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Lula decide adiar novo pronunciamento

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Cristiane Jungblut Globo Online Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve fazer, pelo menos por enquanto, um novo pronunciamento à Nação. A idéia do Palácio do Planalto é antes obter mais dados concretos sobre as denúncias envolvendo o PT e o governo para que Lula possa falar de forma mais consistente em cadeia nacional de rádio e TV. Por enquanto, o ?gabinete de crise? entende que o pronunciamento feito pelo presidente na sexta-feira é suficiente. Corpo a corpo Também ficou acertado na reunião, que terminou pouco depois das 13h de ontem, que o coordenador político do governo, ministro Jaques Wagner, começaria ontem um corpo-a-corpo no Congresso para fechar a estratégia de votação do salário mínimo na Câmara para derrubar o reajuste para R$ 384,29, aprovado na semana passada no Senado. Lula se reuniu por mais de três horas com o chamado ?gabinete de crise? para discutir o momento político. A possível convocação do Conselho da República também foi discutida no encontro. Participaram da reunião, no Palácio do Planalto, os ministros Jaques Wagner, da Coordenação Política; Márcio Thomaz Bastos, da Justiça; Dilma Rousseff, da Casa Civil; Luiz Dulci, da Secretaria Geral; Antonio Palocci, da Fazenda; e o vice-presidente José Alencar. Apesar de ter feito um discurso de dez minutos na abertura da reunião ministerial de sexta-feira passada, no qual disse estar se sentindo traído e pediu desculpas em nome do governo e do PT à população, Lula tem sofrido pressões de ministros e assessores para que fale novamente ao público, desta vez em cadeia nacional de rádio e TV, mas prevaleceu a tese de que não há a necessidade de um novo pronunciamento. Embate político Em conversas com interlocutores, Lula tem desabafado que se sente ?agredido? por todas as denúncias envolvendo o PT e que gostaria de ir para o embate político, mas que, como presidente da República, tem que ser mais comedido. A preocupação do presidente Lula é ?não contaminar a economia? com a crise política e não paralisar o governo. Sobre a possibilidade de convocação do Conselho da República, esse procedimento não tem a concordância do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, por exemplo. ### Conselho da República divide opiniões Parte do gabinete de crise dava como certo um novo pronunciamento de Lula, argumentando que o presidente tem que se dirigir formalmente à Nação e ser mais direto ao dizer, diretamente, quem o traiu. Na sexta, Lula não citou os nomes dos traidores, nem mesmo as pessoas que afastou do governo, como o ex-ministro José Dirceu. Essa tese é defendida por ministros como Márcio Thomaz Bastos (Justiça), além do presidente nacional do PT, Tarso Genro. Apesar das críticas de que teria sido pouco direto na sexta-feira, Lula comentou com interlocutores que acredita ter dado a resposta necessária nesse momento para as denúncias. Segundo um assessor próximo, o presidente demonstrou contentamento com os aplausos que recebeu no velório do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes. A convocação do Conselho da República também divide opiniões dentro do gabinete de crise. Além de Palocci, o articulador político do governo, Jaques Wagner, é contra a reunião do conselho - criado em 1988 e que na verdade nunca foi acionado. O conselho é presidido pelo presidente da República e participam ainda o vice-presidente; o ministro da Justiça; os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado; os líderes da maioria e da minoria, tanto no Senado quanto na Câmara; e mais seis brasileiros ilustres, estes nomeados livremente, sendo dois de escolha do presidente da República, dois indicados pelo Senado e dois pela Câmara. Palocci tem ressaltado a Lula que a convocação do conselho só daria um ar de maior gravidade à crise e poderia trazer instabilidade ao mercado financeiro. Jaques Wagner também não vê conseqüências práticas, mas a idéia é bem vista por outros, como o presidente do PT, Tarso Genro. ### PT define futuro de citados no mensalão A Executiva Nacional do PT se reúne na tarde de hoje, em Brasília, para definir o futuro dos parlamentares do partido citados no escândalo do ?mensalão?. Integrantes de correntes da esquerda petista pedirão, de novo, a abertura de processo na Comissão de Ética para os envolvidos. Segundo dirigentes do Campo Majoritário, que controla a legenda, a tendência é que os deputados ligados a saques das contas do publicitário Marcos Valério passem a ser alvo da comissão. O caso do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que mantém forte influência na máquina partidária, também deve ser submetido a apuração interna. A proposta de inclusão dos deputados envolvidos no escândalo na Comissão de Ética e seu afastamento das atividades de bancada já havia sido apresentada pelas correntes de esquerda na reunião do Diretório Nacional do partido realizada no fim de semana retrasado. O pedido acabou rejeitado. Agora, sob o impacto do depoimento do publicitário Duda Mendonça à CPI dos Correios, a tendência, segundo dirigentes, é que os novos pedidos sejam aceitos. Até o momento, apenas o ex-tesoureiro Delúbio Soares é alvo da Comissão de Ética do partido. O processo foi aberto a pedido do próprio Delúbio. Hoje, em São Paulo, suas testemunhas de defesa serão ouvidas na comissão. O ex-tesoureiro chamou dirigentes regionais do partido para falarem sobre sua atuação no PT. O parecer final da apuração interna sobre o ex-tesoureiro deve ser dado no dia 28. Entre os deputados que aparecem na lista de sacadores das contas de Marcos Valério estão João Paulo Cunha (PT-SP), Paulo Rocha (PT-PA), Professor Luizinho (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA) e João Magno (PT-MG). Os casos serão analisados individualmente. Parte dos cerca de 15 petistas envolvidos no escândalo já enviaram suas explicações por escrito. Cristovam adia saída do PT O senador Cristovam Buarque (DF) recuou e adiou sua saída do PT. O desligamento chegou a ser anunciado pela assessoria na manhã de ontem, mas ele surpreendeu e acabou postergando a definição sobre seu futuro político pelo menos até hoje à noite, quando a bancada petista no Senado se reúne. Oficialmente, o ex-ministro da Educação e ex-governador do Distrito Federal decidiu pensar mais um pouco, em respeito às bases partidárias, que teriam feito um apelo para que ele permanecesse no partido. Mas Cristovam também está avaliando suas possibilidades eleitorais em 2006. Seu sonho é ser candidato a presidente por PPS ou PDT, mas apenas se conseguir montar uma sólida aliança de esquerda. O problema é que os dois partidos já têm seus próprios pré-candidatos a presidente - o deputado Roberto Freire (PPS-PE) e o senador Jefferson Peres (PDT-AM). Reeleição O presidente do PT, Tarso Genro, já começa a lançar dúvidas sobre a oportunidade da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006. O debate tem contaminado o partido, num momento em que o governo e a legenda são alvo de investigações. Tarso ?abriu seu coração? numa reunião com a bancada de vereadores do PT de São Paulo, segundo um dos participantes. No encontro, em que defendeu a refundação do partido e a convocação do Conselho da República, Tarso teria alegado que a candidatura à reeleição pode atiçar o apetite da oposição, especialmente se fomentada por desafios do gênero ?vão ter que me engolir?.

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