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Ex-secret�ria cai em contradi��o

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Fábio Zanini Chico de Gois Folhapress Considerada testemunha-chave das investigações sobre a suposta existência de um ?mensalão? pago a deputados, a secretária Fernanda Karina Somaggio disse ontem que o publicitário Marcos Valério de Souza fazia saques bancários no valor de até R$ 1 milhão. Segundo ela, muitos dos saques ocorriam na véspera dele viajar. Ela disse, porém, que nunca viu o dinheiro, que não tem provas e chegou a se contradizer ao falar que não sabia se o dinheiro vinha de empresas estatais. Os saques, conforme contou em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, eram feitos no Banco Rural, em Belo Horizonte (MG), na véspera de viagens de Valério para, segundo ela, encontrar-se com dirigentes petistas em hotéis de São Paulo e Brasília. A informação da secretária foi reforçada pelo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgado na semana passada, que constatou saques em dinheiro acima de R$ 100 mil por Valério, no valor total de R$ 20,9 milhões, em um período de dois anos. Suspeita-se que o dinheiro tenha sido usado para pagar o suposto ?mensalão?, o que o publicitário nega. Marcos Valério processa a ex-secretária por tentativa de extorsão. Somaggio, que foi secretária-executiva da agência SMP&B, de propriedade de Valério, entre abril de 2003 e janeiro de 2004, disse que não tem provas do que relatou e alega que nunca viu o dinheiro - apenas as malas em que supostamente as notas estariam. ?Os boys que faziam os saques é que comentavam?, declarou, em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, no processo de cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Somaggio se contradisse em relação à entrevista dada à revista ?IstoÉ Dinheiro?, há duas semanas, em um ponto considerado crucial pelos deputados. Não confirmou que o dinheiro sacado por Valério viesse de contratos superfaturados em estatais, como relatou à publicação. ### Depoente entrega cópia de agenda Fernanda Somaggio também confirmou que telefonava rotineiramente a dirigentes petistas por solicitação de Valério e que agendava encontros com eles. Cópia de sua agenda contendo referências a essas reuniões foi entregue ao Conselho. Na agenda constam, ainda, telefonemas do governador Aécio Neves, de Minas Gerais. A empresa de Valério detém a conta do governo mineiro. A secretária repetiu a justificativa que havia dado para ter recuado em depoimento à Polícia Federal com relação à entrevista dada a ?IstoÉ Dinheiro?. ?Na véspera do depoimento, um motoqueiro emparelhou com meu carro e disse para eu tomar cuidado com o que ia falar porque alguma coisa podia acontecer com minha família. Entrei em pânico.? Depois, por orientação de seu novo advogado [Rui Caldas Pimenta], resolveu falar a verdade. A secretária titubeou quando instada pelo relator do processo no Conselho, Jairo Carneiro (PFL-BA), a confirmar declaração feita à revista de que Valério dava dinheiro a pessoas do governo para conseguir contratos com estatais, e de que ?havia muita negociata?. Recusou-se por três vezes a ratificar a declaração, mas depois de consultar seu advogado confirmou-a. Também afirmou que o publicitário tem ?relacionamento pessoal estreito com o pessoal do Banco do Brasil?, com a qual a agência tem contrato de publicidade, especialmente com o diretor de Marketing, Henrique Pizzolato. Em várias partes ela confirmou que ouvia dizer que os saques estavam ocorrendo. ?Os boys falavam que tinha saque de R$ 1 milhão. O que eu sei é quando o Marcos vinha a Brasília era sacada uma grande quantidade de dinheiro que ele trazia em um avião fretado?. Em Brasília e São Paulo, segundo ela, ele teria encontros petistas. ### Fernanda desmente compra de gado Fernanda Somaggio declarou que nunca ouviu falar em bois ou em propriedades rurais em nome de Valério no período em que trabalhou como sua secretária. O publicitário argumentou que sacava o dinheiro para comprar cabeças de gado. ?Não tenho conhecimento de propriedades rurais. Ele [Valério] não tem fazenda. Sei que ele tem cavalos, um centro eqüestre em Belo Horizonte. Uma vez trouxe três cavalos de raça da Argentina. Mas não tinha bois.? A secretária disse que o contato de Valério com o secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, era rotineiro. Depois disse que presenciou um telefonema de Dirceu para Valério. O publicitário também mantinha relação com o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (SP). ?Ele [Valério] conversava sempre com o Delúbio, com o Sílvio. Pedia para eu fazer a ligação. E também para agendar conversas, que aconteciam em hotéis em São Paulo e Brasília.? Somaggio contradiz o depoimento dado pelo ex-ministro na semana passada à Corregedoria da Câmara. Dirceu afirmou na ocasião que nunca conversou com Valério pelo seu celular, o que é contestado pela secretária. A secretária diz ainda que seu ex-chefe dizia ser amigo do ex-ministro e que ela chegou a fazer uma ligação para o gabinete dele. O dinheiro da conta no Banco Rural era sacado por dois office-boys da SMP&B, que Somaggio identificou apenas como Marquinhos e Orlando. Eventualmente, um motorista de nome Nei os transportava de carro. ?Os boys saíam, tiravam o dinheiro e levavam para o Departamento Financeiro da agência, onde Simone e Geiza [duas funcionárias da agência] dividiam os maços e colocavam nas malas?.

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