Nacional
CPI divulga nomes de convocados
FOLHA ONLINE Brasília A agenda de trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista que investiga denúncias de corrupção nos Correios será cheia na próxima semana. Em reunião com os técnicos da CPI, o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS), decidiu ontem ouvir, na próxima terça-feira, os depoimentos de Jairo Martins, Joel Santos e Arlindo Molina (veja lista com outros nomes). Eles são apontados como participantes da gravação de vídeo na qual o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, deu detalhes sobre um suposto esquema de corrupção na estatal. Para o senador, a próxima semana será de muito trabalho e esclarecimento. ?Será uma semana importante. Mas é fundamental que aproveitemos bem os depoimentos para que possamos tirar todas as dúvidas. Essa CPI precisa deslanchar e semana que vem ela vai deslanchar?, afirmou. Delcídio disse ainda que vai buscar uma maneira de fazer com que a CPI funcione durante o recesso parlamentar para dar continuidade ao trabalho da comissão. De acordo com o presidente da CPI, o esquema de corrupção não funcionou especificamente dentro dos Correios. Para ele, é ?uma coisa mais ampla, até uma organização de trabalho?. ?Aparentemente a ação é muito mais extensa do que se imagina. O que ficou caracterizado é que o grupo que assessorou o empresário Arthur Waschek Neto nessas gravações tenham uma área de atuação maior. Não estava concentrada num fato episódico, mas em uma estrutura mais ampla?. Delcídio apresentou uma lista com os nomes das primeiras pessoas que deverão ser ouvidas pela CPI, que já ouviu o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material Maurício Marinho, flagrado recebendo R$ 3 mil. Na gravação, Marinho disse que trabalhava em conjunto com Roberto Jefferson (PTB-RJ) e com o ex-diretor de Administração dos Correios, Antônio Osório Batista. Além de Marinho, já foram ouvidos os empresários Arthur Wascheck Neto e Antonio Velasco, suspeitos de serem os mandantes da gravação que denuncia o suposto esquema de corrupção nos Correios. Confira a lista dos próximos convocados a prestar depoimento na CPI: José Fortuna Neves - ex-agente do Sistema Nacional de Informações (SNI) que afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) investigava os Correios a pedido da Casa Civil. O ex-agente passou a ser investigado pela Polícia Federal depois que seu nome foi citado pelo deputado Roberto Jefferson, no plenário da Câmara. CLAUZER ESTEVES - sócio de Fortuna. EDGARD LANGE - agente da Abin, conhecido como Alemão. De acordo com Fortuna, é quem teria contado a ele sobre a participação da Casa Civil nas investigações. Alemão teria dito que a intenção era investigar a Unisys, empresa multinacional de informática que tem convênios com a estatal e com Previdência. Fortuna afirmou também que Alemão pediu a ele para assumir a autoria da gravação antes da fita ser divulgada para a imprensa. ARLINDO MOLINA - militar reformado da marinha, também citado pelo deputado Roberto Jefferson no plenário da Câmara. Antes da divulgação da fita pela imprensa, Molina foi ao gabinete do deputado com a gravação. Ele disse à polícia que teria ido alertar Jefferson, mas a polícia investiga se houve tentativa de extorsão. JOEL SANTOS - participou da gravação em que Marinho é flagrado recebendo R$ 3 mil de empresários para favorecê-los em uma licitação da empresa. JOÃO CARLOS MANCUSO - também afirmou ter participado da gravação. JAIRO SOUZA MARTINS - policial militar licenciado e ex-agente da Abin, é suspeito de ser o responsável pela distribuição da fita à imprensa. Teria sido ainda o responsável pelo equipamento de gravação. ANTÔNIO OSÓRIO BATISTA - ex-diretor de Administração dos Correios, citado por Marinho na gravação. FERNANDO GODOY - ex-assessor da Diretoria de Administração dos Correios, também citado por Marinho na gravação. ROBERTO SALMERON - ex-presidente da Eletronorte e ex-vice-presidente dos Correios. Salmeron foi citado no depoimento do ex-diretor de Administração dos Correios, Antônio Osório Batista. De acordo com o depoimento, Osório, Roberto