Nacional
Aberto processo contra Dirceu e Mabel
O Conselho de Ética já nomeou os relatores dos processos dos parlamentares José Dirceu (PT-SP), que está nas mãos de Júlio Delgado (PSB-MG) e Sandro Mabel, a cargo de Benedito de Lira (PP-AL). O deputado Josias Quintal (PMDB-RJ) será o relator do processo de Romeu Queiroz (PTB-MG). A partir de agora, os deputados representados não poderão mais fugir às penas de uma eventual cassação, utilizando o subterfúgio da renúncia ao mandato. Se condenados terão seus direitos políticos cassados por oito anos. Todos são acusados de quebrarem o decoro. Dirceu e Mabel são objetos de representações feitas pelo PTB. Mabel é acusado por ter supostamente oferecido dinheiro para a deputada Rachel Teixeira (PSDB-GO) trocar sua legenda pelo PL. Rachel fez a acusação, mas Mabel nega. Queiroz é acusado de receber recursos de caixa dois, que teriam sido distribuídos a candidatos no Estado. O processo contra o deputado Francisco Gonçalves (PTB-MG) será tratado pela mesma subcomissão criada na terça-feira, que tem como relator o deputado Nelson Trad (PMDB-MS), em que são processados quatro outros deputados do PTB que teriam sido beneficiados por caixa dois nas campanhas municipais de 2004. O Conselho criou uma subcomissão para analisar se aceita ou não as representações feitas pelo PL contra os outros cinco parlamentares do PTB. Sobrevida O deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), relator do processo do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, afirmou que as novas representações apresentadas contra Jefferson dão uma ?sobrevida? ao processo de cassação. A segunda representação também foi apresentada pelo PL e foi apensada à primeira, onde Jefferson é acusado por quebra de decoro devido às denúncias do ?mensalão?, que fez sem apresentar provas. O pedido de cassação, foi apresentada porque o deputado do PTB assumiu que recebeu R$ 4 milhões do PT. Ontem, o Conselho abriu um novo processo de cassação contra Jefferson por quebra de decoro parlamentar. O requerimento, apresentado na semana passada pela presidência do PL, pede investigação sobre supostos crimes de ocultação de cargas roubadas. A acusação foi feita com base em gravações feitas pela Polícia Federal que investiga denúncias de corrupção na Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro. Em uma das gravações Jefferson foi apontado como o responsável pela contratação do policial acusado de roubo de carga. ACAREAÇÃO O relator do processo contra o deputado José Dirceu (PT-SP), deputado Julio Delgado (PSB-MG), confirmou ontem que pode ser necessária uma acareação entre Dirceu e o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Os dois trocaram acusações na sessão da semana passada e um desmentiu o outro. ?São muitas contradições. Temos que buscar a verdade com as provas e as oitivas, mas uma acareação pode ser necessária.? O relator defendeu amplo direito de defesa para José Dirceu e afirmou que não está incomodado com o fato de ter sido líder de um partido da base aliada ao governo - PPS - e de ter trabalhado diretamente com Dirceu na articulação política. ?Assumo a relatoria com toda tranqüilidade até porque ajudei o governo enquanto fui líder. A relatoria não pode ter cor partidária. Tem que ser ocupada com isenção?, afirmou Delgado. Delgado disse ainda que só irá marcar novo depoimento caso Dirceu queira. O presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), confirmou que todos os depoimentos já colhidos para o processo contra Jefferson serão utilizados nos demais processos em análise. ?Vamos agilizar os trabalhos, só virá depor quem não foi ouvido ainda. Vamos aproveitar os depoimentos já existentes?, afirmou Izar.