Nacional
Suspeitos mant�m vers�es iniciais
| Kamila Fernandes Folhapress Fortaleza - Em sete horas de acareação, os três homens que continuam presos sob a suspeita de envolvimento no assalto à sede do Banco Central, em Fortaleza, há duas semanas, mantiveram ontem suas versões iniciais e negaram qualquer envolvimento no crime. De um lado, os irmãos José Elizomartes Fernandes e Demerval Fernandes, donos da revenda de carros Brilhe Car, onde a quadrilha comprou dez veículos com o dinheiro furtado, e, de outro, José Charles Machado de Moraes, dono da JE Transporte, preso quando transportava três carros que escondiam R$ 5 milhões em notas de R$ 50, as mesmas levadas da caixa-forte do banco. Desde a descoberta do furto, no último dia 8, e da prisão dos três empresários, a PF não apresentou mais nenhum avanço nas investigações, sobre o possível esconderijo do dinheiro furtado. O furto aconteceu entre os dias 5 e 6, por meio de um túnel de 80 metros de extensão, que foi aberto em uma casa. Segundo os advogados dos irmãos Fernandes, eles mantiveram a versão original de que o dinheiro da compra dos veículos foi entregue por Moraes, que usou parte dos recursos, R$ 980 mil no total, para quitar débitos antigos com os empresários e para comprar um outro carro. O dono da transportadora disse, por sua vez, que apenas apresentou um suposto empresário paulista, identificado como Paulo Sérgio de Souza, aos donos da revenda, e negou que tenha feito algum pagamento. Ele receberia uma comissão por veículo vendido, de R$ 1.000 para cada carro grande e de R$ 500 para os menores. Moraes negou ainda que tenha algum envolvimento com o furto e que apenas transportava os carros, não sabendo o que escondiam. A ordem na PF é não informar nada sobre o caso. Nem mesmo sobre a acareação, confirmada pelos advogados dos dois lados, havia notícias. Informações não confirmadas, porém, indicam que pelo menos parte da quadrilha foi identificada e que estão sendo feitas buscas tanto em Fortaleza como no interior do Ceará. Os envolvidos teriam participado de outro assalto milionário no Estado, há seis anos, numa transportadora de valores. APREENSÃO A Polícia Federal descartou que os cerca de R$ 60 mil apreendidos em Brasília (DF) façam parte do furto de R$ 164,8 milhões no prédio do Banco Central em Fortaleza (CE). A maior parte do dinheiro estava na mochila de um rapaz de 19 anos que fazia compras em um shopping. Cerca de R$ 9.000 foram recuperados em lojas onde ele havia feito compras. Como parte do montante estava em maços de R$ 50 lacrados com o selo do BC, houve a suspeita de o dinheiro fosse do furto. O rastreamento feito por técnicos do BC, no entanto, concluiu que o dinheiro havia sido sacado do Banco Regional de Brasília no Distrito Federal. Procurada, a assessoria de imprensa do BRB afirmou que não tinha nenhuma informação sobre esse saque Em depoimento à Polícia Civil, o rapaz, cujo nome não foi divulgado, deu várias versões. Numa delas, disse que ganhou o dinheiro num jogo de baralho. Ele negou envolvimento com o furto.