Nacional
Parlamentares acreditam que haver� efeito cascata
Folhapress Brasília Tanto na Câmara quanto no Senado, os parlamentares avaliam que haverá um efeito cascata e outros políticos da base aliada envolvidos na denúncias do mensalão devem renunciar nos próximos dias. ?Espero que outros sigam o caminho, porque assim facilitaria as coisas para o Congresso?, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP). ?O deputado Valdemar toma uma atitude corajosa, é uma decisão que outros parlamentares deveriam tomar. O deputado assumiu a sua responsabilidade e renunciou, num gesto que deve ser seguido por outros parlamentares?, disse o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ). O líder das minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), disse que Costa Neto foi ?vítima e cúmplice? de um esquema de corrupção arquitetado pelo PT. ?O erro do Valdemar, e que todos eles cometeram, foi se envolver no esquema que o PT montou. Tornaram-se vítimas e cúmplices do maior esquema de corrupção da história do Brasil, montado dentro do Palácio do Planalto.? Já o vice-presidente da CPI do Mensalão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), disse ter sido surpreendido pela notícia da renúncia. ?Fui tomado de surpresa, mas em princípio me pareceu uma atitude precipitada?, disse. Para o secretário-geral do PTB, deputado Luiz Antonio Fleury Filho (SP), a saída de Costa Neto ?foi o sinal mais claro de que não existe nem haverá acordo? com Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias do ?mensalão?, que evitaria cassações em massa na Casa. ?A renúncia não muda nada, os fatos têm de ser apurados?, completou. O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), disse reconhecer ?coragem e a bravura? no ato de deputado do PL. ?Não deixo de louvar a coragem e a bravura quando ele assumiu a responsabilidade de um ato. Ele disse que errou, mas não poderia jogar sobre seus companheiros a responsabilidade.? No Senado, a oposição recebeu como ?confissão de culpa? e ?prova do mensalão? a renúncia do deputado Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. ?É uma confissão e é a primeira de uma série. Virão outras renúncias e algumas serão chocantes. É uma estratégia de anistia para tentar uma nova eleição e por si só comprova a existência do mensalão?, disse o líder tucano Arthur Virgílio (AM). Para o senador José Agripino (RN), líder do PFL, o efeito dominó acontece pela mágoa gerada pelo PT entre os aliados. ?A atitude de Valdemar demonstrou uma mágoa muito grande com o PT?. O senador Sibá Machado (PT-AC) também concordou que haverá mais baixas de mandatos para evitar cassações, mas tirou da lista os deputados petistas na lista de sacadores das empresas de Marcos Valério. A exceção seria João Paulo Cunha (PT-SP). ?Do deputado João Paulo, há essa disposição de renúncia. Já Dirceu fica no cargo até o final?, disse. Para a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), a confissão de Valdemar foi apenas ligada a verbas irregulares de campanha e é muito cedo para tirar conclusões sobre o suposto ?mensalão?. Os erros do PT e do governo foram criticados duramente ao longo do dia. Pela manhã o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) havia negado a possibilidade de qualquer ?acordão? para poupar políticos e atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?Lembro que o presidente usou uma expressão que agora merece resposta. Disse que os brasileiros deveriam sacudir o traseiro e trabalhar. Pois é ele que deve retornar seu traseiro ao trabalho, que é o melhor que ficar viajando e criando problemas para o País?, disse Bornhausen.