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Governo afasta diretores de Furnas

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AGÊNCIA O GLOBO O ministro interino de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, determinou ontem às diretorias da Eletrobrás e de Furnas uma rigorosa apuração das irregularidades denunciadas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Durante as investigações, os diretores de Furnas Dimas Toledo (Planejamento e Tecnologia), Rodrigo Botelho (Gestão) e José Roberto Cesaroni Cury (Finanças) ficarão afastados do cargo e da empresa. A nota diz que a medida atende à determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também pediu ao Ministério da Justiça para abrir inquérito, por meio da Polícia Federal, para apurar os fatos. A Furnas divulgou ontem à tarde uma nota informando a abertura de sindicância para apurar as supostas irregularidades. A edição de ontem do jornal ?Folha de S. Paulo? traz reportagem em que o deputado faz novas denúncias de corrupção envolvendo o PT e deputados federais. Segundo a reportagem, Jefferson disse que o diretor de engenharia de Furnas, Dimas Toledo, revelou-lhe em abril de 2004 um esquema de desvio de R$ 3 milhões por mês na estatal. Este dinheiro, afirma Jefferson, é repartido: R$ 1 milhão vai para o PT nacional, R$ 1 milhão para o PT de Minas Gerais e o restante é divido em partes iguais entre a diretoria da estatal e um grupo de deputados que trocaram o PSDB por partidos da base aliada no início do governo Lula. O deputado depôs ontem à CPI dos Correios. Jefferson disse que o dinheiro seria distribuído ao PT nacional por Delúbio Soares, tesoureiro do partido, e ao PT mineiro por Rodrigo Botelho Campos, diretor de Administração e ex-dirigente da CUT-MG. Dimas fez as denúncias, segundo Jefferson, como reação à decisão do presidente Lula de substitui-lo no cargo por um indicado pelo PTB. O deputado afirma ainda que o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, então à frente do gabinete, estava articulando contra a indicação de Francisco Pirandel, nome escolhido pelo PTB. ?Tudo o que o Dimas me explicou eu relatei depois ao Zé Dirceu. Ele confirmou que era isso mesmo. Percebi claramente que o Zé Dirceu estava jogando contra a nomeação do Pirandel?, declarou Jefferson ao jornal ?Folha de S. Paulo?. ### Jefferson diz que mensalão continuou após escândalo Com um grande hematoma embaixo do olho esquerdo - a assessoria do parlamentar informou que foi um acidente doméstico - o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) voltou ao Congresso ontem para prestar depoimento na CPI dos Correios. Jefferson revelou um fato novo em relação ao suposto mensalão pago pelo PT a parlamentares da base aliada. Ao contrário dos depoimentos anteriores, quando disse que o esquema teria parado após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficar sabendo do mensalão, no início do ano, o deputado do PTB disse que assessores de parlamentares estariam recebendo a mesada numa agência do Banco Rural localizada no 9º andar do Brasília Shopping, na capital. O uso da agência seria uma alternativa ao pagamento feito por meio de malas de dinheiro, que segundo ele seria mais difícil de operar. O Banco Rural é o mesmo de onde o publicitário Marcos Valério de Souza fez saques superiores a R$ 20 milhões nos últimos anos. ?Eu recebi a informação que, depois da denúncia do mensalão, assessores de parlamentares tem ido lá pegar R$ 30 mil, R$ 40 mil, desde que as malas pararam de chegar. Não sei se no presente, mas até bem pouco tempo sim?, denunciou Jefferson. Ele afirmou aos parlamentares da CPI que para descobrir o esquema do mensalão é preciso investigar também supostos saques do Banco do Brasil, e não só os do Banco Rural. Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam para saques de R$ 20 milhões em menos de dois anos feitos por Marcos Valério acusado de operar o mensalão. O dinheiro teria servido para pagar propinas a deputados da base do governo. Jefferson disse que aceitaria participar de uma acareação com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e com o deputado José Dirceu (PT-SP). Diante da afirmativa, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) anunciou que vai apresentar o requerimento para a acareação. Ele criticou o sistema de financiamento das campanhas eleitorais e estimou em 10% o percentual do dinheiro que é declarado. Mostrando uma pilha de registros da Justiça eleitoral, ele qualificou a prestação de contas de campanha como o princípio da mentira. ### Jefferson diz que fez acordo com Dirceu Segundo Roberto Jefferson, José Dirceu teria proposto a permanência de Dimas no cargo em troca de um ?acerto direto? entre o PT e o PTB. Jefferson diz que aceitou a proposta. Ao discutir, em abril, a substituição de Dimas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jefferson disse ter falado a ele que havia pressões pela permanência do diretor, mas não relatou as denúncias. Segundo ele, o presidente lhe garantiu que Dimas sairia, e aparentou não ter conhecimento da história. Em setembro de 2004, porém, o processo de substituição foi interrompido por ordem de Dilma Roussef, à época ministra de Minas e Energia e hoje no comando da Casa Civil. Dos deputados que integrariam o esquema, Jefferson citou três: Luiz Piauhylino (PDT-PE), Osmânio Pereira (PTB-MG) e Salvador Zimbaldi (PTB-SP). Jefferson diz ainda que este grupo teria sido responsável pela nomeção do diretor financeiro de Furnas, José Roberto Cesaroni Cury, que é amigo pessoal de Salvador Zimbadi. O presidente do PT, José Genoino, disse que o partido nunca recebeu dinheiro algum de Furnas e afirmou nunca ter ouvido falar de Dimas Toledo. Genoino disse que o partido vai se pronunciar após o depoimento de Jefferson à CPI dos Correios. O deputado Salvador Zimbadi disse, em entrevista à Rádio CBN, que as declarações de Jefferson são um ?delírio?: ?É um delírio. Acredito que quem deve estar de cabelo em pé são os tesoureiros de Furnas, porque segundo ele sobram R$ 3 milhões por mês em Furnas. Como seria e de onde viria?? A estatal Furnas informou ontem, por meio de nota oficial, que determinou ?imediata abertura de sindicância? para investigar as acusações feitas pelo deputado Roberto Jefferson. A nota diz ainda que os três diretores citados por Jefferson -Dimas Toledo, Rodrigo Botelho Campos e José Roberto Cesaroni Cury- solicitaram ontem licença de seus cargos. Momentos antes, no entanto, o Ministério de Minas e Energia já havia divulgado que eles seriam afastados por determinação do presidente Lula. ### CPI quebra sigilo de mulher de Valério e de Marinho A CPI mista dos Correios aprovou ontem o pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração e Material da estatal Maurício Marinho, flagrado recebendo R$ 3.000 de propina na gravação encomendada pelo empresário Arthur Wascheck Neto. Os dados sigilosos da mulher do publicitário Marcos Valério, apontado como um dos ?operadores? do suposto esquema de mesadas a PP e PL, Renilda Fernandes de Souza, e das empresas de publicidade por ele controladas também foram requisitados pelos integrantes da CPI mista em votação unânime. Os integrantes da comissão explicam que o publicitário poderia ter feito operações ilegais em nome da mulher, o que justificaria o pedido de quebra de sigilos. Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária de Valério, que confirmou ter conhecimento de saques vultosos de dinheiro e distribuição de recursos em Brasília, também terá a conta bancária, as declarações de imposto de renda e a conta telefônica revistadas pelos deputados e senadores que fazem a investigação do esquema de corrupção na empresa. O quinto requerimento aprovado ontem pela CPI pediu a quebra dos sigilos de Antônio Velasco, sócio de Wascheck na empresa Comam (Comercial Alvorada de Manufaturados), que fornecia material de saúde e informática para os Correios. Concluída a votação dos requerimentos, todos retroativos a cinco anos, a CPI começou a ouvir os depoentes convocados para a sessão de ontem. O primeiro deles é o ex-diretor de Administração da estatal, Antônio Osório. Em seguida, os integrantes da comissão ouvirão Eduardo Medeiros, ex-diretor de Tecnologia, uma das áreas dos Correios que concentrava os contratos de maior valor.

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