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Ministro vai cobrar apura��o de morte

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Folhapress O corpo do eletricista Jean Charles de Menezes, 27, morto pela polícia britânica no último dia 22, foi enterrado na tarde de ontem no cemitério de Gonzaga, em Minas Gerais. A cerimônia começou por volta das 15h. Familiares, amigos e moradores da cidade acompanharam o cortejo. Segundo estimativas da Polícia Militar, mais de 10 mil pessoas passaram pelo velório, que durou cerca de 24 horas e foi realizado na igreja matriz da cidade. O número é maior que o de moradores - cerca de 6.000, de acordo com registros. Moradores de cidades próximas também participaram das homenagens. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou que irá cobrar resultados da investigação acerca da morte do eletricista Jean Charles. Ele compareceu ontem ao enterro como representante do governo federal. O ministro das Comunicações foi acompanhado do senador Marcelo Crivella (PL), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Emigração Ilegal. A Prefeitura de Gonzaga decretou feriado ontem. Faixas com mensagens contra a Inglaterra e de solidariedade à família foram espalhadas pela cidade. Policiais militares - alguns de Governador Valadares, cidade vizinha - foram acionados para organizar a movimentação durante o velório e o enterro. Investigação Menezes foi baleado após ser confundido pela polícia britânica com um terrorista. Ele levou oito tiros da polícia britânica -sete na cabeça e um no ombro-após ter sido interceptado por policiais britânicos à paisana em Stockwell. Segundo testemunhas, ele teria corrido dos policiais. O presidente da Comissão Independente de Informações sobre a Polícia britânica, Nick Hardwick, que investiga as circunstâncias da morte do brasileiro criticou duramente ontem a atitude do Ministério do Interior do Reino Unido que, há dois dias, divulgou que o eletricista vivia ilegalmente em Londres. Pare ele, a situação de Jean em relação à imigração não é relevante para as investigações. ?Não acreditamos que o status imigratório do sr. Menezes tenha algo a ver com o que aconteceu com ele. É contraproducente que as pessoas divulguem informações parciais?, disse Hardwick. Em um recado duro ao governo britânico, afirmou que as pessoas deveriam ?se calar e parar de especular sobre o assunto?, dizendo que só será possível ter um retrato válido do que ocorreu quando a comissão concluir seu trabalho. Disse que muitos que estão fazendo especulações se sentirão ?tolos? quando a verdade vier à tona. ?Eles não deveriam ter divulgado essa informação, porque quero que as pessoas tenham certeza de que vamos tocar essa investigação independentemente do que o Ministério do Interior diga, do que a polícia diga. Sou o responsável por essa investigação e não acreditarei que nada é verdadeiro até que meus investigadores digam que têm a foto completa.? Essa foto completa, porém, só deve estar pronta em alguns meses, diz Hardwick, que esteve ontem na estação de metrô de Stockwell - onde Jean foi morto - para fazer apelo a possíveis testemunhas. Foram distribuídos 5.000 panfletos, e um número de telefone foi divulgado. Hardwick quer falar com o máximo de pessoas possível. Disse a jornalistas que já assistiu às imagens gravadas por câmeras do circuito interno da estação. É provável, pois, que já tenha informações sobre as quais se tem especulado, como, por exemplo, se Jean teria mesmo corrido. Mas o presidente da comissão, que já dirigiu uma ONG de Direitos Humanos, não deu garantias de que a família terá acesso a essas informações antes de terminada a apuração.

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