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Press�o de CPI muda norma do BC

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O Banco Rural e o Banco do Brasil têm até a próxima terça-feira (19) para fornecer toda a documentação sobre movimentação das contas do empresário mineiro Marcos Valério e de suas empresas SMP&B e DNA. A informação foi dada ontem pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga denúncias de corrupção nos Correios. Depois de se reunir por cerca de meia hora com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o senador disse ter sido informado pelo presidente do BC de que o trabalho para quebra de sigilo bancário envolve poucas pessoas e teria uma ?velocidade própria?. Segundo Delcídio, a demora também acontece porque envolve pessoas jurídicas, no caso as empresas do empresário Marcos Valério. O prazo médio do Banco Central é de cerca de dez dias. Para atender às solicitações da CPI dos Correios, o BC exigiu mais cinco dias para que o Banco Rural e o Banco Rural forneçam os documentos das movimentações bancárias. ?Caso contrário, a autoridade monetária abrirá processo administrativo contra os bancos?, acrescentou o senador. O presidente da CPI diz que o tempo necessário para que os documentos sejam entregues não deve atrasar a continuidade dos trabalhos. ?Já dispomos de farta documentação para cruzamento dos dados; e mais informações complementares serão liberadas até terça-feira pelos bancos em questão?. Indagado se não haveria lentidão nos trabalhos dos parlamentares, Delcídio disse que ?o momento do País exige serenidade acima de tudo, pois quem atira em várias direções não acerta em nada?. A CPI já aprovou a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Valério, da esposa dele, Renilda de Souza; da ex-secretária, Fernanda Somaggio; do deputado Roberto Jefferson; do ex-chefe de departamento de contratação dos Correios, Maurício Marinho; e dos empresários Arthur Waschek e Antônio Velasco. ### Senadores vão avaliar notas fiscais encontradas em MG A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) levou ontem para Brasília, parte dos documentos apreendidos em Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte) na casa de Marco Túlio Prata, irmão de Marco Aurélio Prata, contador do empresário Marcos Valério, apontado como um dos operadores do ?mensalão?. As notas levadas pela senadora para a CPI dos Correios referem-se à prestação de serviços da DNA Propaganda ao Banco do Brasil, Telemig Celular, Brasil Telecom e Ministério do Trabalho. Todas com valores altos e que seriam queimadas nos mesmos tonéis onde foram destruídos outros documentos da empresa. Ontem, o BB rescindiu os contratos para prestação de serviços de publicidade com a DNA. A senadora disse estranhar que notas fiscais com valores altos e recentes - a mais antiga dessas data de 2002 - fossem queimadas. ?É claro que existe grande suspeição com relação a isso porque um empresário não queimaria uma nota que dá segurança contábil a ela. Não tem justificativa?, afirmou. A nota com valor mais elevado refere-se à prestação de serviços à Telemig Celular: R$ 1,37 milhão com data de 19 de dezembro de 2002. Portanto, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. A nota do Banco do Brasil, onde Valério tinha contrato, era de R$ 540 mil e datava de 19 de agosto de 2003. Heloísa Helena explicou que as notas fiscais não são necessariamente frias. Para averiguar a veracidade dos documentos, ela pedirá à CPI que ordene às empresas que constam das notas que enviem a segunda via à comissão e comprovem a efetiva prestação do serviço. Os integrantes da comissão ainda confrontarão a emissão das notas com a movimentação financeira das empresas de Valério para saber se os recursos envolvidos foram efetivamente depositados. Os membros da CPI já entraram em contato com Fernanda Karina Somaggio, a ex-secretária de Valério, que, em depoimento à comissão revelou que um policial prestava serviços de grampo para o empresário. Eles querem saber se Marco Túlio é o policial a que Fernanda Karina se referia em seu depoimento. ### Gushiken se antecipa e diz que quer falar na Comissão Um dia após os governistas impedirem que fosse votada sua convocação, o secretário de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, se colocou ontem à disposição da CPI dos Correios para prestar esclarecimentos. A CPI investiga a ingerência da Secom na área de publicidade da estatal, principalmente em relação ao contrato ganho pela agência SMPB, da qual o publicitário Marcos Valério de Souza é sócio. A pasta de Gushiken indicou para integrar a comissão especial de licitação dos Correios para a área de publicidade, em 2003, um servidor que é casado com uma funcionária de Valério. O contrato foi ganho pela SMPB e por outras duas agências. O diretor de eventos da Secom, Marco Antônio da Silva, é casado com Telma dos Reis Menezes da Silva, diretora em Brasília da Multi Action, empresa de Valério na área de organização de eventos. De acordo com a Secom, no entanto, o servidor participou apenas da fase de habilitação das agências de publicidade no processo licitatório, ficando fora do julgamento final. O afastamento não se deveu à relação com a funcionária de Valério: Silva teve de viajar em missão oficial, segundo a assessoria da Secom. A tática do governo foi se antecipar à aprovação pela CPI da convocação de Gushiken, diminuindo assim o desgaste político. A carta enviada por ele foi protocolada ontem.

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