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Val�rio � investigado por pol�cia da BA

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Luiz Francisco Folhapress Apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como operador do suposto ?mensalão?, o publicitário Marcos Valério de Souza é investigado na Bahia sob suspeita de falsidade ideológica e utilização de documentos falsos desde o ano passado. Em abril de 2004, a delegacia de São Desidério (912 km a oeste de Salvador) recebeu uma carta precatória da 6ª Vara Cível de Circunscrição Judiciária de Brasília contendo algumas perguntas encaminhadas ao publicitário, em conseqüência de uma ação movida contra a DNA Propaganda (empresa que tem Valério como sócio) por uma outra agência de publicidade, a Scam Propaganda. Como garantia de penhora a uma suposta dívida cobrada pela Scam Propaganda, Marcos Valério relacionou três propriedades em São Desidério -as fazendas Barra 1, Barra 2 e Barra 3. Na quarta-feira, em nota oficial, a DNA disse ser proprietária de sete fazendas em São Desidério, detendo em seus arquivos escrituras, registros e Imposto de Transmissão Rural (ITR). Procurada ontem, a DNA não comentou a investigação aberta. ?As propriedades existem realmente, mas estão em nome da Carvic Empreendimentos, uma empresa agropecuária de São Paulo?, disse o escrivão policial William de Almeida Louzada. No cartório de notas do município, as fazendas estão registradas em nome da DNA Propaganda -Barra 1 (6.680 ha), Barra 2 (6.820 ha) e Barra 3 (6.783 ha). As mesmas propriedades também estão registradas em nome da Carvic, de acordo com a delegacia. ?Na região, por causa do elevado índice de grilagem, é muito comum que uma propriedade esteja registrada com nomes de pessoas e empresas diferentes?, disse o prefeito de Barreiras (805 km de Salvador), Saulo Pedrosa (PSDB). Pouco tempo depois de iniciar a investigação, a Polícia Civil de São Desidério devolveu o processo para a 6ª Vara Cível de Circunscrição Judiciária de Brasília. ?Nós nunca vimos o senhor Marcos Valério aqui na região. Também constatamos que as fazendas apontadas por ele como propriedades da DNA pertencem a uma outra empresa?, disse Louzada. Fazendeiros da região ouvidos ontem pela reportagem contaram que, principalmente nas pequenas cidades do oeste da Bahia, existem vendas fictícias de fazendas. ### Ex-líder do PP depõe no Conselho de Ética O Conselho de Ética da Câmara ouviu ontem o depoimento do ex-líder do PP na Câmara Pedro Henry (MT), acusado por Roberto Jefferson de ter oferecido dinheiro para levar deputados petebistas para seu partido. De acordo com Jefferson, o deputado Íris Simões (PTB-PR) teria levado a Henry um recado para que parasse com as ofertas financeiras. ?Ele [Simões] jamais levou a mim esse recado. Nunca, em nenhum momento, fiz proposta de compensação financeira para deputados?, declarou o deputado do PP durante o depoimento de quatro horas e meia. Líder do PP entre 2003 e o início de 2005, Henry atribuiu as acusações de Jefferson a uma disputa por espaço político entre PP, PL e PTB. ?São três partidos ideologicamente parecidos, de centro com uma tendência à direita. E de tamanho parecido, então era natural que houvesse uma disputa por deputados entre os três. Isso sem dúvida alimentou o show pirotécnico do deputado Roberto Jefferson?, disse. O deputado do PP revelou que em 2003 houve negociações dele com o então presidente do PTB, José Carlos Martinez (morto naquele ano), e Jefferson para fundir as duas legendas. O fracasso dessas tratativas teria iniciado um processo de confrontação entre os dois partidos. Henry afirmou que seu partido cresceu pouco entre a eleição de 2002 e hoje, passando de 49 para 55 deputados, o que comprovaria que não houve pagamento de ?mensalão? para atrair parlamentares de outras legendas. Médico legista, ele questionou a sanidade mental de Jefferson em vários momentos do depoimento. ?Ele [Jefferson] está passando por um processo de deterioração psicológica muito grande, está perdendo as faculdades mentais.? Quebra de sigilo O Conselho de Ética da Câmara deve pedir a quebra dos sigilos telefônico, fiscal e bancário do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que sofre processo de cassação no órgão. O relator do processo, Jairo Carneiro (PFL-BA), também declarou ontem que Jefferson deverá ser convocado uma segunda vez para prestar depoimento no Conselho, para esclarecer as novas informações contidas na entrevista de ontem à ?Folha de S.Paulo? e contradições com depoimentos já prestados por outros parlamentares, como Sandro Mabel (PL-GO) e José Múcio (PTB-PE). A quebra dos sigilos ajudaria, no entender do conselho, a localizar recebimento dos R$ 4 milhões por Jefferson, como parte de um suposto apoio financeiro acertado através de acordo eleitoral com o PT nas eleições de 2004. O conselho também quer investigar algum indício de recebimento de propina levantado por diretores de estatais nomeados pelo partido, como Correios e Instituto de Resseguros do Brasil (IBR). FZ

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