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Val�rio cobra na Justi�a R$ 93 mi do PT

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Paulo Peixoto Thiago Guimarães Folhapress Belo Horizonte (MG) - Marcos Valério de Souza, por meio do escritório de advocacia Rodolfo Gropen, de Belo Horizonte, oficializou ontem no Foro Central de São Paulo cobranças ao PT referentes aos empréstimos que o publicitário avalizou e tomou a favor do partido. Segundo o advogado João Manoel Martins, foram ajuizadas duas notificações ao PT cobrando cerca de R$ 93 milhões. Em uma delas, o PT é notificado a ressarcir Valério em R$ 460 mil (valor atualizado). Esse valor diz respeito a uma parcela de um empréstimo de R$ 2,4 milhões no Banco BMG. A parcela de R$ 350 mil foi paga pelo publicitário, que era avalista juntamente com José Genoino e Delúbio Soares - ex-presidente e ex-tesoureiro do PT nacional, respectivamente. A outra notificação, em nome de Valério, SMP&B Comunicação, Graffiti e Rogério Tolentino e Associados (advogado e sócio do publicitário), diz respeito à soma total dos empréstimos contraídos no BMG e Banco Rural, que, em valores atualizados, segundo Martins, é de cerca de R$ 92,5 milhões. Essas dívidas foram contraídas entre fevereiro de 2003 e abril de 2004. Conforme listagem que Valério entregou à CPI dos Correios com informações sobre as dívidas, o valor original dos seis empréstimos que ele fez para o PT é de R$ 55,2 milhões. As notificações seriam distribuídas ainda ontem no Foro Central e, a partir disso, o PT será comunicado. Se não houver reconhecimento das dívidas, ?outras medidas poderão ser tomadas?, disse o advogado, que não antecipou quais seriam. Outro lado O PT mantém a posição já anunciada de não reconhecer as dívidas que Valério diz ter contraído para o PT a partir de um acordo de gaveta feito com Delúbio, sem a anuência da direção nacional. O tesoureiro do PT, José Pimentel, disse ontem, por meio da assessoria de imprensa do partido, que só o que for oficial será reconhecido. Entre o que o partido considera oficial, está a parcela de R$ 350 mil paga por Valério, que, segundo o PT, está registrada no partido. Quanto aos outros empréstimos, não há registros. ?Supostas dívidas na palavra o PT não reconhece?, disse a assessoria, acrescentando que o PT vai aguardar ser notificado para comentar eventuais medidas judiciais. Valério também ajuizou ações contra o Banco Rural para que seja revisto o índice que corrige os empréstimos para o PT. As ações consideram a correção ?ilegal e abusiva?. Os valores originais dos empréstimos no Rural somavam R$ 29,4 milhões. Em março deste ano estavam em cerca de R$ 50 milhões. Pelos contratos, o índice de correção é o Certificado de Depósito Interbancário - que na quinta-feira estava em 19,15% ao ano. As ações pedem que o índice de reajuste seja o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A variação do INPC no ano foi de 5,54% no mês passado. Operador do mensalão O publicitário Marcos Valério foi apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como operador do ?mensalão? - suposto esquema de pagamento de mesada a parlamentares da base aliada. ### CPI pede ampliação da quebra de sigilo A CPI dos Correios não conseguiu identificar a origem de cerca de R$ 190 milhões das contas de Marcos Valério de Souza no Banco do Brasil e pediu a ampliação da quebra de seu sigilo bancário. A fonte dos recursos que irrigaram o caixa dois de partidos políticos, por meio do publicitário, é uma das principais linhas de investigação da CPI. A comissão solicitou ao Banco do Brasil a redução do limite a partir do qual quebrou o sigilo bancário de Marcos Valério e de suas empresas. O filtro baixou de R$ 30 mil para R$ 10 mil, no caso de depósitos feitos por pessoas jurídicas, e R$ 2.000 no caso de pessoas físicas. ?O Banco do Brasil é um dos que teve a maior movimentação financeira nas contas de Marcos Valério e apresentou um déficit superior a R$ 190 milhões. Não conseguimos identificar a origem desse dinheiro. Temos o registro de saída mas não o de entrada?, afirmou o subrelator Gustavo Fruet (PSDB-PR). Além do Banco do Brasil, os bancos nos quais Marcos Valério movimentou o maior volume de recursos foram