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Marcos Val�rio entrega novos nomes

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| Ana Paula Ribeiro Folhapress Brasília - Depois de quase sete horas prestando depoimento na Procuradoria-Geral da República, o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza confirmou na noite de ontem que entregou uma nova lista de pessoas que fizeram saques nas contas de suas empresas. Segundo o publicitário, a relação tem novos nomes que não constam no documento entregue por Simone Vasconcelos, funcionária da SMPB, ontem à Polícia Federal. Aparentando tranqüilidade, Valério confirmou que viajou com Emerson Palmieri, tesoureiro informal do PTB, para Portugal para conversar com a Portugal Telecom, mas não foi para tratar de ajuda financeira. Segundo o publicitário, a empresa estaria interessada em comprar a Telemig Celular, cujas contas de publicidade eram coordenadas pela SMP&B e DNA, empresas de Valério. Segundo ele, Palmieri foi para Portugal porque estava ?muita estressado?. Na sessão de ontem do Conselho de Ética, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) disse que o ex-ministro José Dirceu enviou ?emissários? a Portugal para tratar com a empresa um eventual patrocínio para quitar dívidas do PT e do PTB. A empresa nega. Valério confirmou que o valor total do empréstimo que fez ao PT é de R$ 55 milhões e espera negociar uma forma de reaver o dinheiro. Indagado sobre sua relação com a legenda, Valério disse : ?Não me sinto confortável?. O publicitário confirmou que esteve duas vezes com Dirceu na Casa Civil, mas não tratou de assuntos relacionadas a empréstimos. Marcos Valério disse também que o presidente Lula não sabia dessas operações. ?Eu não gostaria de fazer uma afirmação dessas, é muito sério para o País, não dá para levar na leviandade. Acredito que não tem nenhum conhecimento em relação a esses empréstimos. Eu não conversei com o presidente Lula. Eu não tive nehum contato. Eu tenho que reportar o que eu vi, o que eu presenciei.? Valério prestou depoimento à procuradora da República Raquel Branquinho, ao procurador Regional da República da 1ª Região Alexandre Spinosa, e à sub-procuradora-geral da República, Cláudia Sampaio. Ao chegar, por volta das 14h, disse que entregaria o seu passaporte e novos documentos. Com a entrega do passaporte, Valério pretende reduzir o risco da decretação de sua prisão preventiva. A possibilidade de fuga do País é uma das razões previstas em lei para esse tipo de prisão (antes da sentença condenatória). ### Duda Mendonça teria sacado R$ 15 mi Em depoimento na Polícia Federal na última segunda-feira, a diretora financeira da SMP&B Propaganda, Simone Vasconcelos, contou que tinha ?verdadeiro pavor? de sair do Banco Rural com grandes quantias em dinheiro e, por isso, teria solicitado certa vez um carro-forte para transportar R$ 650 mil até o prédio da Confederação Nacional do Comércio (CNC), onde funcionava a filial da SMP&B em Brasília. No hall do prédio mesmo, parte desses recursos teria sido entregue a José Luiz Alves, ex-assessor do Ministério dos Transportes ligado ao PL, e a Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL. Ela confirmou ainda ter entregue pessoalmente dinheiro para Jair dos Santos e o ex-presidente da Eletronorte Emerson Palmieri, ambos ligados ao PTB; Pedro Fonseca, ligado ao PT nacional; João Carlos de Carvalho Genu, assessor do líder do PP, José Janene (PR); e Roberto Costa Pinho, ex-assessor do Ministério da Cultura. A gerente administrativa revelou ainda a conexão do publicitário Duda Mendonça com o esquema de saques montado por Marcos Valério. De acordo com Simone, seguindo orientação de Zilmar Fernandes da Silveira, sócia de Duda, a SMP&B autorizava o policial civil David Rodrigues Alves a sacar recursos no Banco Rural em seu lugar. Duda Mendonça