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Pampulha � reaberta ap�s um ano
EDUARDO OLIVEIRA Folhapress A Igreja de São Francisco de Assis, em Belo Horizonte (MG), foi reaberta na última terça-feira à noite para visitação, após ficar um ano fechada para reforma estrutural, que custou R$ 1,8 milhão. A intervenção consistiu na abertura de duas juntas de dilatação (fendas de cerca de 6 mm) na estrutura da construção e o preenchimento delas - e de uma terceira já existente - com neoprene, uma borracha sintética de alta resistência. Essas juntas possibilitam dilatações e contrações provocadas pelo calor e frio, sem causar danos à estrutura. Também foi inaugurada a nova iluminação externa da igreja. A obra na igreja faz parte do Projeto Pampulha para Todos, da Prefeitura de Belo Horizonte, em parceria com a Petrobras e Fundação Roberto Marinho. Também está prevista a recuperação de toda a área da lagoa. Conhecida como Igrejinha da Pampulha - em referência ao bairro onde está localizada -, foi construída de 1943 a 1944, mas só foi aberta ao público em abril de 1959, devido a divergências entre clérigos sobre a pintura de São Francisco de Assis produzida por Cândido Portinari. De acordo com o arquiteto Ulisses Lins, do Iepha-MG (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais), alguns críticos consideraram a feição do santo na tela ?muito moribunda?. A igreja foi construída a partir de um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer e compõe o chamado Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Pampulha, tombado pelo Iepha-MG em junho de 1984 - também é tombado em âmbito federal e municipal. Além da igreja, esse conjunto congrega o Cassino, a Casa do Baile, o Iate Tênis Clube e seus jardins, além de obras e elementos ornamentais da Lagoa da Pampulha. O projeto começou com a intenção do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek (1902-76), de ?modernizar? a cidade, no início da década de 1940. O prefeito recorreu então a Niemeyer. Para pôr em prática sua idéia de ?integração entre as artes?, Niemeyer chamou artistas para trabalhar no conjunto, caracterizado sobretudo pelas curvas livres da igreja e pela marquise sinuosa da Casa do Baile, cartões postais de Belo Horizonte. O pintor Cândido Portinari (1903-62) foi o responsável pelo desenho da grande fachada azul de azulejos da igreja e o extenso painel retratando são Francisco de Assis, no fundo do altar-mor, além do conjunto de 14 pinturas que retratam a via-sacra de Jesus. Paulo Werneck (1907-87) cuidou dos painéis de arte abstrata de pastilhas instalados nas laterais externas da igreja; João Ceschiatti (1916-87) produziu o baixo-relevo em bronze que circunda o batistério; e Roberto Burle Marx (1909-94) foi o responsável pelo paisagismo do conjunto.