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Val�rio quer evitar ida de esposa � CPI

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Vera Magalhães Folhapress O publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza propôs um acordo à CPI dos Correios: se compromete a dar mais detalhes sobre as operações financeiras realizadas entre ele, suas empresas e o PT. Em troca, quer que a CPI desista de ouvir os depoimentos de sua mulher, Renilda Cristina, e de Simone Vasconcelos, gerente financeira da SMPB, uma de suas agências, e responsável por vários saques na agência do Banco Rural. O acordo foi proposto pelo advogado de Valério, Marcelo Leonardo, na última sexta-feira, ao presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS). A conversa se deu um dia depois de Valério se apresentar ao procurador-geral da República, Antonio Fernando, pedindo para ser beneficiado pelo instituto da delação premiada - o que não foi aceito. A proposta do advogado de Valério ainda está no âmbito extra-oficial. Delcídio conversou sobre a tentativa de acordo com vários parlamentares, mas apenas hoje, em sessão administrativa secreta da comissão, a proposta deve ser formalizada e votada. Os parlamentares da CPI se dividiam ontem sobre a conveniência de aceitar as condições apresentadas por Valério, considerado uma das testemunhas-chave da comissão. Enquanto alguns avaliavam que as novas informações prometidas pelo empresário poderiam ser importantes, outros diziam que, dada sua preocupação, os depoimentos de Simone e de Renilda se tornaram imprescindíveis. Em seus depoimentos ao Conselho de Ética da Câmara e à CPI, Fernanda Karina disse que a maioria dos saques era feita por Simone - o que agora foi confirmado - e que ela costumava viajar a Brasília com malas de dinheiro, que era entregue a pessoas indicadas por Valério em quartos de hotel. O subrelator da CPI Gustavo Fruet (PSDB-PR) é um dos que defendem que a CPI analise a possibilidade de fazer algum tipo de acordo com Valério. ?Todas as descobertas importantes em casos como este vêm por meio de delação. Foi assim, por exemplo, com a Operação Mãos Limpas. E foi assim que esse caso começou: com a delação do deputado Roberto Jefferson?, afirmou. Fruet fez uma ressalva: não havia nenhuma proposta oficial de acordo por parte de Valério ou de seus advogados. ?Vamos ter de discutir isso com calma, por enquanto não há nada de oficial?, disse. Já o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) considera que não é papel da CPI fazer acordos com qualquer dos envolvidos que implique em restrições das investigações. ?Em matéria de CPI não se pode fazer acordo. É nosso dever, nossa obrigação, tomar esses depoimentos.? Tanto a convocação de Renilda quanto a de Simone já estão aprovadas pela CPI. Na sessão administrativa de hoje, os parlamentares devem votar as datas para que as duas sejam ouvidas. ACM Neto vai propor que os dois depoimentos sejam tomados na próxima semana. ### Supremo Tribunal bloqueia conta de mulher de Valério O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Nelson Jobim, determinou ontem o bloqueio das contas bancárias da mulher do publicitário Marcos Valério Fernandes, Renilda Santiago, no momento em que ela tentava sacar R$ 1,89 milhão de uma aplicação financeira no BankBoston, em agência de Belo Horizonte. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) foi informado na terça-feira pelo BankBoston sobre a tentativa de resgate do dinheiro da conta nº 34524202, naquele banco. Ontem, em ação articulada com o Ministério da Justiça e o Banco Central, o Conselho comunicou o fato ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, que imediatamente pediu o bloqueio ao STF. Jobim tomou a decisão por volta das 15h. Souza disse que é de conhecimento público que ?há suspeita sobre a origem dos recursos movimentados? por Marcos Valério, as empresas de que é sócio e a mulher dele. Jobim acolheu o pedido, ?diante da relevância da questão?. A decisão coube ao STF porque desde ontem está sob a responsabilidade desse tribunal a condução do inquérito policial que investiga o mensalão. O juiz da 4ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais, Jorge Macedo Costa, entregou os autos do inquérito a Jobim, por causa dos indícios de envolvimento de deputados, que têm foro privilegiado no STF. Renilda é sócia majoritária da Graffiti Participações. É por meio dessa empresa que ela e Marcos Valério controlam as agências de publicidade DNA e SMPB, que mantêm contratos com a administração pública. Valério e Renilda prestam declaração conjunta de Imposto de Renda, mas a maior parte dos bens do casal está em nome de Renilda. De acordo com a declaração de renda que o casal apresentou à Receita em 2004, referente a 2003, Renilda era titular de aplicações no valor de R$ 1,508 milhão no BankBoston naquele ano. O advogado Marcelo Leonardo disse ontem que não houve tentativa de saque em dinheiro por parte de sua cliente, mas sim uma transferência bancária devido a ?problema? que teria sido criado pelo BankBoston. Adiado O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), informou ontem que foi adiado para a próxima semana, em data a ser confirmada, o segundo depoimento do publicitário Marcos Valério. Delcidio afirmou que o depoimento foi adiado devido à necessidade de uma reunião interna da CPI.

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