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Executiva do PT mant�m Del�bio Soares

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Cátia Seabra Fábio Victor Flávia Marreiro Folhapress Na véspera do depoimento de Delúbio Soares à CPI dos Correios, o Campo Majoritário do PT rejeitou a proposta de suspensão do tesoureiro licenciado do partido e poupou o nome dele de críticas na resolução aprovada no encontro de sua Executiva Nacional. Segundo participantes da reunião, realizada durante todo o dia de ontem em São Paulo, integrantes da tendência que domina o PT revelaram receio de que uma retaliação neste momento pudesse interferir no humor de Delúbio em seu depoimento à comissão. A preocupação em poupá-lo foi tamanha que os representantes do Campo Majoritário pararam o encontro e se reuniram paralelamente quando o ex-ministro Ricardo Berzoini, agora secretário-geral do PT, apresentou um modelo de resolução em que atribuía os ?danos políticos à imagem do partido? à ?irresponsabilidade do ex-tesoureiro Delúbio Soares?. O texto foi rejeitado, o nome de Delúbio saiu da nota, e o partido fixou prazo de 60 dias para que uma comissão de ética julgue o caso do tesoureiro licenciado, que afirmou que todas as campanhas petistas utilizavam caixa dois. Já a proposta de suspender Delúbio durante os 60 dias em que a comissão de ética vai analisar o caso, levantada por Joaquim Soriano e Valter Pomar, da esquerda do partido, foi derrotada por 11 votos a sete. À exceção de integrantes da esquerda e do Movimento PT, de centro, o único voto favorável à suspensão foi do presidente do partido, Tarso Genro. Ele argumentou que a suspensão não significaria queimar Delúbio, mas uma garantia de isenção até que a comissão de ética analisasse a situação. Seu voto causou mal-estar na reunião. Além de Tarso e dos dois proponentes, votaram a favor da suspensão Jorge Almeida, Romênio Pereira, Marlene da Rocha e José dos Reis Garcia. O deputado Paulo Delgado (PT-MG) atacou Delúbio, mas, com direito a voto na executiva, saiu antes que fosse votado o pedido de suspensão, alegando ter um compromisso. ?Delúbio não pode criar essa zona de sombra de honestos e desonestos. Isso é bom para os que erraram?, disse. Delgado empregava em seu gabinete Raimundo Ferreira Silva Júnior, que consta da lista de sacadores de contas de empresas de Marcos Valério. ### Integrantes da Executiva criticam Lula A reunião da Executiva do PT abrigou ainda ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que a prática de caixa 2 para financiar campanhas é sistemática no Brasil. ?Estou chocado. O mais grave não é o Delúbio dizer aquilo, é o Lula confirmar. Sou do PT desde a fundação e minha tendência [O Trabalho] nunca teve candidatos beneficiados com caixa 2?, disse Markus Sokol, com direito a voz na executiva, mas não a voto. Segundo Markus Sokol o clima da reunião foi de tensão e impasse. ?Perplexos já estamos faz tempo, agora estamos é paralisados. Ficou-se procurando soluções sem encontrá-las. Parecia um bando de mariposas em torno da lâmpada.? Um dos momentos de constrangimento foi a divulgação que dois integrantes da direção do PT recebem salários do partido e do governo, por intermédio de estatais. Um é o secretário de Comunicação licenciado, Marcelo Sereno. O outro, segundo participantes do encontro, é o ex-secretário-geral do partido, Silvio Pereira. Após o ?filtro? a Delúbio , a nota emitida pela executiva ?reitera a necessidade das investigações em curso? e afirma que ?o PT não aceita a tentativa de setores da oposição que pretendem cassar o registro do partido e suspender o direito ao fundo partidário,? definida como ?uma atitude claramente antidemocrática e oportunista?. ### PT admite perder metade da bancada Consciente do estrago que a crise política provocou, lideranças do PT já admitem que sua bancada na Câmara dos Deputados deve ser reduzida à metade na eleição de 2006. A bancada de 91 deputados que foi eleita na última eleição pode cair a um número próximo de 45 no ano que vem. Os cálculos são feitos por representantes do partido, em conversas