Nacional
CPI quer fazer dilig�ncias em bancos
Os parlamentares da CPI dos Correios querem mais agilidade no recebimento de documentos relativos à quebra de sigilo bancário e não descartam a possibilidade de solicitar ao Banco Central a criação de uma força-tarefa para fazer diligências ao Banco do Brasil e ao Banco Rural, com apoio da Polícia Federal. ?Todos sabemos o que precisamos. Só o Banco do Brasil e o Banco Rural não sabem. E me parece que há uma certa confusão deliberada, ou seja, mandam os documentos, mas sem uma informação. Uma coisa não encaixa com a outra e a resposta para isso é diligência de busca e apreensão?, afirma o deputado Eduardo Paes (PSB-RJ), integrante da CPI. Segundo Paes ?é inadmissível que a CPI mista tenha seus trabalhos retardados em razão dessa demora?, disse. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse ter esperança que com a pressão pela entrega dos documentos eles cheguem no máximo até hoje. ?Acredito que alguns dados faltarão?, afirma. Sem respostas O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), também integrante da CPI dos Correios, disse que a comissão quer respostas para as movimentações financeiras do empresário Marcos Valério, sua mulher, Renilda Santiago e das empresas em que ambos são sócios, a CPI. ?Até o momento, temos duas perguntas a serem respondidas: saber a origem dos recursos depositados nas contas e as prestações de serviços pelas agências de Valério a empresas que não quiseram declarar as doações para campanha; e saber qual foi o destino dos recursos, quem efetuou os saques?, acrescentou Fruet, após deixar a chamada ?sala do cofre?, onde a CPI mantém os documentos sigilosos. Ele disse ainda que aguarda a posição da Procuradoria Geral da República do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a remessa para a CPI de documentos apreendidos no Banco Rural em Belo Horizonte. ?Previamente, a informação que temos é que os faxes apreendidos em Belo Horizonte dão a indicação sobre os saques dos recursos?, afirmou. Fruet informou também que a CPI já mantinha investigações sobre a remessa de divisas feita por Marco Valério para conta no exterior. O deputado admitiu que as informações sobre a remessa do empresário já haviam sido obtidas durante a CPI do Banestado e que a confirmação do ato pode prejudicar o deputado José Mentor (PT-SP), relator da CPI, por ele não ter citado o Banco Rural, executor da operação ilícita, em seu relatório. ### STF envia possível prova do mensalão A CPI dos Correios recebe até amanhã os documentos que estão em posse do Supremo Tribunal Federal (STF) que indicariam quais os parlamentares receberam recursos do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no suposto esquema de pagamento de mesadas a deputados do PP e PL. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, disse que a documentação apreendida na agência do Banco Rural de Belo Horizonte será encaminhada à CPI dos Correios até amanhã. O relator ressaltou que, se comprovada a autenticidade do material, estará caracterizada a existência do pagamento de mesada a parlamentares. ?Essas informações que virão são pólvora pura?, afirmou o relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR). ?Passado pela perícia da Polícia Federal, será a prova material [do ?mensalão?]?, acrescentou. Esses documentos foram apreendidos pela Polícia Federal no Banco Rural em Minas Gerais e faziam parte de um inquérito da 4ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais. Como na lista de beneficiados aparecem parlamentares, que têm foro privilegiado, o processo foi enviado ao Supremo. A documentação passa por uma perícia da Polícia Federal, mas, mesmo antes de concluída a análise da veracidade dos papéis, o presidente do Supremo, Nelson Jobim, comprometeu-se a repassar as informações. CAUTELA O senador Delcidio Amaral (PT-MS), presidente da CPI dos Correios, recomendou ontem em São Paulo ?cautela e caldo de galinha? para a análise dos documentos apreendidos no Banco Rural de Belo Horizonte e que comprovariam o pagamento de mesadas a parlamentares, cujo teor estaria sendo remetido pelo STF à CPI. ?Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Não podemos fazer julgamento e vamos analisar os documentos com calma?, disse Delcidio Amaral. ### Ex-secretária diz que recebeu convite para posar nua No mesmo dia em que a revista ?Playboy? negou que negocia um cachê para que Fernanda Karina Somaggio pose nua, a própria ex-secretária do publicitário Marcos Valério de Souza disse ontem à reportagem que recebeu e já aceitou o convite da revista. Ela diz querer um cachê de R$ 2 milhões, ?para sua campanha eleitoral?. O redator-chefe da ?Playboy?, Ricardo Villela, confirmou que a revista teve a idéia do ensaio, mas que nenhuma proposta foi feita à ex-secretária de Valério, que ganhou notoriedade ao denunciar o suposto esquema de corrupção envolvendo o PT e seu ex-patrão. Karina, 32, justifica assim sua decisão: ?O fato de posar para revista é pela política. É tudo pela política. Não tenho tino artístico, mas preciso de dinheiro para minha campanha eleitoral?. Ela afirmou que seu advogado, Rui Pimenta, trata das negociações com a revista e que o valor do contrato não sairia por menos de R$ 2 milhões. ?Com esse valor daria para fazer minha campanha e pagar meu advogado?, afirmou Karina, que quer se candidatar a deputada federal em 2006. Ela diz ter sido procurada pelo PSDB. Ela afirmou que foi sondada três vezes pela revista - que nega o convite - e que só concordou porque não terá recursos para financiar sua campanha. ?Não tenho dinheiro, não estou trabalhando?, disse ela, que não sabe se vai continuar no emprego após o período de férias - que acaba hoje. ?É melhor eu bancar minha candidatura ganhando uma grana [da revista] do que ser bancada por gente que vai querer algo em troca. Quero entrar lá [no Congresso] limpa?, disse a secretária. Sobre a reação de seu marido à idéia de posa nua na ?Playboy?, ela disse ter recebido ?carta branca?: ?Ele achou maravilhoso. Acha que é uma oportunidade que poucas pessoas têm?. Ela diz ter, porém, uma preocupação: não quer fotos muito ousadas. ? Não me acho uma mulher maravilhosa.? ### Heloísa Helena diz ter sido ameaçada A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) afirmou ontem que vem sendo grampeada e recebendo ameaças de morte por sua atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios. Ela não especificou quem estaria por trás disso, mas insinuou que a intimidação vem de ?camarilhas do Palácio do Planalto?. A senadora pediu ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), para que a Polícia Federal faça um monitoramento de todas as ligações que está recebendo para identificar os culpados. Heloisa disse ainda que pessoas que cercam o presidente Luiz Inácio da Silva estariam agindo para amedrontá-la, inclusive com apoio de setores da própria Polícia Federal. ?Se alguns contatos da PF estão fazendo esse tipo de coisa clandestinamente para me ameaçar, agora vão se responsabilizar por mim, pelos meus filhos, pelo meu irmão?, afirmou acrescentando que ?se a camarilha do Palácio do Planalto acha que vai impor o medo com essas ameaças, pode tirar o cavalinho chuva porque ele vai morrer de pneumonia?, afirmou. TELEFONEMAs A senadora Heloísa Helena disse que recebeu dois telefonemas de ameaça no final de semana. ?Recebi ameaças de morte, mas não vou detalhar para não aterrorizar meus filhos?, disse. Na semana passada, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) e o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ) receberam cartas com um pó branco suspeito, que está sendo analisado pela Polícia Federal.