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Depoimento provoca ressaca moral

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FOLHAPRESS Brasília O depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista dos Correios provocou ontem uma ressaca física e moral em Brasília. Como o depoimento se estendeu até quase as 3h de ontem, os trabalhos no Congresso começaram o dia de ontem de forma lenta. De acordo com a Comunicação do Senado, a transmissão do depoimento de Jefferson registrou um dos mais altos índices de audiência da TV Senado. As declarações do deputado abalaram a confiança dos integrantes da base aliada de que a CPI poderia ter algum controle. Para a oposição, Roberto Jefferson apenas ratificou o que já tinha dito e ampliou o leque de denúncias. Mesmo quem não faz parte de partidos de oposição, como o senador Pedro Simon (PMDB-RS), avalia que Roberto Jefferson conseguiu abalar ainda mais a credibilidade de todas as instituições brasileiras. Segundo Simon, a sociedade não podia imaginar que o atual governo seria atingido, justamente, em seu aspecto ético. ?Mas é isso que está acontecendo dia após dia?, afirmou em discurso na tribuna do Senado. Simon afirmou que sua primeira ?mágoa? contra o governo foi quando este formou um ministério demasiadamente amplo, com pessoas que haviam perdido as eleições e que, a seu ver, não atendiam a requisitos de competência. O senador pediu um ?choque ético e de moralidade? ao governo Lula. Simon citou como exemplo da falta de rumo do governo as irregularidades ocorridas em Furnas, denunciadas recentemente por Roberto Jefferson, e a imediata demissão de diretores da estatal pelo governo. ?As coisas que ele fala estão sendo confirmadas?, disse o senador com relação às denúncias do deputado do PTB. Segundo Simon, o PT errou ao costurar suas alianças políticas e continua com dificuldades ao fechar alianças com o PMDB no momento. Sobre o apoio prestado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, ao governo, ele disse: ?não me parece que seja a grande figura de um entendimento para o governo?. Já o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), prevê um cenário de maior deterioração da governabilidade, após as novas declarações de Jefferson. ?O governo tem contra si o relógio do tempo político. Não há mais espaço para mentiras, deboches e revanchismo cretino.? O depoimento do deputado Roberto Jefferson abriu caminho para um encontro muito esperado, que deve ser realizado nas próximas audiências da comissão. O senador Jefferson Peres (PDT-AM) apresentou um requerimento à comissão, que deve ser votado na próxima semana, para que a CPI coloque frente a frente Roberto Jefferson, que já disse aceitar a acareação, o deputado José Dirceu (PT-SP) e o tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Nem Dirceu, nem Delúbio, no entanto, prestaram depoimento à comissão parlamentar. Ainda não foi votado, inclusive, qualquer requerimento para que ambos deponham à comissão. ### Advogado desiste de defender Delúbio FOLHA ONLINE O advogado Aristides Junqueira, ex-procurador-geral da República, desistiu da defesa do tesoureiro do PT, Delúbio Soares, acusado de gerir o suposto caixa dois para o pagamento do ?mensalão? a congressistas aliados. O PT ainda não sabe quem assumirá o caso. Em entrevista à Folha no final de junho (logo após assumir o caso), Junqueira afirmou que seu cliente não negava ?os laços de amizade com [o empresário] Marcos Valério [apontado como o operador do mensalão]? e que o ?único acusado? que havia no escândalo era o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), ?um investigado no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados?. Junqueira teria preferido deixar o caso por ser sócio de José Roberto Santoro, subprocurador-geral da República, que atuou nas investigações sobre o caso Waldomiro Diniz. Ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro foi exonerado após aparecer em um vídeo negociando propina com o bicheiro Carlos Cachoeira. Junqueira trabalhava para o PT desde pelo menos o final de 2003, quando assumiu acompanhamento pelo partido da nova investigação sobre a morte do prefeito de Santo André Celso Daniel. Delúbio Soares afirmou que um ?movimento de direita? quer derrubar o governo Lula. O tesoureiro do PT fez um discurso de meia hora (onde chorou por três vezes) durante a posse da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás. O tesoureiro do PT protagoniza uma das maiores crises políticas do governo Lula. As acusações do deputado Jefferson colocam Delúbio como um dos mentores do esquema do ?mensalão?.

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