele. Entre os novos casos de corrupção denunciados pelo deputado, estariam irregularidades na Diretoria de Informática dos Correios; no Departamento Nacional de Infra-estrutura e Transportes (Dnit); e na Valec - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. Ferrovia Norte-Sul (FNS). Severino não acredita O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, disse nesta terça que não acredita nas acusações que o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) fez contra parlamentares sobre envolvimento no esquema do ?mensalão?. Severino pede provas da participação de lideranças e deputados do PP. ?Ele (Roberto Jefferson) precisa provar. Nós não podemos aceitar essa conversa fiada. Ninguém pode jogar contra nenhuma pessoa sem ter provas. Eu não acredito. Se ele não tem provas, como afirmou nas últimas entrevistas, existe leviandade?, disse o presidente da Câmara. Severino Cavalcanti disse ainda que a Câmara vai investigar de forma séria todas as denúncias de corrupção apresentadas por Roberto Jefferson. ?Quem tiver culpa no cartório vai pagar?, anunciou ### Dinheiro do mensalão teria vindo de empresas privadas A origem do dinheiro usado para pagar o ?mensalão? e a verba dada pelo PT ao PTB como auxilio nas eleições do ano passado vieram de empresas privadas com ligações com empresas estatais, afirmou o deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, durante depoimento na Comissão de Ética da Câmara. ?Eu penso [que a origem do dinheiro] é desta relação de empresas privadas com o governo. Todo mundo sabe disto. Nas campanhas eleitorais, todos os partidos recebem dinheiro destas empresas. Não há um partido que faça diferente disto. Eu não aluguei o partido. Sei de onde vem o dinheiro e todo mundo sabe?, afirmou ao ser indagado sobre a origem do dinheiro. Jefferson confirmou também que os R$ 4 milhões que o PT deu para o PTB como apoio financeiro nas eleições do ano passado não foram contabilizados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). ?Este dinheiro não foi contabilizado nas contas partidárias e nem prestamos conta à Justiça Eleitoral?, declarou. A legislação eleitoral determina que após cada pleito os partidos prestem contas do quanto arrecadou e do quanto gastou na eleição. Jefferson se recusou mais uma vez a dar os nomes das pessoas do PTB que receberam os recursos dados pelo PT. ?Eu vou dizer os nomes quando o PT esclarecer as origens dos recursos. Aí eu abro quem recebeu.? Em resposta ao questionado do relator do seu caso no Conselho de Ética, deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), o presidente do PTB reafirmou que não podia citar todos os deputados que receberam o ?mensalão?. ?O nome dos parlamentares não sei. Sei o nome de presidentes e de dirigentes de partidos que receberam. Não ouvi falar de deputados do PT ou do PPS envolvidos com ?mensalão?. Excluo o PV também?, acrescentou. Jefferson acrescentou que, pela falta da mesada, a Câmara está paralisada. Ao responder à pergunta do deputado Júlio Delgado (PPS-MG) se esses partidos não conseguiriam levar adiante as votações, Jefferson disse que o PP tem condições de paralisar a Câmara por não receber o pagamento. Ele ressalvou que não são todos os deputados do partido, mas alguns. Ferido de morte Indagado sobre a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às denúncias do esquema do ?mensalão?, Roberto Jefferson confirmou que foi Lula teve um ?choque?. ?Foi um homem ferido de morte?. Jefferson afirmou ainda que acredita que o presidente Lula aceitou suas declarações como verdadeiras, já que depois de ter levado o assunto ao presidente, o pagamento do ?mensalão? foi suspenso. ?Ele [presidente Lula] chorou, fui embora. Não me disse se acreditou ou não. Não sei se tomou como verdade. Mas depois que contei ao presidente, o pagamento parou?.