loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
domingo, 02/08/2026 | Ano | Nº 6280
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Nacional

Nacional

Oposi��o evita falar em impeachment

Ouvir
Compartilhar

Chico de Gois Leila Suwwan Folhapress Durante a primeira reunião conjunta de seis partidos da oposição - PFL, PSDB, PDT, PPS, PV e parte do PMDB - parlamentares estancaram o discurso de impeachment e adotaram um posicionamento uníssono de que ?não há clima político para o impedimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva?. Definiram, porém, que devem pedir a reabertura das contas da campanha de Lula em 2002. O motivo para o recuo na questão do impeachment é prático: ninguém quer ser acusado de golpismo. Apesar disso, os oposicionistas avançam em ações laterais como a questão do pedido da reabertura das contas de Lula. Hoje, a Executiva do PFL se reúne para discutir o pedido de reabertura das contas de campanha de Lula à Procuradoria Geral da República. O pedido de impeachment havia ganhado força após o depoimento do publicitário Duda Mendonça à CPI dos Correios, na semana passada, quando ele afirmou que recebeu R$ 15,5 milhões de caixa dois do PT, sendo R$ 10,5 milhões em uma conta nas Bahamas, por intermédio de Marcos Valério Fernandes de Souza. Na reunião de ontem, os parlamentares decidiram, ainda, criar um fórum de acompanhamento da crise com articulação das oposições nas três CPIs que tramitam no Congresso - Correios, Mensalão e Bingos. Esse fórum interessa principalmente aos partidos pequenos da oposição - PPS, PV e PDT- que ganharão mais peso. Outro consenso foi pedir que a CPI dos Correios e o Conselho de Ética da Câmara acelerem o processo de cassação dos parlamentares que foram beneficiários do esquema de Marcos Valério. Não se falou em nomes ou números. Governabilidade A reunião de ontem foi articulada pelo PPS. O presidente do partido, Roberto Freire (PE), logo no início reconheceu que o partido exagerou no tom ao veicular uma propaganda partidária na qual acusava o PFL e o PSDB de promover um acordão com o PT para abafar a crise. O presidente do PFL, Jorge Borhaunsen (SC), afirmou que ?eles compreenderam que o comercial estava equivocado?. Feitas as pazes, os oposicionistas alinharam o discurso em defesa das investigações, mas sem avançar o sinal do impeachment. ?Se ficar comprovada a desonestidade pessoal e cabal do presidente não vamos poupá-lo?, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), para quem ?impeachment não se pede, mas também não se impede?. Vários parlamentares repetiram a mesma frase: ?não há clima político para o impedimento e o pedido, se houver, tem de vir da sociedade.? A oposição teme o ônus de patrocinar uma ação desse tipo sem respaldo popular. ?Vamos ser acusados de golpistas se falarmos de impeachment?, avalia o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). ?Esse pedido cabe à sociedade.? Presente à reunião, o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), observou que o impeachment ?é um juízo de conveniência e é preciso ver se há conveniência ou não?. Ele próprio respondeu: ?Neste momento, não há?. Temer acredita que o impedimento do presidente poderia causar ?convulsão social?. De acordo com o presidente do PMDB, ?é conveniente assegurar a governabilidade, e estabelecer uma pauta de votação?. Outra motivação para não promover o impeachment é eleitoral. Ao manter o governo Lula fraco, os partidos de oposição acreditam que se fortalecem e têm mais chance de conquistar a Presidência. ### Severino se diz pronto para Presidência Apesar do recuo da oposição com relação ao impeachment de Lula da presidência, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), afirmou ontem que se considera pronto para assumir a Presidência da República caso se torne necessário. ?Estou preparado para tudo. Quando assumi a presidência da Câmara, a imprensa não acreditava em mim e mostrei que estou desempenhando bem a minha função?, afirmou em entrevista na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Ele reiterou essa disponibilidade para assumir a Presidência em entrevista após almoço na Câmara de Comércio França-Brasil. ?Se houver necessidade tem que cumprir o regimento da Casa, cumprir a Constituição e assumir?, afirmou. Severino afirmou acreditar na inocência de Lula, mas disse também ser favorável ao impeachment caso fiquem provadas irregularidades. ?Se ele participou, temos que puni-lo também?, disse. Questionado sobre qual a punição aplicável, replicou: ?Com impeachment.? Reação A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) classificou como ?irracionalidade? as declarações do presidente da Câmara, Severino Cavalcante (PP-PE), de que está pronto para assumir a Presidência, apesar de confiar na inocência de Lula. ?[A declaração] tem um grau de irracionalidade muito grande, para ficar discutindo tem que se caracterizar a conjunção de um fato que determine isso. Respeitando a declaração do presidente Severino, que todo mundo tem direito de falar o que pensa, também podemos fazer essa observação: não é bom introduzir na conjuntura variáveis de irracionalidade. A gente tem que ter os pés no chão e a cabeça muito fria?, disse. Entalado O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Edson Vidigal, afirmou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parecia ?entalado? ao se pronunciar à nação na última sexta-feira. Disse ter faltado ?convicção? ao discurso: ?Parece que a nação está querendo ouvir mais?. Vidigal, que descartou o impeachment contra Lula, viu na fala do presidente um descompasso entre gestos e palavras: ?O gestual não correspondeu ao texto. Daí, pressentir-se que ele tinha mais coisa a dizer, que algo não foi dito. Ele estava meio entalado?, disse ontem, após participar do seminário ?Segurança Jurídica?, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também criticou o tom do pronunciamento de Lula e cobrou mais explicações: ?O presidente não deve perder uma nova oportunidade de explicar melhor os fatos, de ser mais afirmativo?, disse na Fiesp. Renan descartou o impeachment pela ausência de três requisitos: prova cabal contra Lula, maioria no Congresso e a chancela da sociedade para o processo de afastamento. ?Não contamos com nenhum desses requisitos neste cenário, o que não significa que não vamos contar. Mas isso dependerá da investigação.? O presidente do Senado aproveitou o seminário para criticar o governo, que, segundo ele, é passivo ao não conduzir uma agenda para o Legislativo: ?Essa agenda não é tocada por causa da inércia, do imobilismo?.

Relacionadas