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Governo mant�m m�nimo em R$ 300

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FELIPE RECONDO FABIANA FUTEMA Folha Online Brasília e São Paulo - Em meio à crise política, o governo Lula conseguiu manter na Câmara dos Deputados o valor do salário mínimo em R$ 300. Na semana passada, aproveitando a desarticulação política do Planalto, o Senado mudou a proposta do governo e elevou o mínimo para R$ 384,29. O mínimo de R$ 300 está em vigor desde maio - antes do reajuste, o salário estava fixado em R$ 260. Com isso, a Câmara poupou Lula de uma decisão impopular: vetar o mínimo de R$ 384,29. A utilização do veto presidencial era tida como mais uma derrota imposta pelo Congresso ao Planalto. Para derrubar o mínimo de R$ 384,29, o ministro Jacques Wagner (Coordenação Política) passou os últimos três dias costurando um acordo entre governo e oposição. Esse acordo só foi selado em definitivo ontem. Na terça-feira, para evitar que o Planalto sofresse nova derrota, o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), encerrou a sessão que iria votar o salário mínimo. A manobra foi utilizada por Severino, após perceber que o acordo fechado pelo colégio de líderes - para manter o mínimo em R$ 300 - seria descumprido. No acordo feito no final da tarde de terça-feira pelo colégio de líderes, ficou acertada que a votação seria simbólica (sem o registro nominal de votos). No entanto, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) conseguiu reunir mais de 32 assinaturas para pedir a verificação de quórum. Com isso, a votação teria que ser nominal em vez de simbólica. Para os deputados, essa medida tinha um peso político muito grande. É que com esse tipo de votação nominal, seriam conhecidos os nomes dos deputados responsáveis pela não elevação do mínimo. Ontem, após a negociação de novo acordo, a Câmara manteve o mínimo em R$ 300 por meio de votação simbólica. Em 1º de maio, o mínimo foi reajustado de R$ 260 para R$ 300. O impacto de uma elevação para R$ 384,29 retroativa a maio seria de R$ 15,966 bilhões só nas contas da União, segundo cálculos do Ministério do Planejamento. Se os deputados tivessem mantido o valor de R$ 384,29 enviado pelo Senado, o governo seria obrigado a vetar o novo valor ou publicar decreto para manter o valor em R$ 300.

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