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CPI apura repasse de empresas � DNA

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Folhapress Brasília A CPI dos Correios revelou ontem a primeira parcial de depósitos realizados pelas empresas de telefônica Telemig Celular, Amazônia Celular e Brasil Telecom, controladas pelo banqueiro Daniel Dantas, na conta da DNA Propaganda, do publicitário Marcos Valério, no Banco do Brasil. Entre 2003 e 2005, as três empresas depositaram R$ 59,4 milhões na conta da DNA. Outra empresa, a Fiat Automóveis, depositou ao menos R$ 4,6 milhões na conta da DNA. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) considera essas operações como ?atípicas?. A assessoria de comunicação da Telemig Celular e Amazônia Celular informou que todos os depósitos na DNA são referentes a gastos com publicidade. As empresas são clientes de Marcos Valério. A assessoria divulgou ontem um gráfico que aponta gasto das duas empresas com marketing de R$ 58,3 milhões apenas no ano de 2004. Segundo a assessoria, cerca de 90% desse valor é destinado à DNA Propaganda. Em 2003, as duas empresas gastaram R$ 45,9 milhões. Em 2002, R$ 55 milhões. As agências de publicidade não ficam com todo esse dinheiro, mas apenas uma parte, a título de comissão, que no serviço público oscila entre 10% e 15% do valor recebido. A Construtora Norberto Odebrecht aparece nos registros com pelo menos R$ 400 mil. Já a Olgivy tem um depósito nas contas da DNA de R$ 51,591 mil. As empresas Telemig Celular, Amazônia Celular, Brasil Telecom e Odebrecht Engenharia informaram ontem que fizeram pagamentos à DNA Propagandapor serviços de publicidade prestados entre 2003 e 2005. A Ogilvy Brasil, que junto com a DNA era contratada pelo Banco do Brasil, informou ter pago R$ 51.591, de setembro de 2003 a outubro de 2004, como reembolso por despesas quitadas pela empresa de Marcos Valério na prestação de serviços publicitários ao BB. Por meio de nota, a Telemig e a Amazônia Celular divulgaram possuir contratos com a DNA desde 1998 e 2001, respectivamente. A assessoria disse que pagamentos ocorrem conforme a prestação de serviços. A Odebrecht informou que começou a trabalhar com a DNA em 2002. O contrato se estendeu até 15 de junho passado. Foram pagos R$ 387 mil à DNA, informou. Devido a rescisão do contrato, a empreiteira pagou mais R$ 69 mil. A Brasil Telecom divulgou que a DNA prestou serviços em julho de 2003. A reportagem não conseguiu falar com a assessoria da Fiat Automóveis. A CPI dos Correios investiga também o suposto pagamento de pelo menos R$ 947,75 mil da DNA à Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), a partir de 2001. Independente da universidade, a Faurgs é uma entidade privada. Realiza pesquisas e estudos sob fiscalização do Ministério Público Estadual. Os repasses ocorreram em 2001 (R$ 179 mil), 2003 (R$ 512,5 mil) e 2004 (R$ 256,25 mil). Os valores dos repasses podem chegar a cerca de R$ 2,5 milhões. De acordo com o presidente da Faurgs, Nilton Rodrigues Paim, os serviços encomendados foram pesquisas de satisfação de clientes no Rio Grande do Sul solicitadas pelo Banco do Brasil, cujas contas de publicidade estavam sendo administradas pela DNA. As notas foram emitidas em nome do Banco do Brasil. ### Dinheiro poderia ir para eleição no CE O Ministério Público Federal tem indícios de que a destinação de pelo menos parte do dinheiro apreendido com o ex-dirigente do PT no Ceará José Adalberto Vieira da Silva poderia ser usado para as eleições do Diretório Estadual do partido neste ano. Segundo o procurador Márcio Torres, a suspeita surgiu porque os envolvidos são do PT e estavam envolvidos diretamente no processo de eleição. Tanto Adalberto como o ex-assessor do Banco do Nordeste do Brasil, Kennedy Moura, tido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público como o principal suspeito de ser o responsável pelo dinheiro, faziam parte da chapa do Campo Majoritário que disputaria a eleição. Adalberto foi preso no último dia 8, no aeroporto de Congonhas, quando tentava embarcar para Fortaleza com R$ 200 mil numa mala e US$ 100 mil escondida na roupa. Ele era dirigente do PT no Ceará e assessor do deputado estadual José Nobre Guimarães (PT-CE), irmão do ex-presidente nacional do PT José Genoino. Moura, que também já assessorou Guimarães, prestou depoimentos ontem à Comissão de Ética do PT e ao Ministério Público. Ele confirmou que falou com Adalberto por telefone ?antes, durante e depois? de ele ter pego o dinheiro, mas negou que tivesse qualquer envolvimento no caso. Uma das ligações foi na quinta-feira, dia 7, à noite, quando Adalberto já estaria com o dinheiro. Moura disse que em nenhum momento desconfiou que o amigo estivesse em São Paulo e que apenas conversaram sobre o partido. A primeira ligação feita por Adalberto quando se hospedou num hotel, possivelmente logo depois de ter pego o dinheiro, também foi para Moura, segundo um relatório de chamadas do hotel Quality, da avenida Faria Lima. A ligação, pelo extrato, durou quase dois minutos. O ex-assessor do BNB, porém, disse que não conseguiu identificar quem havia ligado e que só falaram ?alô, alô, não posso atender?. As