teria sido beneficiado com mais de R$ 15 milhões. Em seu depoimento à PF, Simone disse que nunca entregou diretamente nenhuma quantia ao ex-deputado Valdemar Costa Neto; ao ex-presidente do PTB José Carlos Martinez; ao líder do PP, deputado José Janene (PR); ao ex-líder do PMDB deputado José Borba (PR); ao deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ); e mesmo ao advogado Aristides Junqueira. Simone lembrou, contudo, que Borba teria sido autorizado a sacar dinheiro no Banco Rural, mas como se recusou a assinar um comprovante de recebimento, ela foi obrigada a ir pessoalmente à agência bancária para assinar o referido documento e permitir o repasse ao deputado peemedebista. Entre os demais beneficiários que Simone disse não se lembrar da fisionomia estão: Antônio Lamas, ligado ao PL; Alexandre Chaves do PTB; Raimundo Ferreira da Silva Júnior e Vilmar Lacerda, ambos do PT do Distrito Federal; a dois prováveis assessores de José Borba e Bispo Rodrigues; Sinval Monteiro Melo; e Josias Gomes. Garantiu que não conhecia, nem nunca ouviu dizer nada a respeito de Roberto Marques, que seria assessor do ex-ministro José Dirceu e teria sido autorizado a receber a quantia de R$ 50 mil referente ao cheque número 414270 da empresa SMP&B. Simone Vasconcelos também não soube dizer quem teria determinado Geiza Dias, gerente financeira da empresa, a encaminhar um fax ao Banco Rural autorizando o pagamento do referido cheque a Marques e depois a Luiz Mazano. Pelo menos três vezes, Simone admitiu ter entregue o dinheiro sacado diretamente ao empresário Marcos Valério, que a aguardava no hall de entrada do Hotel Blue Tree. Mas negou que tenha participado da distribuição de dinheiro em qualquer hotel, rebatendo o depoimento da ex-secretária de Valério Fernanda Karina Somaggio. ### Envolvidos se calam ou tentam explicar saques Prefeito de Uberaba e ex-ministro dos Transportes do governo Lula (de janeiro de 2003 a abril do ano passado), Anderson Adauto não respondeu às várias solicitações da reportagem para que ele falasse sobre os saques de R$ 1 milhão nas contas da SMP&B Comunicação, de acordo com a lista apresentada pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza à Polícia Federal. Os 16 saques ocorreram entre maio de 2003 e janeiro de 2004, período em que Adauto era ministro do governo Lula. Adauto havia admitido anteriormente que fez saques entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, e disse que não via ?nenhuma irregularidade em ser ajudado para pagar dívidas de campanha?. Ciro Gomes O Ministério da Integração informou que o secretário-executivo da pasta, Márcio Lacerda, pediu para se afastar do cargo ontem. Com essa medida, Lacerda tenta poupar o ministro Ciro Gomes (Integração) do desgaste envolvendo as pessoas acusadas de participar do esquema do pagamento do ?mensalão? para partidos da base aliada. O pedido de afastamento de Lacerda ocorreu logo depois de seu nome aparecer na lista de pessoas que teria recebido dinheiro do publicitário Marcos Valério a pedido do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Ele teria recebido R$ 457 mil. Petistas O ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha (PT-SP) negou que tenha sacado ou se beneficiado de R$ 200 mil sacados das contas de Marcos Valério. O deputado, no entanto, reconheceu, em nota, que sua mulher, Márcia Regina Milanesi Cunha, sacou R$ 50 mil. Mais uma vez, ele negou-se das as explicações sobre a operação. Lideranças do PT reconhecem que a situação de João Paulo é a mais complicada dos cinco parlamentares da legenda que comprovadamente sacaram recursos das contas de Valério. Além dele, constam da lista de beneficiários da conta de Marcos Valério, Paulo Rocha (PT-PA), João Magno (PT-MG), Josias Gomes (PT-BA) e Professor Luizinho (PT-SP).

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