Nacional
CPI aprova pris�o preventiva de Val�rio
Brasília - Por 19 votos a um, a CPI dos Correios aprovou ontem o pedido de prisão preventiva e bloqueio dos bens do publicitário Marcos Valério, suspeito de ser o operador do mensalão. Segundo os parlamentares, a prisão preventiva é importante para impedir que Valério destrua provas de irregularidades cometidas por suas empresas e para proteger a vida do publicitário. Como a CPI não tem poderes para determinar a prisão de ninguém, a não ser em casos de flagrante, cabe agora ao Ministério Público decidir se formaliza o pedido à Justiça. O pedido de prisão será enviado hoje ao Ministério Público Federal. O único voto contrário foi do deputado Nelson Meurer (PP-PR), segundo quem Valério tem colaborado com a Justiça e prestado seus depoimentos, além de possuir residência fixa em Belo Horizonte. Também foi aprovada pela CPI a ampliação da quebra dos sigilos de todas as empresas de Valério e de sua mulher, Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza desde 1997. Antes, as informações sobre os dados sigilosos eram somente até 2000. A comissão aprovou ainda a quebra do sigilo de Valério e de suas empresas no Banco de Brasília (BRB) desde 2003. Na terça-feira, uma gravação telefônica feita pela polícia - com autorização da Justiça - trouxe novos indícios sobre a destruição de provas. São ligações telefônicas entre o contador Marco Aurélio Prata, que presta serviço a Valério, e o irmão dele, o policial civil aposentado Marco Túlio Prata Neto, conhecido como Pratinha. No último dia 14, a Polícia Civil de Minas Gerais apreendeu na casa do policial aposentado 12 caixas com mais de 2.000 notas fiscais da empresa DNA Propaganda, da qual o publicitário é sócio, na casa do irmão de seu contador. As notas de prestação de serviços - muitas emitidas em nomes de bancos no período de 1998 a 2004, segundo o promotor Leonardo Barbabela - seriam queimadas. Em nota divulgada ontem, Marcos Valério afirma não conhecer Marco Túlio Prata e nada ter a ver com a conversa telefônica entre Pratinha e o irmão dele, Marco Aurélio. No texto, Valério argumenta que não é o único responsável pelas empresas SMP&B Comunicação e da DNA Propaganda. Ele ressalta que em cada cheque emitido pelas agências devem constar as assinaturas de, pelo menos, dois sócios e eventuais questionamentos também devem ser feitos aos demais sócios. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) disse que a votação perdeu um pouco da força. Segundo ele, se a votação tivesse ocorrido na ocasião em que o requerimento foi proposto, há cerca de dez dias, teria evitado o encontro entre Valério e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, em Belo Horizonte. Dias depois do encontro, o publicitário e o ex-dirigente petista prestaram depoimentos semelhantes à Procuradoria-Geral da República. Pela versão dos dois, os saques eram fruto de um empréstimo tomado pelas empresas de Valério para para quitar dívidas do PT.