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Val�rio foi avalista do PT por duas vezes

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FOLHAPRESS Brasília O PT confirmou ontem, em nota divulgada pela Secretaria de Finanças e Planejamento do partido, que o publicitário Marcos Valério foi avalista da legenda em dois empréstimos bancários. Apear disto, durante depoimento à CPI dos Correios Marcos Valério confirmou apenas um empréstimo ao partido. Segundo a nota, em 17 de fevereiro de 2003, o PT solicitou empréstimo de R$ 2,4 milhões ao BMG, onde foram avalistas o presidente do PT, José Genoino, o então secretário de Finanças e Planejamento, Delúbio Soares, e o publicitário Marcos Valério. O advogado Arnaldo Malheiros, que trabalha para o PT, afirmou também que os dois empréstimos foram conseguidos com a ajuda do empresário Marcos Valério. ?Foi Marcos Valério quem viabilizou esses empréstimos?, disse o advogado. O PT informou ainda que no dia do último aditamento do contrato, em 21 de fevereiro de 2005, Valério deixou de ser o avalista do contrato. De acordo com a nota, o último aditivo de Confissão de Dívida, no valor de R$ 2.901.168,00, vencerá dia 22 de agosto, quando o partido deverá efetuar o pagamento do empréstimo junto ao BMG e também o pagamento do empréstimo de Marcos Valério, no valor de R$ 351.508,20, acrescido de juros e correção monetária. O documento diz ainda que em 14 de maio de 2003, o PT solicitou empréstimo de R$ 3 milhões ao Banco Rural, onde foi avalista Delúbio Soares. No entanto, como o banco exigiu mais um avalista, Marcos Valério concordou em dar essa garantia. Segundo o PT, já na primeira renovação, o publicitário Marcos Valério deixou de ser o avalista do contrato. No lugar dele, passou a assinar como avalista o presidente do PT. A nota diz ainda que o partido não solicitou empréstimo ao Banco do Brasil. Segundo o documento, o PT fez um leasing no valor de R$ 20 milhões para a aquisição de computadores e softwares e os próprios computadores são a garantia do contrato de leasing. ### CPI convoca Delúbio e Silvio para depor O tesoureiro licenciado do PT, Delúbio Soares, e o secretário-geral afastado do partido, Silvio Pereira, serão convocados para depor na CPI dos Correios nos dias 19 e 20 deste mês. A oposição usou todos os recursos disponíveis para antecipar esses depoimentos para a próxima semana mas não teve sucesso. Silvinho, como é conhecido, negociava a indicação não só de petistas, mas também de integrantes de partidos aliados para cargos no governo. É atribuída a ele a indicação do ex-diretor de Tecnologia dos Correios Eduardo Medeiros, na cota do PT. Essa diretoria é a que possui o maior volume de recursos na estatal e é acusada de irregularidades em licitações. Já Delúbio está sendo convocado para explicar, principalmente, sua relação com o publicitário Marcos Valério, que foi avalista de empréstimos bancários do PT e presta serviço aos Correios. O tesoureiro também será questionado sobre o ?mensalão?, o suposto pagamento de R$ 30 mil que seria feito por ele a deputados da base aliada, principalmente ao PP e o ao PL, segundo denúncias de Roberto Jefferson (PTB-RJ). Delúbio e Silvio, assim como o presidente do partido, José Genoino, e o ex-ministro José Dirceu abriram na quinta seus sigilos bancário, fiscal e telefônico à CPI. Nesta semana a CPI retomará o depoimento do ex-diretor de Administração dos Correios Antônio Osório e ouvirá ainda Medeiros e o ex-diretor de Operações Maurício Madureira. Na quarta-feira serão ouvidos os ex-presidentes da estatal João Henrique de Almeida Souza e Airton Dipp, além de Luiz Otávio Gonçalves, presidente da Skymaster, empresa que presta serviço à estatal e é acusada de superfaturar um contrato. Já está definido também que em agosto haverá uma acareação entre Valério e sua ex-secretária Fernanda Karina Somaggio, que compareceram nesta semana à CPI em sessões separadas. ?Isso é inexorável porque eles apresentaram versões absolutamente diferentes?, disse o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT). O publicitário, na comissão, afirmou que só foi avalista do PT em empréstimo de R$ 2,4 milhões concedido pelo banco BMG. Valério fez o mesmo em empréstimo concedido pelo Banco Rural, no valor de R$ 3 milhões. Paraa CPI, as contradições e omissões do empresário ficam cada vez mais claras. ### Governo tenta evitar CPI da Corrupção O governo está tentando conter a pressão, cada vez mais forte no Congresso Nacional, para que a CPI dos Correios centralize também as investigações do ?mensalão?, dos Bingos e do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). A proposta é que ela se transforme na CPI da Corrupção e que os focos de investigação se tornem sub-relatorias. O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), defendeu isso abertamente ontem. Em conversas reservadas com parlamentares, o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS), também defende esse procedimento, mas não o admite publicamente. O governo, no entanto, trabalha contra a unificação dos trabalhos, apostando na diluição dos fatos. Os governistas avaliam que a oposição não terá força suficiente para atuar em quatro frentes de investigação, o que prejudicará o andamento dessas comissões. ?Talvez fosse uma coisa mais estruturada, onde as coisas se entrelaçam. Fica mais fácil, porque senão passamos a investigar o mesmo fato sob ângulos diferentes?, afirmou Serraglio. A CPI dos Correios está em pleno funcionamento, a dos Bingos marcou os primeiros depoimentos para a próxima semana, a do Mensalão já foi criada e a do IRB já foi protocolada, mas seu requerimento de criação ainda não foi lido em plenário. Todas elas têm como objetivo investigar supostos esquemas de corrupção no governo. O assunto chegou à tribuna do Senado ontem. ?Os fatos estão se entrelaçando. Na verdade deveríamos mudar o nome da CPI. Tinha que ser CPI da Corrupção e designar vários sub-relatores?, disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Simon recebeu o apoio do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). ?Seria adequado [unificar] para que pudéssemos concentrar organizadamente os trabalhos?, afirmou o tucano em seu discurso. Na tentativa de evitar um desgaste pessoal, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), está empurrando a decisão, como em outras ocasiões, para os líderes partidários. O presidente do Senado marcou para a próxima terça-feira, às 15h, uma reunião com os líderes do Congresso para que eles indiquem os integrantes da CPI do Mensalão. Ao acelerar esse processo, Renan cria um fato consumado, dificultando a unificação dessas comissões.

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