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Palocci � acusado de receber propina quando era prefeito

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Folhapress São Paulo O advogado Rogério Tadeu Buratti, 42, ex-assessor de Antonio Palocci Filho na Prefeitura de Ribeirão Preto (SP), disse que o atual ministro da Fazenda recebia R$ 50 mil por mês de uma empreiteira privada (a Leão&Leão) quando era prefeito, entre 2001 e 2002. A denúncia de propina foi feita durante depoimento para a Polícia Civil e faz parte do acordo de delação premiada firmado entre o advogado e a Promotoria, na última quarta-feira. Buratti afirmou que quem retirava o dinheiro era o ex-secretário Ralf Barquete Santos, morto em 2004. As notas fiscais que justificavam o pagamento seriam frias. O dinheiro arrecadado teria como destino o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. O advogado também declarou que os bingos fizeram doações para os petistas, em troca de apoio para a legalização do jogo no País. O ministro Palocci divulgou nota negando as acusações e acusando o Ministério Público Estadual de cometer ?indiscrições?? ao divulgar as informações. Libertado Após o depoimento à polícia e ao Ministério Público, Rogério Buratti foi libertado e fez uma rápida declaração à imprensa, em tom de desabafo, na saída da delegacia. Apontado como operador de um esquema de repasse de recursos de empresas de lixo para diversas prefeituras, Buratti argumentou que, se cometeu algum erro, foi por razões políticas, por um projeto político. Buratti aceitou a proposta do Ministério Público estadual de delação premiada e afirmou que iria contar tudo o que sabe em troca da redução de pena e de sua liberdade provisória. Ele teria dito que teme por sua própria vida, e ouviu dos promotores que a melhor maneira de se proteger é falar. Segundo o promotor Sebastião Sérgio da Silveira Buratti disse que o pagamento da propina era feito para que a prefeitura mantivesse o contrato de prestação de serviços de coleta de lixo com a empresa. Os pagamentos teriam acontecido entre 2001 e 2002, quando Palocci deixou a prefeitura para colaborar na campanha de Lula e posteriormente ser ministro da Fazenda. O dinheiro seria recebido por um outro assessor de Palocci, chamado Ralf Barguetti. Seria ele quem repassaria o dinheiro para as mãos de Delúbio. De acordo com o promotor, o fato de Ralf estar morto não prejudica as investigações. Ainda de acordo com o que contou o promotor, com base no depoimento de Buratti, depois que Palocci saiu da prefeitura, o dinheiro passou a ser recebido por Gilberto Maggione, do PL, que era vice de Palocci. Esses pagamentos teriam seguido até dezembro de 2004. Segundo o promotor, outras prefeituras se utilizavam do mesmo esquema. Ele informou que está analisando caso a caso. convocação de palocci A CPI dos Bingos deve ouvir na próxima quarta Rogério Buratti, para então decidir se convocará o ministro Antonio Palocci, informou ontem o relator da comissão, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). ?É preciso cautela para que o País não seja abalado, porque até então somente a economia sustentava o governo??, disse Garibaldi. ### Presidente Lula defende ministro O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem manter sua confiança no ministro da Fazenda, Antonio Palocci, acusado por um ex-assessor de receber dinheiro de empresas. Em almoço em Campinas (SP), Lula citou Juscelino Kubitschek para dizer que não quer ser reconhecido apenas após a morte. O presidente esteve ontem em Campinas e Hortolândia, para eventos com políticos locais. A defesa de Palocci foi feita por Lula durante o almoço com prefeitos da região de Campinas e outros políticos. O encontro foi fechado aos jornalistas. O presidente falou sobre a denúncia e citou nota emitida minutos antes por Palocci. Segundo relatos, Lula disse que o argumento apresentado é ?bastante duro? e que está ?tranqüilo?. ?Não podemos perder a calma. A cada dia aparece uma nova denúncia. Não podemos responder a cada situação nova. Precisamos ter paciência?, teria afirmado o presidente a políticos. Lula foi avisado sobre a denúncia de Rogério Buratti, ex-braço direito de Palocci em Ribeirão Preto, em evento em Hortolândia (SP). Ele estava no palanque, sentado entre a primeira-dama