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Del�bio confirma repasse para o PL

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ROSE ANE SILVEIRA Folha Online Brasília - O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares confirmou ontem, em depoimento à CPI do Mensalão, o acordo financeiro fechado entre PT e PL para a coligação dos dois partidos na campanha de 2002. Segundo ele, pelo acordo, o PT iria repassar R$ 10 milhões - 25% do valor total da arrecadação da campanha presidencial. Ele confirmou a reunião entre os dois partidos para definir a campanha à Presidência da República e o valor a ser pago ao PL para compensar as perdas causadas pela verticalização - o PL só poderia se coligar com o PT em todos os Estados, o que prejudicou o partido e diminuiu sua bancada. O ex-tesoureiro também confirmou que o encontro ocorreu na casa do deputado Paulo Rocha (PT-PA), com a presença do presidente Lula, o vice-presidente José Alencar e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Assim como o presidente do PL, Delúbio disse que Lula e Alencar estavam em um escritório quando o repasse ao PL foi acertado. ?Ficou acertado que, do volume arrecadado para a campanha eleitoral à Presidência, 25% ficaria para o vice para apoiar o PL. Em termos nominais, isso dá aproximadamente R$ 10 milhões?, declarou. Em entrevista à revista Época, o presidente do PL já havia falado sobre a negociação entre os dois partidos em 2002. No entanto, Valdemar Costa Neto afirmou à revista que foram R$ 6,5 milhões. ?Não chegou aos R$ 10,8 milhões que estão falando. Estão botando R$ 4 milhões a mais na minha conta.? Ainda durante o depoimento, Delúbio negou que tenham sido firmados acordos financeiros com outros partidos da base. ?O acordo com o PTB foi político, para apoio em segundo turno.? O ex-tesoureiro confirmou também a informação de Marcos Valério de que não foi o empresário quem procurou o PT para oferecer o esquema de empréstimos ao partido. ?Eu perguntei a ele e a várias pessoas se tinham como ajudar a pagar as dívidas de campanha.? Segundo Delúbio, Marcos Valério se propôs a ajudar, mas o ex-tesoureiro afirmou que não sabia do esquema feito antes para o PSDB. ### Delúbio tem oito dias para apresentar contas do caixa 2 O presidente da CPI do Mensalão, senador Amir Lando (PMDB-RO), deu um prazo de oito dias, a partir de ontem, para que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares apresente uma contabilidade informal - com uma relação de créditos e débitos - aos integrantes da comissão. Durante todo o depoimento, Delúbio se esquivou das perguntas sobre quem recebeu recursos do caixa 2. ?Vou trabalhar nisso. Tenho que pegar um tributarista, sentar, ver. Mas me comprometo com isso. Sei da importância e da agonia de vários deputados?, afirmou Delúbio. Lando destacou que não faz sentido, a essa altura da crise, o ex-tesoureiro esconder os nomes das pessoas que receberam os pagamentos. ?Sempre que se esconde o óbvio, dá a entender que há delito maior do que ele realmente é?, avaliou o presidente da CPI. Indagado pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre que membros da executiva do PT sabiam da procedência dos recursos da campanha eleitoral de 2002, Delúbio disse que as decisões eram tomadas por um comitê financeiro, do qual ele e o então presidente do partido, José Dirceu, faziam parte. Ao ser indagado pela deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP) se sabia que era proibido passar dinheiro a partidos políticos, o ex-tesoureiro respondeu que sim. ?Principalmente dinheiro não contabilizado (caixa 2). Tive dificuldade em assumir isso e sei que vamos ter dificuldade de encontrar uma solução?, reconheceu o ex-tesoureiro. Remessa e irritação Sobre as remessas feitas para o exterior por Marcos Valério para o pagamento de contas do PT, em especial do débito do partido com o publicitário Duda Mendonça. O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares se limitou a dizer que não tinha conhecimento dos fatos e negou que tenha orientado o procedimento. A insistência do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares em fugir a responder diretamente às perguntas feitas por integrantes da CPI do Mensalão irritou não só o relator Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), mas boa parte dos integrantes da comissão e acabou gerando um grande bate-boca entre parlamentares do PT e da oposição. ### Ex-tesoureiro assume culpa sozinho e diz não ser traidor O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares assumiu sozinho, por diversas vezes, durante seu depoimento na CPI do Mensalão, a culpa pelos empréstimos e pelo caixa dois do partido. E avisou que não é delator. ?Eu não costumo, e faz parte da minha integridade, não delatar ninguém? , garantiu. Mesmo quando acabou confirmando uma declaração, dada um ano antes, que poderia comprometer o ex-ministro José Dirceu, Delúbio demonstrou cuidado para não falar demais. Indagado sobre uma entrevista que deu à revista ?Época?, em 2004, na qual assumia uma relação estreita com o então chefe da Casa Civil, o ex-tesoureiro resistiu a responder. Na entrevista, ele dizia: ?Claro que converso muito com ele (José Dirceu). Nós assinamos muitos cheques de campanha, cheques do partido. Minha responsabilidade nas finanças do partido é a mesma que a dele?. ?É verdade?, admitiu, depois de muita insistência do deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), embora tenha destacado que os saques das empresas de Valério eram feitos somente com sua autorização. A preocupação em não comprometer mais alguém voltou à tona em outras oportunidades. Quando foi perguntado sobre se seria amigo e teria intimidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Delúbio não respondeu. Limitou-se a dizer: ?Eu sou militante do Partido dos Trabalhadores e o presidente Lula foi presidente do partido por muitos anos. Admiro muito (o presidente)?. ?É amigo dele? Sim ou não??, indagou o deputado Júlio Redecker. ?Eu admiro muito?, repetiu Delúbio. O ex-tesoureiro do PT afirmou não ser um traidor, em resposta a uma pergunta sobre o pronunciamento do presidente Lula em que ele se disse traído por ?práticas inaceitáveis? no PT. ?Não costumo questionar a opinião das pessoas. Elas podem dizer o que quiser. Ele (o presidente Lula) fez aquela frase e eu acato?.

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