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Depoimento de doleiro divide CPI

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| Folhapress Brasília Apontado como o maior doleiro do Brasil, Antonio de Oliveira Claramunt, ou Toninho da Barcelona, poderá ser ouvido hoje, em São Paulo, por uma delegação da CPI dos Correios. Numa queda-de-braço com o PT, representantes da oposição na CPI querem aprovar na manhã de hoje o pedido de depoimento. Assim, uma diligência embarcaria para São Paulo, logo depois, com a missão de interrogar o doleiro, que, por meio da família e da assessoria jurídica, ameaça revelar operações ilegais cometidas por petistas. O PT, todavia, defende que ele seja ouvido em audiência pública, em Brasília, na quinta-feira. ?Não tem nada de secreto, ele tem que vir depor na CPI e logo. Do contrário vão vazar versões do depoimento?, justificou a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), dizendo-se preocupada com o uso político do episódio. Já a oposição acusa o PT de querer adiar o depoimento ao ser contra a diligência. Ontem, o advogado de Toninho da Barcelona, Ricardo Sayed reiterou à Procuradoria-geral da República disposição do cliente de ?colaborar efetiva e voluntariamente com a investigação?. Na proposta de colaboração voluntária, Sayed oferece informações em troca de redução da pena de Toninho, condenado a 25 anos. Aprovado o requerimento, Toninho será escoltado de Avaré, onde está detido, para a capital. Os doleiros Haroldo Bicalho e Jader Kalid Antonio também deverão ser ouvidos, nesta semana. A agenda da CPI até sexta-feira deve contemplar ainda o depoimento do ex-presidente do conselho deliberativo da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) Henrique Pizzolato. O objetivo é apurar se recursos do fundo foram desviados para financiar o PT. A definição das datas e das pessoas chamadas a falar deve ocorrer hoje. A mudança de rumo nos trabalhos da CPI deve-se ao depoimento do publicitário Duda Mendonça na semana passada. Ele afirmou ter recebido R$ 15,5 milhões do PT, via caixa dois, como quitação de dívidas das campanhas de 2002 e de prestações de serviço em 2003. Do total, R$ 10,5 milhões foram depositados em uma conta nas Bahamas pelo publicitário Marcos Valério de Souza, R$ 1,4 milhão foram sacados em dinheiro no Banco Rural e R$ 3,6 milhões recebidos diretamente do então tesoureiro do PT Delúbio Soares. As declarações de Duda surpreenderam de tal forma os membros da CPI que até hoje eles não haviam definido uma agenda para a semana. O relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), reuniu-se com as procuradoras da República Raquel Branquinho e Cláudia Marques para tentar rastrear a origem dos R$ 10,5 milhões depositados no paraíso fiscal. ?Acredito que tem muito mais?, disse Cláudia Marques. De acordo com Serraglio, o depoimento do ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), atualmente chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência (NAE) deve ficar para a próxima semana. ### Deputados passíveis de cassação O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), divulgou ontem a lista oficial de deputados citados durante as investigações e que podem ter os mandatos cassados por quebra de decoro. Serraglio afirmou que os documentos em posse da comissão são suficientes para que parlamentares sejam cassados. ?Segundo o meu critério, eu entendo impensado não cassar mandatos?, afirmou. O presidente do PSDB, Eduardo Azeredo (MG), ao contrário, foi citado em depoimentos, é apontado em documentos em posse da comissão e, inclusive, prestou depoimento espontâneo à CPI sobre a existência de caixa dois em sua campanha. Mesmo assim, seu nome não consta da lista.?Ele não está na lista de saques do Banco Rural?, tentou justificar Serraglio. Porém, nem Mabel, nem Pedro Henry estão nessa relação de nomes de beneficiários das contas de Marcos Valério Fernandes de Souza. Parlamentares citados: Carlos Rodrigues (PL-RJ) João Magno (PT-MG) João Paulo Cunha (PT-SP) José Borba (PMDB-PR) José Dirceu (PT-SP) José Janene (PP-PR) José Mentor (PT-SP) Josias Gomes (PT-BA) Paulo Rocha (PT-PA) Pedro Corrêa (PP-PE) Pedro Henry (PP-MT) Professor Luizinho (PT-SP) Roberto Brant (PFL-MG) Roberto Jefferson (PTB-RJ) Romeu Queiroz (PTB-MG) Vadão Gomes (PP-SP) Wanderval Santos (PL-SP) Sandro Mabel (PL-GO) ### Mensalão começa a ouvir tesoureiros A CPI do Mensalão começa hoje a tomar os depoimentos dos tesoureiros que teriam participado do esquema de repasses clandestinos de recursos entre partidos políticos. A série tem início com o depoimento conjunto de Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL, e Emerson Palmieri, do PTB. Os dois deverão ficar lado a lado durante os questionamentos. Amanhã, será a vez de Delúbio Soares, afastado do cargo no PT, e acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser um dos principais articuladores do chamado escândalo do ?mensalão?. ?Será a semana dos tesoureiros. Eles recebem, pagam, recolhem registros e têm controle dos débitos. No princípio, havia uma imprecisão analítica, mas o avanço da CPI dos Correios nos permite agora querer saber de onde veio do dinheiro, onde e como foi gasto e qual a relação de cada um deles com o Marcos Valério [publicitário acusado de ser o operador do mensalão]?, disse o relator da comissão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG). R$ 6,5 milhões Ao ex-tesoureiro do PL, os congressistas deverão mirar suas perguntas no destino dos R$ 6,5 milhões que o presidente do partido, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, disse, em entrevista à revista ?Época?, ter recebido de Valério referentes a um acordo fechado com o ex-ministro José Dirceu, em 2002. Costa Neto renunciou ao mandato no dia 1º de agosto. O publicitário Marcos Valério afirma ter repassado R$ 10,8 milhões. O encontro no qual foi firmado o acordo teria ocorrido, segundo Costa Neto, em junho de 2002, na casa do deputado Paulo Rocha (PT-PA). De acordo com o presidente do PL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice, José Alencar, estavam estavam numa sala ao lado. Ainda segundo Costa Neto, Jacinto Lamas foi enviado por ele para pegar um envelope com cheques da SMPB, empresa de Valério, para a empresa Guaranhuns. Os cheques teriam sido trocados por dinheiro por um segurança de Delúbio. No caso de Palmieri, ele deverá ser questionado sobre a versão de Roberto Jefferson para a utilização de R$ 4 milhões que o petebista diz ter recebido do PT para financiar campanhas. Jefferson se recusa a dizer como repartiu o dinheiro e quem recebeu. Jefferson afirma ainda ter enviado Palmieri a Portugal, ao lado de Marcos Valério, numa suposta negociação com representantes da empresa Portugal Telecom. A empresa nega as reuniões. ?Apesar de alguns deles já terem falado, precisamos ouvi-los aqui para que o relator tenha elementos para formular a acusação?, afirmou o senador Sibá Machado (PT-AC).

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