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Vaias, aplausos e agress�es na volta de Dirceu � C�mara

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AGÊNCIA O GLOBO Brasília O discurso do deputado José Dirceu (PT-SP), em sua volta à Câmara, provocou tensão, bate-boca e até agressão no plenário, ontem. Durante a fala do ex-ministro, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), militar reformado, chamou Dirceu de terrorista, em resposta à citação do petista sobre seus tempos na clandestinidade e na guerrilha contra a ditadura. Os gritos de Bolsonaro causaram reação nas galerias, tomadas em maioria por militantes do PT, que passaram a gritar palavras de ordem. Depois do discurso de Dirceu, o tumulto aumentou: Bolsonaro e o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) por pouco não se agrediram. O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), pediu à segurança, pelo microfone, que evacuasse as galerias e suspendeu a sessão. Durante o discurso, Dirceu foi interrompido por vários pedidos de aparte e houve gritaria quando não concedeu alguns deles. Dirceu atacou o governo de Fernando Henrique Cardoso e provocou uma reação irada do deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), que usou o microfone aos berros. Quando falava, Dirceu foi interrompido por vaias e aplausos. O clima no plenário lembrava o de um estádio de futebol, com gritos de torcida. O presidente Severino Cavalcanti esbravejou: ?Eu quero manter a ordem, tem orador na tribuna, precisa ser respeitado?! Sobre as suspeitas de envolvimento em corrupção, lançadas contra ele pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), Dirceu afirmou na tribuna que não é acusado formalmente de nada. E repetiu que não se envergonha do que fez no governo. ?Não respondo a um só processo em 40 anos de vida pública. Não sou réu?, disse. Dirceu garantiu que prestará os ?esclarecimentos que forem necessários? ao Conselho de Ética e à Corregedoria da Câmara. Ele justificou a política de alianças do governo. ?Servi durante 30 meses ao governo e me sinto honrado. Não me envergonho e não faço autocrítica sobre a política de alianças. Fomos eleitos para governar o Brasil, mas só temos 90 deputados e 13 senadores do PT. Para governar, era preciso fazer alianças e compor uma base?, justificou, dizendo-se pronto a ser ?mais um deputado? comandado pelo líder Arnaldo Chignalia (PT-SP). No final, Dirceu pediu desculpas a Alberto Goldman por ter antecipado o debate político com a oposição, ao fazer críticas ao governo anterior. E acrescentou que tinha prometido a si mesmo que não faria. ### Jefferson depõe em sigilo e tira dúvidas O advogado do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), Luiz Francisco Corrêa Barbosa, declarou ontem que não foi crime eleitoral o presidente licenciado do PTB ter recebido R$ 4 milhões do PT. Segundo Barbosa, não há motivo para cassação de mandato. Segundo o advogado, Jefferson só vai declarar o dinheiro que recebeu quando o PT assumir que repassou a verba e declarar sua procedência. ?Por enquanto, é como homicídio sem cadáver. Não há prova do crime?, comparou. O deputado Roberto Jefferson prestou depoimento sigiloso, na manhã de ontem, à Corregedoria da Câmara. Em duas horas e meia, Jefferson reafirmou todas as denúncias feitas por ele nas últimas semanas sobre o suposto esquema de mesada recebida pelos parlamentares da base aliada em troca de apoio político ao governo federal. O Corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), avaliou como ?muito esclarecedor? o depoimento de Jefferson. ?Serviu para tirar muitas dúvidas?, comentou. Nogueira não comentou detalhes da declaração nem informou se ele apresentou provas sobre as denúncias sobre o ?mensalão?. De acordo com Nogueira a Corregedoria está fazendo uma ampla investigação sobre o caso. Ele não citou nomes, mas indicou que os citados por Jefferson no depoimento da semana passada, ao Conselho de Ética da Câmara, também estão sob investigação. Embora Nogueira pretenda encerrar a fase de depoimentos nesta semana, o relator, deputado Robson Tuma (PFL-SP), declarou que não há prazo para terminar de ouvir os envolvidos. Segundo Tuma, já foram ouvidos cinco congressistas. Além de Jefferson, já prestaram depoimento os deputados José Janene (PP-PR), Pedro Corrêa (PP-PE) e Pedro Henry (PP-MT). O líder do PMDB no Senado, Ney Sussuana (PB), também prestou depoimento. Ainda serão ouvidas outras 36 pessoas, entre elas 16 parlamentares e os ministros Walfrido Mares Guia (Turismo), Ciro Gomes (Integração Nacional) e Aldo Rebelo (Coordenação Política).

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