Nacional
Primeira sess�o de CPI ficou para hoje
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), adiou para hoje a primeira sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do ?Mensalão?. Ontem, numa sessão extraordinária, Renan Calheiros, instalou a CPI que terá o objetivo de apurar denúncias de que dirigentes do PT pagavam mesadas a deputados de partidos aliados para que votassem de acordo com a orientação do governo. Calheiros lamentou a falta de acordo para que todas as denúncias de corrupção fossem investigadas por uma única CPI e afirmou ter certeza de que ?quem tiver culpa, se houver culpa, pagará por ela?. A CPI do ?Mensalão?, formada por 34 congressistas, também vai investigar o suposto esquema montado em 1997, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, para a compra de votos para garantir a aprovação da emenda constitucional da reeleição. Sobre a necessidade de instalação de tantas CPIs no Congresso, Calheiros afirmou que ?a história não perdoa omissões e nem a sociedade absolve tentativas de acobertamento?. ?Aqui não se farão blindagens. As denúncias e a multiplicidade delas são de extrema gravidade e a sociedade exige esclarecimentos?, afirmou. Intercâmbio Ao voltar a defender sua posição a favor da unificação das investigações, Calheiros afirmou que os trabalhos das CPIs poderão convergir em determinado momento, dadas as coincidências dos personagens citados. ?Por isso, faço um apelo aos integrantes das duas comissões [Correios e ?Mensalão?], a seus presidentes e relatores, no objetivo da racionalidade, eficiência e agilidade das investigações, vamos promover um permanente intercâmbio de informações, de depoimentos e até, se oportuno for, vamos inovar e fazer, respeitando o objeto de cada uma das comissões, sessões conjuntas para agilizar a investigação e evitar sobreposições e redundâncias?, afirmou. Segundo Calheiros, ?ninguém está autorizado a confundir o Congresso com uma funilaria?, afirmou o presidente do Senado. Na opinião de Renan Calheiros, as denúncias e a quantidade delas são de extrema gravidade e esta é a razão de a sociedade exigir tanto os esclarecimentos. ?Tenho convicção de que o Congresso Nacional, que nunca se negou a combater a corrupção, dentro ou fora de seu corpo, não hesitará. Se houver parlamentares que rebaixaram seus mandatos e suas consciências em troca de subvenções ilegítimas, se houver, e contra eles forem produzidas provas, eles deverão ser punidos emblematicamente, estejam onde estiverem, em qualquer legenda, em qualquer Estado?, afirmou. Sem acordo Devido à falta de acordo sobre os parlamentares que vão assumir a presidência e a relatoria da CPI do Mensalão, foi adiado para hoje, às 11h, o início dos trabalhos da comissão. O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), prometeu discutir com as bancadas da base de apoio a proposta da oposição, que quer indicar o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) para presidente da CPI. O líder do PSB, deputado Renato Casagrande (ES), disse que, se não houver acordo, os parlamentares vão decidir na votação, como ocorreu na CPI dos Correios.