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Del�bio e Silvio conseguem prote��o
Folhapress Brasília O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, concedeu o habeas corpus preventivo ao ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, e ao ex-secretário de finanças, Delúbio Soares, que depõem nesta semana na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios. Pereira responde às perguntas dos integrantes hoje enquanto Delúbio será inquirido amanhã. Ambos pediram para depor na CPI na condição de investigados. A exemplo do que fez o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, Delúbio e Silvio Pereira entraram com pedido de habeas corpus para deporem como investigados e não como testemunhas na CPI. Como investigados, eles podem se recusar a assinar o termo de compromisso de falar toda a verdade do que lhes for perguntado na comissão. O habeas corpus vai permitir que eles não assinem o termo de compromisso e se recusem a responder a qualquer pergunta que considerarem incriminatória sem correrem o risco de serem presos. Silvio Pereira vai depor na CPI hoje, já Delúbio vai prestar depoimento na amanhã. Delúbio e Silvio Pereira são acusados de envolvimento no suposto esquema de pagamento de mesadas a deputados, o chamado ?mensalão?, em troca de apoio ao governo no Congresso. Marcos Valério A oposição quer adiar o depoimento do publicitário Marcos Valério, previsto para a próxima quinta-feira, na CPI dos Correios. Antes de reconvocá-lo, os parlamentares pretendem analisar dados provenientes da quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Senadores e deputados do PFL e do PSDB também preferem ouvir primeiro a mulher do publicitário, Renilda Santiago, e a gerente financeira da agência SMPB, Simone Vasconcelos, que participaria do pagamento do ?mensalão?. A volta de Valério à CPI nesta semana foi acertada pelo presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), depois de o publicitário mudar sua versão sobre os saques milionários feitos em dinheiro vivo nas contas de suas empresas. Na CPI, Valério afirmou que as retiradas eram para pagar fornecedores. Agora, ele e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmam que as agências de publicidade tomaram empréstimos e repassaram para o partido. Os saques teriam sido feitos por pessoas indicadas por Delúbio. ### CPI quer ligar empréstimo a contratos A estratégia da oposição na CPI dos Correios é concentrar os trabalhos, a partir de agora, em personagens menores, que contribuiriam mais com as investigações. ?Está claro que eles [Delúbio e Valério] estão montando versões e cada versão desmente a última. Seria melhor ouvirmos primeiro a Renilda e a Simone?, disse o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), que é subrelator da comissão parlamentar de inquérito. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), no entanto, insiste em ouvir Valério nesta semana. ?É para não paralisar a CPI. E se for necessário o chamamos de novo depois. Quem disse que só posso ouvi-lo duas vezes??, disse Serraglio. Está marcado para hoje o depoimento do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira e para esta amanhã o de Delúbio Soares. Tanto a oposição quanto o relator vão tentar fazer ligação entre o dinheiro repassado por Valério ao PT e os contratos do publicitário feitos com órgãos públicos. O ex-tesoureiro e Valério tentaram restringir as acusações a um crime eleitoral, confessando a existência de um caixa dois nas campanhas petistas. ?Não está muito fácil de engolir essa versão?, disse Serraglio. Um dos indícios que enfraqueceriam a manobra é o fato de Valério ter dado como garantia em um empréstimo de R$ 15,9 milhões no banco BMG o contrato de publicidade que tem nos Correios. ?A garantia é o patrimônio público. O Marcos Valério fez a ponte entre os cofres públicos e o cofre do PT?, disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), defendeu ontem que o empresário Marcos Valério, apontado como um dos operadores do ?mensalão?, deponha novamente na próxima quinta-feira. O novo depoimento serviria para que os integrantes da comissão perguntassem a Valério qual é a real explicação para os empréstimos feitos a pedido do PT. Na primeira audiência em que falou à CPI, Valério teria dito que seria apenas um empréstimo do qual teria participado como avalista. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, na semana passada, ele revelou que seriam vários empréstimos. Seriam essas as fontes dos recursos que foram sacados na agência do Banco Rural de Brasília. ### Valério: Dirceu sabia de empréstimos A secretaria da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Correios já recebeu as cópias dos depoimentos de Delúbio Soares e de Sílvio Pereira ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Na semana passada, o presidente da CPI, Delcídio Amaral (PT-MS) esteve com o procurador da República, Antonio Fernando de Souza, e revelou que os dois confirmaram o esquema de empréstimos em favor do PT. Outro parlamentar que esteve com o procurador, disse que os nomes indicados por Delúbio como sendo os sacadores dos recursos dos empréstimos eram, em sua maioria, assessores do PT. Depoimento O empresário Marcos Valério, dono das agências de publicidade SMP&B e DNA Propaganda, teria dito em depoimento na Procuradoria Geral da República que o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira tinham conhecimento dos empréstimos feitos a pedido do ex-tesoureiro Delúbio Soares. Marcos Valério informou ainda, sem informar a data e o valor, que repassou dinheiro durante a campanha eleitoral para os deputados Carlos Rodrigues (PL-RJ) e Roberto Jefferson (PTB-RJ), confirmando a versão deste de que tinha recebido um total de R$ 4 milhões de Marcos Valério para campanhas de candidatos trabalhistas nas eleições municipais de 2004. Autorização O publicitário Marcos Valério informou ainda ao procurador da República, Antonio Fernando de Souza, que fez cinco empréstimos no BMG e no Banco Rural, a pedido de Delúbio Soares, totalizando R$ 39 milhões, cujos valores corrigidos representam atualmente uma dívida de R$ 93 milhões. No depoimento, Marcos Valério deu o nome de 12 pessoas que teriam autorização para receber recursos para financiar campanhas de candidatos petistas e aliados. Desta lista, integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito identificaram apenas o nome Anita Leocádia da Costa, assessora do líder do PT e presidente do Diretório Regional do PT no Pará, deputado Paulo Rocha. A lista foi submetida pela Procuradoria da República para o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que não reconheceu nenhum dos nomes, negando que eles tenham recebido delegação do partido para fazer os saques.