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Cassa��o de Dirceu e Mabel � adiada
AGÊNCIA O GLOBO Brasília O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, não vai mesmo mandar a representação que pede abertura de processo contra os deputados José Dirceu (PT-SP) e Sandro Mabel (PL-GO) agora para o Conselho de Ética. Em nota divulgada na tarde de ontem, ele culpou o presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), por ?procrastinar? o envio das representações à Mesa e avisou que mandou primeiro as representações apresentadas pelo PL contra quatro petebistas: Alex Canziani (PR), Sandro Matos (RJ), Newton Lima (SP) e Joaquim Francisco (PE), que foram candidatos a prefeito em 2004. Segundo a representação apresentada pelo PL, como o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) declarou que recebeu R$ 4 milhões do PT para campanhas eleitorais e não contabilizou esses recursos, as campanhas desses candidatos estariam sob suspeita. Depois desses quatro, Severino deve enviar as representações contra outros dois do PTB: Francisco Gonçalves e Romeu Queiroz, ambos de Minas Gerais. Segundo a representação do PL, Francisco Gonçalves teria afirmado saber da existência de malas de dinheiro no Congresso e não denunciou o fato. Já Romeu Queiroz foi denunciado pelo PL porque teria sido citado como um dos beneficiários dos saques nas contas do empresário Marcos Valério. Só depois, enviará as representações contra Dirceu e Sandro Mabel (PL-GO). Severino disse que Izar é quem tem de explicar por que demorou dois dias para enviar as representações à Mesa e que vai mandar pela ordem de chegada. Segundo o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM), os processos contra os quatro petebistas chegaram à Mesa na quarta-feira, enquanto as representações apresentadas contra Dirceu e Mabel chegaram na quinta-feira. A representação contra os dois foi apresentada no Conselho de Ética na terça, mas o Conselho só as enviou à Mesa na quinta à noite. ?O tempo quem vai dar é o presidente do Conselho. Espero que ele cumpra o regimento. O presidente Ricardo Izar levou dois dias para enviar os processos de Dirceu e Mabel?, afirmou. Indagado se poderia engavetar os processos contra Dirceu e Mabel, Severino reagiu: ?Eu não fico engavetando nada, mas também não tomo nenhuma atitude precipitada?. Izar reagiu, dizendo que a nota de Severino é injusta e afirmou que, se o presidente da Câmara quiser, pode enviar as representações contra Dirceu e Mabel que o Conselho de Ética tem condições de análisá-los. ### Aliados querem barrar relatório parcial Líderes da base aliada querem barrar o relatório parcial da CPI dos Correios que pretende propor, em dez dias, a cassação de deputados ao Conselho de Ética da Câmara. Eles desejam que a comissão se restrinja a apontar indícios de quebra de decoro parlamentar e encaminhe esses processos para a CPI do Mensalão, que terminaria as investigações. O motivo alegado é que a CPI dos Correios estaria condenando parlamentares em um rito sumário, sem direito de defesa, e ainda estaria invadindo competências da CPI do Mensalão. ?Cassação é a maior punição que um homem público pode ter. Você não pode pedir a cassação de quem quer que seja sem conceder o direito de defesa, mesmo que as provas sejam conclusivas. Não pode haver tribunal de exceção na política?, afirmou o líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Os líderes da base aliada do Senado e da Câmara dos Deputados têm reunião marcada para amanhã para discutir o assunto. Eles querem a presença dos presidentes e dos relatores das duas CPIs. Apesar da articulação, as lideranças negam que esteja em curso uma operação-abafa. ?Não queremos frear nada, mas não queremos briga entre as duas comissões. E não tem como fazer pizza, já caíram cerca de 40 pessoas no Executivo?, disse o líder do PMDB, senador Ney Suassuna (PB). O anúncio do relatório parcial foi feito na última sexta-feira pelo presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), e pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), ao lado de três subrelatores da comissão. ### Parlamentares têm chance de sobrevida O universo analisado são 18 parlamentares citados direta ou indiretamente nas investigações. Estão nesse caso os deputados José Dirceu (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), Paulo Rocha (PT-PA), João Magno (PT-MG), Professor Luizinho (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA), José Mentor (PT-SP), Romeu Queiroz (PTB-MG), Roberto Jefferson (PTB-RJ), Vadão Gomes (PP-SP), José Janene (PP-PR), Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT), José Borba (PMDB-PR), Sandro Mabel (PL-GO), Carlos Rodrigues (PL-RJ), Wanderval Santos (PL-SP) e Roberto Brant (PFL-MG). Também citado, o deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP) já renunciou ao mandato. A CPI dos Correios dividiria esses parlamentares em dois casos. Alguns seriam encaminhados diretamente para o Conselho de Ética por haver provas contra eles. Outros teriam o benefício da dúvida porque haveria apenas indícios de quebra de decoro, e seriam analisados ainda pela CPI dos Mensalão. Os critérios para o julgamento ainda não foram definidos e seriam discutidos com as lideranças políticas. O presidente e o relator da CPI dos Correios afirmaram que o espaço de defesa para os deputados seria o próprio Conselho de Ética, e não a comissão. Se a proposta dos líderes aliados for acatada esses parlamentares ganharão uma sobrevida. Assim haveria espaço, por exemplo, para negociar a renúncia de alguns dos acusados, que poderiam assim se candidatar novamente nas próximas eleições, além de sair do fogo cruzado. A base de sustentação do governo teme que a aceleração do processo de cassação leve alguns deputados, como o líder do PP, José Janene (PR), a revelar irregularidades que ainda não teriam vindo à tona.