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Dirceu se prepara para depor na C�mara
FOLHAPREss Brasília O ex-ministro da Casa Civil e deputado José Dirceu (PT-SP) ficará em Brasília até amanhã se preparando para o depoimento ao Conselho de Ética, marcado para a próxima terça-feira, dia 2 de agosto. Dirceu esteve reunido ontem, por cerca de duas horas, em sua residência, em Brasília, com os deputados José Mentor (PT-SP), Paulo Rocha (PT-PA) e Professor Luizinho (PT-SP). Mentor e Rocha tiveram seus nomes envolvidos em saques das contas das empresas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como o operador do ?mensalão?. Na saída do encontro, os deputados afirmaram que foi apenas uma visita a um amigo e não quiseram dar mais detalhes à imprensa. Professor Luizinho disse apenas que ?José Dirceu está bem e tranqüilo?. A situação de Dirceu piorou depois que a mulher de Marcos Valério, Renilda Maria Santiago de Souza disse à CPI mista dos Correios que o ex-ministro da Casa Civil teve conhecimento dos empréstimos acertados entre Valério e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, no montante de R$ 39 milhões. Pela versão de Valério e Delúbio, os empréstimos eram feitos em nome das empresas do publicitário e depois eram repassados para o PT utilizar no financiamento de campanhas eleitorais. Em depoimento à CPI, Delúbio sustentou que ele foi o único responsável no PT pelas transações. Renilda, no entanto, sustentou que Dirceu sabia dos empréstimos. ?A única coisa que ele [Valério] me disse é que o doutor, na época ministro José Dirceu, sabia dos empréstimos. Eu perguntei como ele sabia. Ele me falou que houve uma reunião da direção do Banco Rural em Belo Horizonte com o ministro José Dirceu para resolver o pagamento desses empréstimos com o Banco Rural. E houve uma reunião em Brasília da direção do BMG, não sei onde, para acertar o pagamento das contas porque o banco também queria receber?, disse Renilda à CPI. No final da tarde da última terça, o ex-ministro divulgou nota em que nega conhecimento sobre os empréstimos mas confirma que manteve reuniões com os bancos Rural e BMG, a pedido das instituições financeiras. A CPI dos Correios marcou para a sessão da terça-feira que vem, a votação do requerimento sobre a convocação do deputado federal José Dirceu (PT-SP), ex-ministro da Casa Civil. Na mesma reunião, será discutida também a convocação do presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), e do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, que teria feito depósitos milionários nas contas do empresário Marcos Valério. Os depoimentos da funcionária da SMPB Simone Vasconcelos e do policial civil David Rodrigues Alves - apontados como responsáveis pelos maiores saques das contas das empresas de Marcos Valério, com mais de R$ 10 milhões - passaram de terça para quarta, dia 3. ### Lista repassada pelo STF frustra parlamentares A lista repassada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à CPI mista dos Correios, com nomes contidos em documentos apreendidos pela Polícia Federal em Belo Horizonte, frustrou as expectativas dos integrantes da comissão. Eles esperavam nomes de parlamentares que teriam sacado recursos das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Havia suspeitas de que a lista de parlamentares autorizados a receber recursos das contas de Valério teria mais de 120 nomes e incluiria também políticos de fora da base aliada. Parte da lista vazou pelos mãos de um deputado e contém nomes de assessores e de pessoas desconhecidas. Quatro deputados da oposição - Rodrigo Maia (PFL-RJ), Eduardo Paes (PSDB-RJ) e Ônyx Lorenzoni (PFL-RS) - que tiveram acesso a lista, se disseram decepcionados com as informações. ?Não tem nada de novo. Na verdade, eu não esperava uma surpresa.? banco rural Após reunir-se com representantes do Banco Rural, o presidente da CPI dos Correios, senador Delcidio Amaral (PT-MS), anunciou que na próxima semana concluírá o levantamento da origem e do destino do dinheiro que passou pelas contas do empresário Marcos Valério. O parlamentar disse que entendeu os argumentos apresentados pelo banco para justificar o atraso no envio dos documentos e atribuiu eventuais problemas na comunicação entre a instituição e a CPI a ?conceitos diferentes sobre a quebra de sigilo?. O Banco Rural colocou dois técnicos e um representante institucional à disposição da comissão para ajudar na análise dos documentos. Delcidio Amaral também se reuniu ontem com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Eles acertaram que, após a conclusão das investigações da CPI, o BC vai ceder alguns de seus técnicos para ajudar a comissão a elaborar sugestões de melhoria no funcionamento do sistema financeiro. O ex-ministro da Justiça José Carlos Dias representou o Banco Rural na reunião com a CPI. Ele afirmou que os problemas ocorreram por conta do grande volume de papéis, que chegam a 25 mil e, antes da comissão, passaram pela Justiça Federal em Minas Gerais e pelo STF.