investigações, até agora, apontam que o dinheiro pode ser propina, fruto do favorecimento de um consórcio, o Sistema de Transmissão Nordeste, num contrato com o BNB, de R$ 300 milhões. Moura voltou a dizer que Guimarães, então chefe de Adalberto, pediu a ele que assumisse a origem do dinheiro em uma reunião em São Paulo, dois dias depois da prisão de Adalberto. A reunião foi presenciada por dois petistas, Danilo Camargo e Francisco Rocha, que negam a fala de Moura. O delegado da PF responsável pelo caso no Ceará, José Pinto de Luna, afirmou que tem imagens do local onde aconteceu a reunião e que, na gravação, há um momento em que aparece Genoino, ao lado de Camargo. ### Comissão pode pedir prisão de Valério A CPI dos Correios deve decidir hoje, em reunião administrativa marcada para as 10h, se pede ou não a prisão preventiva do empresário Marcos Valério, acusado de ser o operador do ?mensalão?. Segundo o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS), a medida será analisada cuidadosamente pela área jurídica da CPI para evitar que a Justiça termine anulando a decisão dos parlamentares. Os integrantes da comissão também deverão discutir requerimento de convocação do ex-ministro José Dirceu, apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como o chefe do esquema do ?mensalão?. Para o relator Osmar Serraglio (PMDB-PR), o ideal é que Dirceu seja ouvido antes pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. Documentos bancários Um levantamento feito por técnicos da CPI dos Correios e apresentado aos integrantes da comissão mostraram que documentos referentes aos saques feitos das contas do empresário Marcos Valério no Banco Rural no total de R$ 11,8 milhões foram adulterados antes de chegarem ao Congresso Nacional. Os membros da comissão desconfiam que foram arrancados da documentação encaminhada à CPI os papéis que apontariam os nomes dos reais beneficiários dos saques. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que teve acesso aos documentos, afirmou que os papéis têm a marca de grampos. Portanto, haveria papéis anexados aos enviados à CPI, mas que teriam sido deliberadamente retirados. Diante disso, o presidente da CPI, Delcídio Amaral (PT-MS), adiantou que terá, hoje, uma reunião com diretores do Banco Rural para tratar do assunto. De acordo com ele, os integrantes da instituição financeira já teriam se comprometido a colaborar com as investigações. O deputado Osmar Serraglio afirmou que a CPI precisa de dados sobre a origem e o destino dos recursos depositados e sacados das contas do empresário Marcos Valério. De um lado - dos depósitos - a CPI poderia identificar quem financiaria o suposto esquema de pagamento de mesadas; por outro - dos saques - teria como apontar os beneficiados, possivelmente parlamentares, do esquema. ### Lula demonstra impaciência em evento O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma pausa na sua rotina de reuniões para receber ontem o presidente de Botsuana, Festus Mogae. Durante o almoço oferecido à comitiva no Itamaraty, entretanto, Lula não conseguiu esconder sinais de impaciência e preocupação. Depois de manter rápidos encontros no Palácio do Planalto para reuniões e assinatura de atos com a comitiva do país africano, Lula participou do almoço, que durou apenas 45 minutos. O discurso do presidente brasileiro foi curto e sem improvisos. Nada de comentários sobre a crise, elites ou exemplos de honestidade. Lula falou das relações com a África, reforma do Conselho de Segurança da ONU, a importância da estabilidade de Botsuana e o combate à epidemia da Aids. Durante a fala oficial de seu colega africano, Lula parecia estar mais preocupado com o que ocorria fora do Itamaraty. Alternou momentos em que batia com a mão na mesa, olhava para o alto, brincava com os petiscos ou se esforçava para ouvir o tradutor. O restante do almoço foi protocolar. Lula quase não conversou com Mogae, sentado ao seu lado, enquanto apreciavam o cardápio, que incluiu rolinhos de frango e mousse de maracujá. Dividiram a mesa com os presidentes o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Nelson Jobim, e a primeira-dama de Botsuana, Bárbara. Café da manhã Durante café da manhã ontem na Granja do Torto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu o apoio do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, para a votação de três propostas no Congresso: as reformas política e tributária e a Lei Geral da Micro e da Pequena Empresa. Severino prometeu ajudar o governo, mas disse que se reserva o direito de assumir uma postura de independência em relação a projetos que envolvam o interesse da sociedade. O encontro, que também teve a participação do líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), passará a repetir-se todas as semanas para discutir a agenda política do País. Durante a reunião o presidente Lula defendeu a punição dos políticos que eventualmente traíram a confiança dele, e disse que não vai compactuar com a corrupção no País. Já Chinaglia afirmou que está consciente do papel que deve exercer como líder de um governo que atravessa um grave momento de crise.

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