Jefferson e Salmeron teriam assistido à gravação um dia antes de ter sido divulgada à imprensa. ROBERTO JEFFERSON - o nome do deputado foi citado por Maurício Marinho durante a gravação em que fala sobre a suposta existência de um esquema de corrupção nos Correios envolvendo o PTB. MARCUS VINICIUS FERREIRA - genro de Roberto Jefferson e assessor do diretor da Eletronuclear Luiz Rondon Teixeira de Magalhães, indicado por Jefferson. EDUARDO MEDEIROS - diretor afastado dos Correios por suspeita de corrupção. Em entrevista à imprensa, o senador Fernando Bezerra disse que recebeu uma carta anônima onde dizia haver uma licitação em curso na Diretoria de Tecnologia dos Correios para a aquisição de kits de informática que serviriam para expandir o Banco Postal e interligar as agências. De acordo com a reportagem, a carta dizia que o então diretor de Tecnologia e seu subordinado Edilberto Petry estavam definindo as especificações dos equipamentos sob orientação da NovaData. A matéria afirma que havia uma licitação para comprar os kits, porém, o valor era menor do que o informado na correspondência anônima. EDILBERTO PETRY - subordinado de Medeiros. MAURO DUTRA - presidente da NovaData, empresa que fabrica computadores. FERNANDO BRITES - representante da NovaData. JÚLIO IMOTO - suspeito de atuar com Marinho na cobrança de propina. HAROLDO MARSCHNER - empresário, um dos donos da Precision Componentes, que fabrica lacres de segurança para placas de trânsito. Disse que também recebeu um pedido de suborno de Marinho, para poupar a empresa de suas multas. FERNANDA KARINA SOMAGGIO - ex-secretária de Marcos Valério Fernandes de Souza, publicitário de Belo Horizonte. Em entrevista à imprensa, afirmou que seu ex-chefe carregava malas de dinheiro quando se encontrava com integrantes do Partido dos Trabalhadores, como o tesoureiro do partido, Delúbio Soares. Em depoimento à Polícia Federal, negou as afirmações, mas recentemente, em nova entrevista, disse que mentiu porque teria sido ameaçada de morte e reafirmou as primeiras declarações. ### Conselho ouve ex-secretária na próxima 3ª O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), confirmou para a próxima terça-feira, às 14h30, o depoimento da ex-secretária da SMP&B Comunicação, Fernanda Karina Ramos Somaggio. Fernanda Somaggio é uma das cinco testemunhas arroladas por Roberto Jefferson (PTB-RJ) para a sua defesa. A ex-secretária já depôs perante a Polícia Federal e afirmou ter visto seu ex-chefe, Marcos Valério Fernandes de Souza, com valises de dinheiro na empresa e que este dinheiro, segundo ela, era repassado para o PT. Somaggio, que trabalhou na agência de abril de 2003 a janeiro de 2004 é processada por Valério por uma suposta ?extorsão?. Para quarta-feira, o Conselho de Ética aguarda a confirmação de dois novos depoimentos. Como a fase ainda é de oitiva de congressistas, a expectativa é de que dois deputados deponham neste dia. Ao todo, 11 parlamentares foram convidados a depor. O último a ser acrescentado à lista foi o deputado José Dirceu (PT-SP), que retornou à Câmara nesta quarta-feira, após ter pedido demissão do cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Representação O Conselho de Ética foi acionado devido à representação feita pelo presidente nacional do PL, deputado Valdemar Costa Neto (SP), que acusou o deputado Roberto Jefferson de falta de decoro parlamentar por ter feito denúncias de pagamento de mesada por parte do governo a deputados da base, sem a apresentação de provas dos fatos. Costa Neto também deve depor na próxima semana. O Conselho ainda vai encaminhar à sua ex-mulher Maria Cristina Mendes Caldeira um convite para que venha depor perante o Conselho, já que ela foi arrolada como testemunha de defesa por Jefferson. Até agora o Conselho não convidou Maria Cristina para depor, apesar de ela já ter publicamente se oferecido para falar. Segundo a ex-mulher de Costa Neto, o deputado paulista utilizava recursos do seu partido para compra de móveis e utensílios para a sua residência. Ela confirmou ainda transações financeiras entre o presidente do PL e o tesoureiro do PT, Delúbio Soares.