o Rural, o Bradesco e o BRB (Banco de Brasília). No BB, o responsável pelo maior volume de depósitos nas contas do publicitário nos últimos cinco anos é o próprio banco, que é cliente da DNA Propaganda, com R$ 322,5 milhões. Nesse valor estão incluídos empréstimos da ordem de R$ 21 milhões. O Banco do Brasil é seguido pelo grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, que depositou R$ 131,7 milhões por meio da Telemig Celular e Amazônia Celular, também clientes do publicitário. As principais fontes de recursos de Marcos Valério no Banco Rural são o próprio banco (R$ 33,2 milhões), Usiminas (R$ 13,6 milhões) e Prefeituras de Contagem e Betim (cerca de R$ 6 milhões). A CPI está cruzando as notas fiscais encontradas nas empresas de Marcos Valério com os registros contábeis das empresas com as quais possuía contratos. O objetivo é checar se os serviços foram realmente prestados e com os valores declarados. Há suspeita de que algumas notas são frias. Outro fato que intriga a comissão é o volume de empréstimos bancários declarados por Marcos Valério. Segundo Fruet, Marcos Valério teria admitido que suas empresas contraíram empréstimos no Banco Rural e no BMG da ordem de R$ 151,1 milhões em 2003 e 2004. Os valores contrariam a versão do empresário dada à CPI e à própria Procuradoria Geral da República que os empréstimos eram de R$ 55,2 milhões nesses mesmos bancos. Tanto Marcos Valério quanto o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares sustentam que esses empréstimos foram repassados ao partido para o pagamento de dívidas de campanha. ### Genro de Jefferson depõe na quarta A CPI dos Correios ouve na próxima terça-feira o ex-presidente do Banco Popular Ivan Guimarães e na quarta Marcus Vinícius Vasconcelos, genro do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Marcus Vinícius seria o responsável pela fiscalização da suposta arrecadação de propina feita nas estatais para o PTB. O PFL, porém, não concorda com essa agenda porque quer ouvir o ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo). O ex-presidente do Banco Popular, Ivan Guimarães, foi indicado para o cargo pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. A instituição financeira dirigida por Guimarães fechou um contrato suspeito de publicidade com uma das empresas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, a DNA. Investigado pelo MP Marcus Vinícius Vasconcelos é ex-assessor da diretoria da Eletronuclear e está sendo investigado pelo Ministério Público no processo que apura possíveis irregularidades no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), entidade que era controlada por indicados do PTB e estaria incluída no esquema de desvios de recursos para os cofres do partido. O genro de Roberto Jefferson mantém ainda relações com o dono da corretora Assurê, Henrique Brandão. O ex-presidente do IRB Lídio Duarte incluiu Brandão na lista dos possíveis investigados da CPI dos Correios ao denunciar um suposto pedido de recursos à entidade no total de R$ 400 mil feita pelo dono da corretora ao órgão em nome de Jefferson. Subcomissões A CPI dos Correios criou duas sub-comissões para ouvir depoimentos. A primeira envolve a estatal e a segunda é relacionada às empresas de Marcos Valério. Depoimentos no plenário da comissão, com todos os integrantes da CPI também não estão descartados. Após os depoimentos de Ivan Guimarães, na terça, e de Marcus Vinícius Vasconcelos, na quarta, a CPI realiza na quinta-feira uma reunião administrativa e segundo Abicalil, as sub-comissões podem se reunir para ouvir depoimentos. No grupo dos Correios deverão ser ouvidos: Mauro Dutra (Novadata), João Marcos Pozzeti (Skymaster), Hugo César Gonçalves (Skymaster), Américo Pozzeti (Skymaster), Joannis Amessonhs (Beta), Michel Abud Júnior (Beta), Antonio Augusto Leite Filho (Beta) e Brigadeiro Venâncio Grossi (consultor dos Correios). Já na sub-comissão que analisa as empresas de Marcos Valério, os parlamentares integrantes da CPI dos Correios querem ouvir: Margareth Queiroz (DNA), Geiza Dias (SMP&B), Marco Antonio da Silva (Secon), Jafete Abraão (Secon), Telma dos Reis (Multiaction) e Kátia Rabelo (Banco Rural).

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