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Jefferson falta a novo depoimento

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ROSE ANE SILVEIRA Folha Online Um dia depois do depoimento de Roberto Jefferson (PTB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, a Corregedoria da Casa iniciou sua investigação paralela com um fiasco - Jefferson não apareceu para depor - e com uma ação: aprovou 37 requerimentos convidando pessoas para prestar depoimento, entre elas os ministros José Dirceu (Casa Civil) e Aldo Rebelo (Coordenação Política). Os convidados não são obrigados a comparecer. Argumentando estar cansado depois de ficar por quase sete horas depondo anteontem, o deputado Roberto Jefferson avisou, por meio de um correligionário, que não iria. Com isso, a Corregedoria vai até o apartamento dele, provavelmente na semana que vem, para tomar o seu depoimento. Os cinco integrantes da comissão de sindicância montada pela Corregedoria aprovaram requerimentos convidando, além dos ministros, deputados do PP e do PL citados por Jefferson como integrantes do suposto esquema do ?mensalão?, a diretoria exonerada dos Correios e a cúpula do PT - o presidente, José Genoino, o tesoureiro, Delúbio Soares, e o secretário-geral, Sílvio Pereira. Além disso, foram chamadas outras pessoas envolvidas com os dois escândalos que resultaram na maior crise do atual governo - o suposto pagamento de mesada pelo PT a deputados do PP e do PL e a acusação de que o PTB comandaria um esquema de corrupção nos Correios. Outros parlamentares A intenção era começar a ouvir os deputados ontem, mas isso não havia acontecido até o início da noite. ?O inquérito maior é contra os outros parlamentares. O Conselho de Ética investiga o Jefferson, nós estamos atrás dos outros parlamentares?, afirmou o corregedor, Ciro Nogueira (PP-PI). ?Vamos investigar todas as denúncias que o Jefferson fez e todas as que foram feitas contra ele?, acrescentou o relator da sindicância, Robson Tuma (PFL-SP). ### Conselho ouve mais pessoas; secretária recua Um dia depois de ouvir o deputado e presidente nacional do PTB Roberto Jefferson, o Conselho de Ética também deve aprovar hoje dezenas de requerimentos para ouvir pessoas relacionadas ao caso. Eram 43 até as 17 horas de ontem. A avaliação de integrantes do Conselho é que Jefferson, embora tenha feito um relato contundente, assumiu ações que, baseadas apenas em seu próprio depoimento, configurariam quebra do decoro parlamentar. A principal delas é a de que mentiu no episódio em que teria recebido R$ 4 milhões do PT para distribuir a candidatos do PTB às eleições municipais, em 2004. Além de a transação não ter sido declarada à Justiça eleitoral, Jefferson negou a negociação por um longo tempo - no depoimento, argumentou que mentiu para preservar a candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, que sofreria desgaste político caso a transação viesse a público naquele momento. Outro fator que pesa contra ele é o fato de admitir que indicações feitas pelo PTB para estatais tinham a missão de arrecadar doações para o partido e que Lídio Duarte, ex-presidente do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), falhara nessa missão. A intenção do relator do Conselho, Jairo Carneiro (PFL-BA), e do presidente, Ricardo Izar (PTB-SP), é ?filtrar? os requerimentos e priorizar os mais relevantes. Entre eles estão o convite a Delúbio, à deputada licenciada Raquel Teixeira (PSDB-GO), que disse ter recebido oferta de dinheiro para trocar de partido, e à ex-secretária Fernanda Karina Somaggio, que disse ter presenciado movimentações financeiras relevantes feitas pelo ex-chefe Marcos Valério. O publicitário Valério é acusado por Jefferson de ser a pessoa que distribuía o ?mensalão?. Recuo Ontem, o advogado de Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária da agência de publicidade mineira SMP&B, de propriedade de Marcos Valério de Souza, disse, ao sair da Polícia Federal de Belo Horizonte, que sua cliente negou vários pontos da entrevista publicada pela revista ?IstoÉ Dinheiro?. Segundo Leonardo Macedo Poli, Fernanda Karina negou que tivesse visto várias malas com dinheiro sair da SMP&B. Na entrevista, ela diz, com todas as letras: ?Já vi saírem malas de dinheiro. Às vezes, mandavam tirar R$ 1 milhão, em dinheiro, no Banco Rural?. Ela teria dito à ?IstoÉ Dinheiro? que ela mesmo ajudou a contar dinheiro. A edição 405 da revista ?IstoÉ Dinheiro?, com a entrevista com Fernanda Karina chegou às bancas na última terça-feira. A publicação, que normalmente circula às sextas-feiras e teve a distribuição antecipada, apresenta longa reportagem com Fernanda Karina, na qual ela diz conhecer detalhes do dia-a-dia do patrão que confirmariam as denúncias reveladas nas últimas semanas. Fernanda Karina, que está sendo processada por tentativa de extorsão e processa a empresa de Marcos Valério, afirma ter registrado tudo em uma agenda.

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