Marisa e o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), e o presidente da IBM, Rogério Oliveira, estava discursando. Ele foi informado pelo chefe do cerimonial, Paulo Oliveira Campos. Na hora, ele levou a mão esquerda até a testa e abaixou a cabeça. Depois, aparentemente, manteve a tranqüilidade. À distância acenou para os funcionários da empresa. ### Governistas pedem cautela e investigação de denúncia O vice-presidente José Alencar disse ontem, ao deixar o hospital Sírio-Libanês, de onde recebeu alta depois de ser submetido a uma angioplastia, que é preciso investigar se há verdade nas afirmações do advogado Rogério Tadeu Buratti. Segundo Alencar, é preciso considerar os novos fatos com muito cuidado para que o País não vire ?um País de denuncismo?. Para o vice-presidente, Palocci é um homem de bem até que se prove o contrário. O ministro de Relações Institucionais, Jaques Wagner, também saiu em defesa de Palocci. Para ele, a denúncia é inconsistente, sem provas e objetiva benefício próprio, a delação premiada (instrumento jurídico que prevê redução de pena em troca de informações). ?Palocci é um homem público de responsabilidade e respeitabilidade. Buratti fez uma denúncia inconsistente e sem provar com o objetivo de obter benefício próprio?, disse Jaques Wagner, por meio de sua assessoria de imprensa. O presidente da CPI dos Correios, senador Delcidio Amaral (PT-MS), também criticou a onda de denuncismo e disse que uma possível convocação de Palocci compete à CPI dos Bingos, que já ouviu Buratti uma vez. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), afirmou ontem que ?os homens públicos não podem se tornar reféns de uma onda de denuncismo?. A declaração do tucano se referia às acusações feitas por Rogério Buratti contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Para Aécio, o momento exige ?cautela?. O governador mineiro disse ainda, por meio da sua assessoria, que, para serem levadas em conta as acusações, são necessárias ?investigações e provas?. Na sua manifestação, Aécio disse que ?todos?, incluindo a oposição, devem ter ?extrema responsabilidade com o País?. Provas O delegado Benedito Antonio Valencize, de Ribeirão Preto, afirmou na noite de ontem que existem provas documentais de que houve fraude nos processos de licitação da empresa Leão&Leão, responsável pela coleta de lixo na cidade, acusada de fazer contribuições de R$ 50 mil para a Prefeitura de Ribeirão Preto. ### Denúncia faz dólar voltar aos R$ 2,45 A denúncia de corrupção contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, agravou a crise política e gerou nervosismo no mercado ontem. O dólar subiu 2,94% e fechou a R$ 2,45 na venda - maior cotação do mês. Ao longo do dia, a moeda norte-americana atingiu alta de 4,32% e chegou a R$ 2,483. Na semana, a divisa subiu 3,2%. A Bolsa de Valores de São Paulo, após cair 2,8%, reduziu as perdas e no final dos negócios tinha baixa de 0,95%. Até então, o mercado vinha mantendo uma distância da crise política, porque o nome do ministro da Fazenda ainda não estava envolvido em denúncias de corrupção. O mercado teme agora que as denúncias cheguem ao presidente Lula, o que agravaria ainda mais a crise e poderia contaminar a economia do País. Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy, considerou um ?absurdo? a divulgação da denúncia contra Palocci sem a apresentação de provas. ?Eu acho uma irresponsabilidade muito grande esse tipo de notícia, pois ainda não há nada comprovado. Quem passou essa informação tem interesse político ou financeiro, pois sabia que ela ia mexer com os mercados. Deveriam investigar primeiro e depois divulgar?, afirmou. Angelo Larozi, da Souza Barros, disse que a possibilidade de envolvimento de Palocci em esquemas de corrupção aumenta a cautela do mercado acionário, mas ele não espera que haja uma ?fuga? de investidores estrangeiros imediatamente. ?É lógico que a denúncia é preocupante, mas desde que surjam provas?, disse. Entretanto, no horário de maior tensão do mercado, o risco-país subiu mais de 3% e atingiu os 420 pontos. O indicador é um termômetro do sentimento dos estrangeiros em relação ao País. Quando ele sobe, indica que a desconfiança dos investidores externos em relação ao Brasil aumentou.

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