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Borba diz que Val�rio distribu�a cargos
Ranier Bragon Silvio Navarro Folhapress O líder do PMDB na Câmara, deputado José Borba (PR), aumentou ontem ainda mais a gravidade da crise política ao afirmar, em nota, que o publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza participava das discussões para o preenchimento dos cargos públicos federais e ?fazia parte do grupo do PT que exercia efetiva influência político-administrativa no governo?. Aliado do Palácio do Planalto desde que assumiu a liderança do PMDB, no princípio de 2004, Borba verbalizou o que o PT e o governo procuram negar efusivamente nas últimas semanas: que Valério, acusado de ser o ?operador? do ?mensalão?, tinha influência política na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. ?Nunca recebi do senhor Marcus [sic] Valério qualquer numerário ou recursos financeiros, limitando-se o relacionamento ao fato de que o mesmo fazia parte do grupo do PT que exercia efetiva influência político-administrativa junto ao governo federal?, diz a nota de Borba. O peemedebista afirma ainda ter discutido com Valério e com o PT a indicação de apadrinhados para cargos federais. A nota - que também traz duros ataques ao presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e à ala oposicionista da legenda - teve imediata repercussão no Congresso e ameaçava inclusive a negociação entre o Planalto e o PMDB em torno da reforma ministerial. Governistas diziam se sentir perplexos e avaliavam que Borba poderia ter se ?atrapalhado? na redação da nota. Instado pelo PSDB, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), acionou a Corregedoria da Casa para apurar se as ações assumidas por Borba na nota ferem o decoro parlamentar, o que pode resultar em cassação do mandato. ?Borba fez uma verdadeira confissão de crime, ele assumiu a existência de uma verdadeira quadrilha?, afirmou Alberto Goldman (SP), líder do PSDB. O líder do PMDB foi citado por Fernanda Karina Ramos Somaggio, ex-secretária de Valério, como um dos políticos que eram próximos ao ex-chefe, que chegou a avalizar um empréstimo do PT e cujas empresas possuem vários contratos com órgãos governamentais. ### Temer pede que Borba saia da liderança O PMDB solicitou que o seu atual líder na Câmara, o deputado José Borba (PR), acusado de envolvimento no esquema do ?mensalão?, afaste-se da posição até a conclusão das investigações sobre o escândalo. A assessoria do presidente Michel Temer (SP) confirmou que ele conversou com Borba sobre o assunto, e que o deputado paranaense teria se comprometido a tomar uma decisão ontem mesmo, mas até as 21 desta terça, Borba não havia divulgado sua decisão. Borba foi envolvido no caso devido a uma declaração de Fernanda Karina Somaggio, que afirmou no último domingo, em entrevista ao ?Fantástico? que Valério e Borba mantinham contatos freqüentes. Karina Somaggio é ex-secretária do publicitário Marcos Valério, supostamente um dos envolvidos no mensalão. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), não acredita na afirmação feita em nota pelo líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), de que o publicitário Marcos Valério tratava de nomeação de cargos públicos em reuniões com a direção do PT. Chinaglia lembrou que nem mesmo o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) fez afirmação tão séria contra o PT. ?Por tudo aquilo que os dirigentes do PT disseram, não posso crer nessa afirmação. Nem mesmo o Roberto Jefferson, em seus momentos mais agudos, disse que Marcos Valério participava das nomeações de cargos no governo?. ### Nota aponta prática de fisiologismo A nota divulgada ontem por José Borba, entretanto, une Valério, PT e PMDB na prática do fisiologismo, que se dá, entre outras coisas, pela concessão governamental de cargos federais para pessoas indicadas por partidos aliados. ?O que discuti com dirigentes do PT e o senhor Marcus [sic] Valério é o que lideranças partidárias discutem hoje e sempre discutiram em todos os governos, a nomeação de seus partidários para cargos na administração pública?, diz a nota, que reforça: ?O meu relacionamento com líderes do PT, integrantes de sua Executiva nacional e o senhor Marcus [sic] Valério sempre foram [sic] delimitados pela tratativa da ocupação de cargos públicos, em razão de pleitos de integrantes de nossa bancada, sendo leviana e politiqueira qualquer especulação de favorecimento financeiro a deputados do PMDB?. Sobre o fato de ter ido ao escritório do Banco Rural em Brasília - local onde o ?mensalão? era distribuído, segundo Jefferson - na mesma data em que houve um saque em dinheiro de R$ 200 mil de uma das empresas de Valério, Borba afirma ser ?possível? ter estado na agência na data, 3 de dezembro de 2003, mas para ?atender pagamento [sic] ou efetuar operação bancária de natureza particular?. Ele diz que freqüentava o prédio também para realizar ?exames laboratoriais? e visitar o escritório de um amigo. A reportagem apurou que Borba elaborou a nota em conjunto com um grupo restrito de aliados, entre eles Jader Barbalho (PMDB-PA). O objetivo principal não era atacar o governo, mas sim a ala oposicionista da legenda, liderada por Michel Temer e pelo ex-governador Anthony Garotinho (RJ), que tentam retirá-lo do posto. ?Um dos poucos sucessos nas tratativas com o mesmo grupo [PT e Valério] foi para a presidência dos Correios, por indicação do deputado Michel Temer?, diz a nota, se referindo a João Henrique, exonerado na esteira da atual crise política. Borba encerra dizendo que sempre exerceu a liderança do PMDB com a preocupação de ser merecedor da confiança dos companheiros, ?apesar da discordância de parte da bancada?, que o peemedebista diz ser representada por pessoas pelas quais ?eu e os fatos não arriscaríamos colocar a ponta dos dedos no fogo?. Na segunda, Temer havia dito que não poderia colocar a mão no fogo por Borba depois das revelações da ligação do deputado com Valério.