Nacional
Val�rio empregou ex-mulher de Dirceu
| Folhapress Brasília Ex-mulher do deputado José Dirceu (PT-SP), a psicóloga Maria Ângela Saragoça foi contratada, em novembro de 2003, pelo Banco de Minas Gerais (BMG) em sua agência de São Paulo. Um mês depois, ela obteve um empréstimo do Banco Rural para a compra de um apartamento na zona oeste. O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser o operador do suposto ?mensalão, intermediou os contatos entre a ex-mulher de Dirceu e as duas instituições financeiras -Valério também foi avalista de pelo menos dois empréstimos obtidos pelo PT nos dois bancos. Ângela, que se separou de Dirceu em 1990, afirma ter sido apresentada a Valério em setembro de 2003 pelo ex-dirigente petista Silvio Pereira, de quem ela diz ser amiga. A ex-mulher de Dirceu alega que ele não se envolveu nos contatos feitos com o empresário. O deputado do PT e ex-chefe da Casa Civil não quis falar sobre o assunto ontem. Sua assessoria de imprensa disse que ele comentaria o caso hoje, se questionado, no seu depoimento à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. Advogado do BMG, Sérgio Bermudes afirmou que Valério indicou o nome da ex-mulher do deputado petista, então ministro da Casa Civil, diretamente ao presidente do banco, Flávio Guimarães. ?A indicação foi feita quando ele [Valério] estava em negociação com o banco?, afirmou Bermudes. Depois de ter tido o nome sugerido, Ângela ?passou por um processo de seleção normal?, de acordo com o advogado. Questionado se o BMG sabia que Ângela era ex-mulher do então ministro da Casa Civil, Bermudes disse ser ?bem possível?. Ângela começou a trabalhar no departamento de recursos humanos do BMG em 3 de novembro de 2003, em regime de meio expediente, com salário de R$ 3.265. Em 18 de dezembro do mesmo ano, a ex-mulher de Dirceu fechou um contrato de financiamento imobiliário no valor de R$ 42 mil na agência do Banco Rural de São Paulo. O dinheiro foi usado para a compra de um apartamento no Sumaré, bairro de classe média da zona oeste de São Paulo -o valor de mercado do imóvel, atualmente, é de cerca de R$ 200 mil. Para completar a compra, Ângela diz ter usado o dinheiro da venda de seu antigo apartamento. Quem o comprou foi Rogério Tolentino, advogado e sócio de Valério, atendendo a um pedido do petista Ivan Guimarães, ex-presidente do Banco Popular do Brasil. O negócio foi fechado em novembro de 2003 - um mês antes de Ângela comprar o novo imóvel. O valor que a ex-mulher de Dirceu recebeu, naquela época, foi de cerca de R$ 105 mil, segundo a assessoria de imprensa do empresário Marcos Valério. Ângela diz ter usado ainda o dinheiro da venda de um carro para comprar o novo apartamento. Para bancar os custos da escritura, disse ter recorrido a outro empréstimo, no Banco do Brasil. ### Gerente da SMP&B entrega nomes de quem fez saques Simone Vasconcelos, gerente financeira da SMP&B, empresa de Marcos Valério, prestou depoimento ontem na sede da Polícia Federal em Brasília. De acordo com informações da própria Simone em seu depoimento, ela é responsável por ter sacado mais de R$ 7 milhões das contas de Valério no Banco Rural. Ela confirmou que fez repasses de dinheiro do empresário Marcos Valério para várias pessoas, inclusive assessores de parlamentares. Simone também entregou uma lista com nomes dos beneficiados dos saques. Ela confirmou que o nome do deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ) faz parte da lista. Neste fim de semana, por intermédio da assessoria de Valério, Simone confirmou ter autorizado Roberto Marques, assessor informal e amigo do deputado José Dirceu (PT-SP), a sacar R$ 50 mil da conta da SMP&B, mas ontem a informação não foi confirmada. Ela teria dito que não sabia de quem se tratava e que o dinheiro era fruto de empréstimo do PT para os partidos da base aliada e o esquema funcionava sob as ordem de Valério e de outro sócio dele. ?A tese é do empréstimo de partido para partido via Banco Rural, que entregava para o PT ou para quem o PT indicava. É a mesma tese do Marcos Valério?, afirmou a procuradora Raquel Branquinho, que acompanha as investigações. O depoimento de Simone na CPI dos Correios está marcado para amanhã. Ele vai ocorrer no momento em que Valério estaria aumentando a pressão sobre o governo com ameaças de comprovar que Dirceu sabia dos empréstimos feitos por suas agências para financiar o PT. O empresário pediu nova audiência ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, que pretende discutir com os outros procuradores que investigam o caso a conveniência de mais um depoimento. A defesa de Marcos Valério voltou a propor a delação premiada -mecanismo pelo qual um réu diz o que sabe em troca de um alívio na pena. Para integrantes da CPI dos Correios, se não contar a quem entregava o dinheiro, Simone pode ser processada por crime de sonegação fiscal. Simone, por exemplo, entregou malas no Banco Rural e um pacote com dinheiro no hotel Gran Bittar ao assessor parlamentar do PP, João Cláudio Genu, que confessou na PF ter feito o serviço a pedido dos deputados José Janene (PP-PR), Pedro Corrêa (PP-PE) e Pedro Henry (PP-MT).