loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
terça-feira, 04/08/2026 | Ano | Nº 6281
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Nacional

Nacional

Apoio ao governo Lula divide o PMDB

Ouvir
Compartilhar

FELIPE RECONDO Folha Online Diante da dificuldade do PMDB de encontrar uma posição unitária em torno da maior participação da legenda na equipe ministerial, a bancada do Senado divulgou uma nota em que 20 dos 23 senadores defenderam um ?pacto pela governabilidade?. Para a ala governista do PMDB, o País poderá sofrer uma ?crise de governabilidade? com reflexos na economia se a sigla não aceitar a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?O governo tem uma maioria precária com o [apoio do] PMDB. Se o PMDB sair, vamos ter a ingovernabilidade, a ruína do País, dificuldades na área econômica. Ninguém vai nos perdoar?, afirmou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). ?Se o PMDB sair agora é algo muito próximo da insensatez?, acrescentou. Na última sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu quatro ministérios ao partido numa provável reforma ministerial, sem qualquer compromisso de alianças para as eleições de 2006. No mesmo dia, os sete governadores do partido enviaram um documento ao presidente da legenda, deputado Michel Temer (SP), em oposição à maior participação do PMDB no primeiro escalão. A resposta dos senadores foi dizer ontem que os interesses do País devem estar acima de problemas localizados. ?Os senadores do PMDB consideram que os interesses maiores do País devem estar acima de divergências regionais ou eleitorais, até porque a proposta que deve ser analisada internamento pelo partido exclui qualquer entendimento com vistas às eleições do ano que vem?, informa o documento. O líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), disse esperar que a nota amenize as divergências no partido. ?Esse gesto significa que estamos apoiando a governabilidade?, explicou. ?Não estamos dando resposta aos governadores?, disse. Na ala oposicionista do PMDB, estão os sete governadores e, pelas contas oficiais, 13 diretórios estaduais (SP, MG, RS, SC, PR, RJ, BA, PE, TO, AC, MT, DF e MS). Uma convenção neste momento, portanto, seria uma tragédia política ao governo Lula, de acordo com a avaliação de um peemedebista. Para piorar a situação do governo, a bancada do PMDB irá eleger, amanhã, o líder do partido na Câmara. O governista José Borba (PR) tem maioria de votos, mas o ex-governador do Rio Anthony Garotinho opera para garantir a vitória a um deputado da ala de oposição: Saraiva Felipe (MG) ou Moreira Franco. Se os governistas saírem derrotados, a tentativa do presidente Lula de fortalecer a base pode ser frustrada. Calheiros apela para uma decisão consensual para que o partido não amplia sua cisão. ?O partido não pode conviver com essa ambigüidade?, afirmou. O presidente do PMDB do Rio, Anthony Garotinho, soltou nota em que afirma que o partido no Estado ?unanimemente? rejeita não só a ampliação como a participação de filiados no ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PMDB do Rio pede ?respeito à decisão da convenção do dia 12 de dezembro, que decidiu pelo afastamento do partido do governo federal, colaborando com a governabilidade, mas sem nenhum membro ocupando função pública?. ### Executiva de SP decide pelo afastamento A Executiva Estadual do PMDB de São Paulo decidiu ontem pelo afastamento do governo federal, em reunião realizada na sede da legenda em São Paulo. O presidente da Executiva e ex-governador, Orestes Quércia, afirmou, no entanto, que o partido precisa manter o ?diálogo aberto? com o governo para garantir a ?governabilidade?. ?A posição em São Paulo é unânime. Não teve nenhuma dissidência?, disse ele. Segundo Quércia, o nome dos ministros seria definido pelo governo, e não pelo partido. ?No quadro de hoje, nós não concordamos com a idéia de indicar mais dois ministros. Até porque, pela história que nós estamos vendo, não é indicação. O governo escolhe os ministros e depois diz que o ministro é do partido. Ele que escolheu?, afirmou Quércia. Ele disse, no entanto, que a legenda precisa manter o ?diálogo aberto? com o governo caso ocorra o aprofundamento da crise política. Na sexta passada, o presidente Lula convidou o PMDB a ampliar sua participação no governo numa tentativa de ganhar aliados políticos para superar a atual crise política. O presidente ofereceu quatro ministérios de peso aos peemedebistas: Minas e Energia, Integração Nacional, Saúde e Cidades. A legenda assumiu o compromisso de responder ao convite nesta semana. O PMDB já detém os ministérios da Previdência Social (Romero Jucá) e das Comunicações (Eunício Oliveira). Aprofundando a crise ?Se houver um problema seriíssimo, de profundidade, nós não vamos ajudar? Vamos. Neste momento, tendo em vista a decisão da convenção [de dezembro], nós não podemos aceitar essa ampliação [na participação do governo]?, afirmou. Quércia foi vago, no entanto, ao definir como seria essa participação no governo no caso de uma eventual agravamento da crise e não detalhou em que circunstância poderia acontecer. ?Isso é muito difícil de definir neste momento?, disse ele. ?A gente pode ajudar o governo, sem participar do governo.? O ex-governador deu indicações de que, enquanto a crise política não afetar a economia, o partido ficará de fora do governo. Oreste Quércia ressaltou que espera que o PT encontre uma saída para a crise política e que há outras lideranças políticas e empresariais que poderiam dar apoio ao governo neste momento. ### Diretórios devem seguir orientação Orestes Quércia também afirmou que alguns diretórios estaduais também devem seguir a mesma orientação. O governador garantiu que não teme um ?racha? no partido caso a Executiva Nacional tome a decisão de apoiar o PT. O ex-governador citou os Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul como exemplos de diretórios regionais favoráveis ao afastamento do partido no governo. Na nota, o PMDB paulista disse também que vai exigir a ?apuração total das denúncias? analisadas no Congresso e que o diretório decidiu pela ?abertura de um diálogo com o governo federal envolvendo as principais lideranças do partido?. Quércia negou que o partido esteja interessado em mais cargos no governo e afirmou que o único cargo que interessa ao partido é ?Presidência da República em 2006?. ?Não queremos cargo nenhum no futuro. Queremos o grande cargo, que é a Presidência da República?, respondeu Quércia, ao ser questionado se o partido estaria negando a participação no governo agora para depois negociar mais cargos. O ex-governador foi incisivo em reclamar da articulação política do governo federal junto ao partido que, segundo ele, não teria feito ?uma pesquisa? entre os líderes da legenda para o acordo. ?O governo, para fazer uma reunião importante, tem que ouvir as lideranças do PMDB. Não pode simplesmente chamar o presidente [do partido] lá e dar as mãos ao presidente e achar que está tudo resolvido. Nós temos uma história dentro do partido?, disse ele. Alijado das negociações, Quércia disse ter sido procurado ?nas últimas horas?, e pelo desafeto, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Ele criticou o fato de o governo só ter procurado Temer agora. ?É a primeira vez que ele [Lula] conversa com quem deveria ter conversado há muito tempo. Porque o diálogo do governo tem sido muito com dois companheiros, ilustres senadores, mas quem representa o partido é Temer?.

Relacionadas