Nacional
Petista quer cassa��o de Rodrigo Maia
FOLHAPRESS Brasília O deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF) protocolou ontem um pedido de cassação do líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), por quebra de decoro parlamentar. Maia divulgou um levantamento que lança suspeitas sobre assessores e familiares de deputados petistas que estiveram na única agência do Banco Rural em Brasília, entre 2003 e 2004. A denúncia, veiculada pelo ?Jornal Nacional?, cita familiares e funcionários dos gabinetes de deputados que teriam passado pela agência bancária, além do deputado Josias Gomes (PT-BA). Segundo o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), o suposto ?mensalão? era pago nessa agência. Segundo Maia, em alguns dos dias em que ocorreram as visitas, o Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) registrou saques de até R$ 200 mil de contas de empresas do publicitário Marcos Valério, acusado de ser o ?operador? do ?mensalão?. O levantamento divulgado pelo ?Jornal Nacional? omitiu que um motorista do próprio Rodrigo Maia foi à agência do Banco Rural - segundo ele, para pagar um boleto de posto de gasolina. A representação de Seixas contra Maia foi entregue à Mesa Diretora da Câmara, que encaminhará o processo à Corregedoria da Casa. A Corregedoria decidirá pelo arquivamento ou pelo envio do caso ao Conselho de Ética, que pode dar parecer pela perda do mandato. ?Entrei com a representação para que o caso seja esclarecido. Isso está virando histeria política, onde vamos parar??, disse Seixas. ### Não tentem me colocar na mesma lama do PT, diz Maia O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), disse ontem que a reação irritada dos petistas - alguns chegaram a propor abertura de processo por quebra de decoro no Conselho de Ética - ao cruzamento de visitas de seus assessores e familiares à agência do Banco Rural no Brasília Shopping mostra que o partido não quer a apuração dos fatos e tenta calar a oposição. Rodrigo Maia disse ainda que a ida de seus assessores ao Banco Rural já está explicada à CPI dos Correios e que alguns petistas é que ainda precisam explicar o que pessoas ligadas a eles foram fazer na agência. ?Não tentem me colocar na mesma lama do PT. A corrupção é deles. A ida dos meus assessores já está explicada à CPI, mas alguns assessores deles não justificaram. A reação deles não é a de quem quer investigar o sistema de corrupção do PT. O que eles querem é calar a oposição?, afirmou. Rodrigo Maia disse que o PT precisa explicar por que teria se utilizado de um laranja, o publicitário Marcos Valério de Souza, para movimentar mais de R$ 2 bilhões. ?O que o PT não quer é explicar por que o partido se utilizou de um laranja que movimentou mais de R$ 2 bilhões. A única coisa que apresentei foi um cruzamento de informações primárias e disse que isso gerava a necessidade de esclarecimentos da presença de deputados e assessores do PT no Banco Rural. Não vou me calar?, afirmou. Rodrigo Maia culpou o presidente do PT, José Genoino, ao ex-ministro José Dirceu, ao tesoureiro licenciado do PT Delúbio Soares e a Marcos Valério pela crise política que envolve o PT e o governo e voltou a cobrar explicações dos petistas. ?Estão tentando me jogar na mesma lata deles. Eles são os responsaveis, o José Dirceu, o José Genoino, o Delúbio Soares e o Marcos Valério. O que eu quero é que se esclareça quem foi para o Banco rural receber recursos de Marcos Valério?, disse. ### Assessores de Maia também estiveram no Banco Rural O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), que na quinta-feira (14) denunciou a entrada de assessores de deputados petistas na agência do Banco Rural em Brasília, também deverá se explicar à CPI dos Correios. Dois assessores do pefelista estão na lista de pessoas que visitaram a agência do Banco do Rural, instituição onde o publicitário Marcos Valério de Souza tem contas e na qual foram sacados R$ 21 milhões entre 2003 e 2005, segundo o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Na quinta-feira, Rodrigo Maia defendeu que todas as visitas sejam investigadas pela CPI. ?Até para que aqueles que tiverem respostas saiam do foco das investigações?, disse Rodrigo Maia. Um dia antes de fazer a denúncia dos deputados petistas que tinham assessores na lista de pessoas que foram ao Banco Rural em Brasília, o líder do PFL enviou ao presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), um ofício reconhecendo que os servidores Jairo Antônio Gomes e Antônio de Souza Filho foram ao Banco Rural. Quinze vezes Entre 2003 e 2005, os servidores de Rodrigo Maia teriam ido pelo menos 15 vezes ao banco. Em duas vezes as visitas dos assessores coincidem com datas de saques em dinheiro nas contas das empresas de Marcos Valério no Banco Rural, conforme relatório do Coaf. No dia 16 de julho de 2003, foram sacados R$ 150 mil e no dia 12 de agosto de 2004 foram sacados R$ 437 mil. Para desvincular seus assessores de qualquer envolvimento com o pagamento de mensalão, o deputado anexou recibos de pagamentos feitos no Rural referentes a despesas com combustível no posto Megaverão. Os 20 recibos são do período de maio de 2003 a março de 2005.