reservadas. Para tentar puxar uma bancada forte em São Paulo, que elegeu 18 dos 91 deputados atuais, o PT pressiona a ex-prefeita Marta Suplicy a disputar uma cadeira da Câmara. A expectativa é que ela receba uma votação gigantesca, o que facilitaria a eleição de outros petistas. Marta foi deputada federal entre 1994-98, quando recebeu pouco mais de 76 mil votos. Mas, na condição de ex-prefeita da cidade de São Paulo, o PT imagina que ela terá mais de 500 mil votos na disputa. Na eleição de 2002, o ex-ministro José Dirceu foi o segundo deputado mais votado no Estado de São Paulo, com 556.768 votos, perdendo apenas para Enéas Carneiro que teve o triplo da votação. No ranking petista, o segundo mais votado foi o deputado José Eduardo Cardozo, com 303 mil votos. Atualmente, ele é integrante da CPI dos Correios e está se destacando entre seus pares. Em seguida, vem o deputado Vicentinho (254 mil votos) e, em quarto lugar, João Paulo, com 196 mil votos. Até agora, Marta disputa com o senador Aloizio Mercadante e o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha, a indicação para concorrer ao governo do Estado. Entre os petistas, se Marta aceitasse sair para a Câmara, Mercadante seria o candidato ao governo estadual, já que, mesmo derrotado, voltaria ao Senado, para mais quatro anos de mandato. Até agora, o senador não apareceu entre os envolvidos nos escândalo, ao contrário de João Paulo que teve contatos com Marcos Valério e o nome de sua esposa aparece na lista de pessoas que teriam feito saques no Banco Rural. Atualmente a segunda maior bancada do PT na Câmara é a de Minas Gerais, com 11 deputados. Vem exatamente desse Estado o pivô da crise, o empresário Marcos Valério, e suas empresas, o que também deve provocar um enxugamento da bancada mineira. Abertamente os dirigentes do PT não discutem as conseqüências da crise atual no futuro eleitoral do partido. Uma fonte admitiu que a estratégia do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares não se preocupa com os desdobramentos político-eleitorais das denúncias que estão sendo investigadas, pois houve uma generalização de culpa com a revelação de um caixa 2. ### Mais de 40% acham que Lula perde mandato O instituto de pesquisas Ibope revelou ontem que 42% dos pesquisados acreditam que o presidente Luiz Inácio Lula corre o risco de perder seu mandato contra 48% que não crêem nessa possibilidade. Outros 10% não souberam dizer ou preferiram não opinar. A mais recente pesquisa do instituto foi divulgada ontem pelo ?Jornal Nacional?. Foram entrevistadas 2.002 pessoas entre os dias 14 e 18 deste mês em 143 municípios. Dessa base de entrevistados, pelo menos 72% tomaram conhecimento de quaisquer denúncias na última semana. Segundo o Ibope, 65% acreditam que o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) deve ser cassado. Jefferson foi praticamente o detonador da pior crise política vivida pelo governo federal e pelo PT em seus 25 anos. queda na aprovação Segundo os resultados da pesquisa, de março para julho, a fatia dos que aprovavam seu governo caiu de 58% para 54%, enquanto a parcela dos que desaprovam subiu de 33% para 38%. O percentual dos que consideravam seu governo entre ótimo/bom caiu de 39% para 36%, enquanto a participação das respostas ?regular? ficou estável em 40% e a fatia das respostas ruim/péssimo subiu de 17% para 24%. O dado mais dramático vem da pergunta sobre o nível de confiança no presidente. O percentual daqueles que diziam confiar no presidente caiu de 60% para 53% entre março e julho, enquanto a parcela dos que diziam não confiar ascendeu de 34% para 42%. Entre os cidadãos inquiridos pelo Ibope, uma fatia de 14% acredita que o presidente Lula está envolvido nas denúncias de corrupção. Contra seu principal acusador, o percentual para pergunta semelhante é de 65%. Quanto a imagem do presidente Lula, uma parcela de 40% dos entrevistados afirma que não mudou, enquanto para 5% melhorou muito e 12% melhorou um pouco. Em relação ao PT, para 50% não mudou, enquanto para piorou para 14%.

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