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Sepultamento de brasileiro ser� hoje

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| FOLHAPRESS O corpo do brasileiro Jean Charles de Menezes, 27, morto em Londres no último dia 22, chegou por volta das 13h de ontem em Gonzaga (MG), onde será velado e enterrado hoje às 15h. Muitas pessoas aguardavam a chegada do corpo. Enrolado na bandeira brasileira, o caixão com o corpo do mineiro foi recebido com emoção, ao som do Hino Nacional, em sua cidade natal, ao leste do Estado. Ao ver o caixão, no alto do carro do Corpo de Bombeiros e coberto com a bandeira do Brasil, os moradores de Gonzaga soltaram balões nas cores nacionais. Os pais, que chegaram cedo à Igreja da Matriz,onde é realizado o velório, receberam o corpo do filho com desolação. Em Gonzaga, ontem foi ponto facultativo e hoje, dia do enterro, será feriado. Faixas nas cores da bandeira do Brasil e outras com mensagens de solidariedade estão espalhadas pela cidade. Muitos comerciantes devem permanecer com as portas fechadas, em sinal de luto, segundo informações da prefeitura. Nesta sexta-feira, às 13h, será realizada a missa de corpo presente e, às 15h, o corpo do eletricista será enterrado no cemitério da cidade. O secretário-nacional dos Direitos Humanos, Mário Mamede, representa o presidente Lula no funeral. O velório está sendo realizado na Igreja Matriz de São Sebastião e policiais militares - alguns de Governador Valadares, cidade vizinha - foram acionados para organizar a movimentação durante o velório, pois há a expectativa de que centenas de pessoas passem pelo local. Corpo de bombeiros O corpo de Menezes chegou ao Brasil na manhã de ontem, em um avião da Varig que pousou às 6h25 no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica (Guarulhos). Cerca de duas horas depois, foi transferido para um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e seguiu para Governador Valadares. Da cidade, o corpo foi transportado para Gonzaga em um carro do Corpo de Bombeiros. Parentes e amigos do brasileiro acompanharam o trajeto, de aproximadamente 90 km. Morte em Londres O eletricista levou oito tiros da polícia britânica - sete na cabeça e um no ombro - após ter sido interceptado por policiais britânicos à paisana na estação de metrô de Stockwell. Segundo testemunhas, ele teria corrido dos policiais ao receber a ordem de prisão. Um inquérito sobre a morte do brasileiro foi aberto pela Comissão Independente de Reclamações contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), para investigar a ação da polícia britânica neste caso. ### Cardeal inglês celebra missa por brasileiro O líder da Igreja Católica no Reino Unido, cardeal Cormac Murphy-O?Connor, arcebispo de Westminster, vai celebrar a missa em memória do brasileiro Jean Charles de Menezes, 27, morto no último dia 22 por policiais britânicos ao ser confundido com um terrorista numa estação de metrô londrina. A cerimônia será hoje. A missa será realizada às 19h (15h no horário de Brasília), coincidindo com o horário do funeral do eletricista brasileiro, que será realizado também hoje, na cidade de Gonzaga, no Estado de Minas Gerais. O corpo está sendo velado na Igreja Matriz de São Sebastião. ?A comunidade católica brasileira está triste e em sofrimento [pela morte de Menezes], e o cardeal sentiu que era importante acompanhar o funeral??, afirma um comunicado divulgado pela igreja. O cardeal Murphy-O?Connor vai interromper uma peregrinação que faz em Lourdes, na França, para participar da missa. Antes da missa, às 17h30 (13h30 de Brasília), amigos e parentes de Menezes que ficaram em Londres vão organizar uma vigília em frente ao Parlamento britânico. Na quarta-feira passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para a família de Menezes em Gonzaga, e falou com o pai do brasileiro, Matosinhos Otoni da Silva, e com o irmão, Giovani da Silva. Lula apresentou ?suas condolências? à família de Menezes. ### Britânico sugere que visto era falso O brasileiro Jean Charles de Menezes, morto em Londres por policiais britânicos na última sexta-feira, poderia estar com o visto de permanência na Inglaterra expirado há mais de dois anos e o visto que havia em seu passaporte poderia ser falso, sugere nota divulgada pelo Ministério do Interior britânico. De acordo com a nota, o ministério viu uma cópia do passaporte do brasileiro que continha um carimbo ?aparentemente dando a ele? um visto de permanência indefinida no Reino Unido. Após investigação, no entanto, o ministério diz que ?o carimbo não estava em uso no Diretório de Imigração e Nacionalidade na data? que consta no passaporte de Menezes. O brasileiro teria chegado ao Reino Unido em 13 de março de 2002, segundo o documento, e teria recebido um visto de visitante com validade de seis meses. Já na Inglaterra, ele teria requerido um visto para permanecer no país como estudante. A permanência foi então aprovada em 31 de outubro de 2002, com garantia de permanência até 30 de junho de 2003. ?Não há registro de novos requerimentos por parte de Menezes?, diz a nota. Não justifica Em nota divulgada ontem, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirma que o governo brasileiro entende que o fato de o brasileiro Jean Charles de Menezes ter ou não o visto de imigrante regularizado na Grã-Bretanha ?não muda a responsabilidade das autoridades britânicas pela morte trágica de um cidadão brasileiro inocente e pacífico?. Eis a nota do Ministério: ?O Ministro Celso Amorim recebeu carta do Secretário do Exterior britânico Jack Straw, pela qual este indica haver dúvidas sobre as condições imigratórias do Sr. Jean Charles de Menezes no Reino Unido. Essa informação contraria as indicações que haviam sido recebidas até então das autoridades britânicas. Sem entrar no mérito dessa última informação, é entendimento do governo brasileiro que em nada se altera a responsabilidade das autoridades britânicas pela morte trágica de um cidadão brasileiro inocente e pacífico. Não deve, portanto, ter qualquer influência sobre as investigações conduzidas a respeito da tragédia ou sobre as medidas que o governo britânico deverá tomar como reparação à família do Sr. Jean Charles de Menezes, as quais continuarão a ser acompanhadas atentamente pelo governo brasileiro?.

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