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Diretor da Abin ataca CPI e � demitido do cargo

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Brasília - O diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Mauro Marcelo, foi demitido do cargo no fim da noite de ontem pelo presidente da República em exercício, José Alencar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está na França, apoiou a decisão e foi informado, por telefone, dos fatos e da evolução da crise criada com o Congresso. Num e-mail enviado aos servidores da Abin, Mauro qualifica a CPI dos Correios de ?picadeiro? e chama os integrantes da comissão de ?bestas-feras?. Antes da decisão do governo, a CPI tinha aprovado a convocação do diretor da Abin e do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, para dar explicações sobre a mensagem. A CPI também decidiu encaminhar ao Ministério Público um pedido para que apresente uma ação criminal contra Mauro Marcelo por causa da forma como se referiu aos parlamentares. Mauro Marcelo reclamava da convocação pela CPI do agente da Abin Edgard Lange, cujo depoimento ele não conseguiu evitar. ?Nesse exato momento o que devo fazer é elogiar a conduta do profissional Lange, como um verdadeiro herói ao enfrentar as bestas-feras em pleno picadeiro?, diz Mauro Marcelo, sob o título ?Informativo Portal Abin - Mensagem do Diretor?. O diretor-geral da Abin reclama ainda da suposta falta de empenho da Advocacia Geral da União na proteção de Lange. O documento foi levado à CPI dos Correios pelo líder do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ), e conseguiu irritar tanto os governistas quanto a oposição. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), reagiu com irritação. Classificou Mauro Marcelo de ?aprendiz de araponga?, ?destrambelhado? e ?incompetente?. ?Essa nota é inaceitável, é uma ofensa ao Congresso brasileiro. Nos consideramos profundamente desrespeitados com a forma que esse servidor trata o Congresso?, disse o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP). Depoimento O ex-presidente dos Correios Airton Dipp confirmou, ontem na CPI dos Correios, que a Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica (Secom), subordinada a Luiz Gushiken, tinha maior participação na comissão de licitação de contratos de publicidade do que a própria estatal. Uma dessas licitações, segundo o presidente da estatal, culminou no contrato da agência de publicidade SMPB, de Marcos Valério, apontado como sendo um dos operadores do ?mensalão? e avalista de dois empréstimos feito ao PT. É nessa comissão de licitação, de acordo com o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), que estaria Marco Antônio da Silva, diretor de eventos da Secom, casado com Telma dos Reis, que, por sua vez, trabalhou para uma das empresas de Marcos Valério. ### Cachoeira volta a acusar ex-assessor O empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, afirmou ontem, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, que ficou ?assustado? com a repercussão do caso Waldomiro Diniz. Cachoeira é personagem de um dos primeiros escândalos da gestão Lula. Em agosto de 2004, Waldomiro Diniz, um dos principais assessores do então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi exonerado após a divulgação de uma fita, datada de 2002, em que aparece numa negociação de propina com Cachoeira, que foi identificado como o autor da gravação. Carlinhos Cachoeira afirmou que Waldomiro Diniz pediu propina para financiar as campanhas ao governo do Rio tanto para a atual governadora Rosinha Matheus, como para a sua adversária na época, a ex-governadora Benedita da Silva. Ao final de todas as conversas Waldomiro Diniz pedia R$ 200 mil ou mais de propina. Carlinhos Cachoeira também confirmou o encontro que ele e Waldomiro Diniz tiveram com representantes da empresa GTech no início de 2003. A empresa operava os sistemas de loteria da Caixa Econômica Federal. ?Waldomiro me pediu para apresentá-lo ao pessoal do Gtech. E assim eu fiz?, disse. O Carlinhos Cachoeira afirmou que o ex-assessor agia por conta própria e que não acredita na participação de pessoas do governo, a exemplo do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.?Ele nunca falou em nome do José Dirceu, nunca se gabou de ser assessor de Dirceu. Por sinal, nunca falei com o José Dirceu?, disse Cachoeira. Ele confirmou que é amigo de Jairo Martins de Souza, responsável pelas gravações da fita que mostra a tentativa de extorsão feita contra Cachoeira pelo ex-deputado federal André Luiz. Martins também foi o responsável pela gravação em que o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho aparece recebendo R$ 3.000. QUEBRA DE SIGILO Os integrantes da CPI dos Bingos aprovaram ontem o requerimento, do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz.

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