Nacional
Reuni�es com Val�rio eram no Planalto
Hudson Corrêa Luiz Francisco Folhapress Brasília - Marcelo Sereno, ex-assessor do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, disse ontem em depoimento à CPI dos Bingos que se reuniu com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no Palácio do Planalto para tratar de campanhas eleitorais. Os encontros, segundo Sereno, ocorreram ?no fim de 2003 e início de 2004? quando ele era chefe da assessoria especial do então ministro. ?Duas ou três vezes, ele [Marcos Valério] foi me procurar no Palácio do Planalto e eu conversei sobre campanha eleitoral [do Rio de Janeiro]. Ele queria que a empresa de marketing dele ganhasse mais fácil [conta de campanhas]?, afirmou Sereno. ?O senhor tratava de campanha no Palácio do Planalto, na hora de trabalho, onde era pago com dinheiro público??, questionou o senador Leonel Pavan (PSDB-SC). Sereno disse que estava arrependido. ?Eu me arrependo e isso foi uma das razões de eu ter deixado o cargo?, disse. Ainda conforme o depoimento do ex-dirigente do PT, a partir da negociação no Palácio do Planalto, Valério conseguiu ser contratado para a campanha do candidato a prefeito de Petrópolis (RJ) pelo PT, Paulo Mustrangi, que foi derrotado. Não ficou claro no depoimento se o então ministro e hoje deputado José Dirceu (PT-SP) sabia que Sereno, um de seus assessores mais próximos, discutia em horário de serviço interesses do PT nas campanhas eleitorais para prefeitos no Estado do Rio. O presidente da CPI dos Bingos, Efraim Morais (PFL-PB), afirmou que Sereno não falou a verdade. Já para o relator da CPI, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), ?o depoente ficou o tempo todo dizendo que não sabia. Eu acho que ele sabia muito e veio aqui protegido por um habeas corpus?. Acusado de manipular o fundo de pensão Nucleos (dos empregados das estatais de energia nuclear) e de usar a entidade para fazer caixa para campanhas, além de interferir a favor de bancos no Refer (fundo dos ferroviários), Sereno negou tudo. ### Chefe de gabinete de Palocci é convocado a depor em CPI O chefe de gabinete do ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda), Juscelino Antonio Dourado, foi convocado ontem para depor na CPI dos Bingos, por sua ligação com o advogado Rogério Tadeu Buratti, de quem foi padrinho de casamento. A CPI tem documentos que provam troca de telefonemas entre os dois em 2003 e 2004. Já Buratti, ex-secretário da Prefeitura de Ribeirão Preto em 1993 e 1994, quando Palocci era prefeito, pode não depor amanhã na CPI. Ele pediu o adiamento ontem, mas a CPI manteve a convocação. A data em que Dourado deverá depor não foi definida. ?Somente depois de colhermos o depoimento de Juscelino Dourado é que vamos decidir se o ministro Antonio Palocci será convocado ou não para prestar depoimento?, disse o senador Efraim Morais (PFL-PB), presidente da CPI. Cauteloso, o relator Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) disse que Palocci somente será chamado se ?houver provas contra ele?. ?Até agora não apareceu nada contra o ministro.? Ontem, antes do depoimento do ex-assessor da Casa Civil Marcelo Sereno, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse que ?o número excessivo de convocados para depor vai prejudicar os trabalhos da CPI?. ?Não dá para a gente ficar ouvindo todo mundo que é citado. Temos de fazer uma seleção para que somente as pessoas que podem contribuir com as investigações sejam convocadas.? A reportagem tentou falar com Dourado. O seu celular estava programado para não receber chamadas. A assessoria do Ministério da Fazenda informou que o chefe de gabinete de Palocci não estava no ministério ontem à tarde. A CPI também decidiu chamar para prestar depoimento os promotores Haroldo Costa e Sebastião Sérgio Silveira, que apuram as denúncias feitas pelo advogado Rogério Buratti. A comissão aprovou ainda requerimento que pede a Fazenda que apresente a relação de pessoas que entraram no prédio desde 2002. A CPI quer verificar se Buratti freqüentava o prédio. ### Buratti solicita adiamento de depoimento Inicialmente previsto para hoje, o depoimento do advogado e ex-assessor de Antonio Palocci, Rogério Tadeu Buratti poderá ser adiado para amanhã, de acordo com o senador Garibaldi Alves. Relator da CPI, Garibaldi disse que na segunda uma auxiliar de Buratti havia sido notificada sobre a convocação em Ribeirão Preto. Ontem, o senador pediu à PF que localizasse Buratti. No fim da tarde, a PF notificou o advogado Roberto Telhada, que defende Buratti, informou Efraim. Telhada se reuniu às portas fechadas com os integrantes da CPI e disse que o seu cliente ?não tem condições psicológicas? para depor hoje. Sem apresentar atestado médico, disse que Buratti ?está muito depressivo e sob medicamentos? e pediu para o seu depoimento ser adiado para a próxima semana. Os integrantes da CPI não concordaram. ?Ou ele vem amanhã (hoje) ou vem na quinta-feira?, disse Efraim. Ao final de quase uma hora de reunião, Telhada, com a ajuda de seguranças do Senado, despistou os jornalistas que o aguardavam e saiu sem dar entrevistas. Caso Telhada insista no adiamento, a CPI, segundo Garibaldi Alves, vai determinar que uma junta médica avalie as condições de Buratti. Na semana passada, Buratti confessou à Polícia Civil que a GTech prometeu distribuir R$ 16 milhões em propina para o PT, caso fosse renovado o contrato que a empresa tinha com a Caixa Econômica Federal. Segundo o advogado, o ministro Palocci não interferiu na negociação, mas o contrato foi renovado no dia 8 de abril de 2003. Na última sexta-feira Buratti acusou Palocci de receber R$ 50 mil por mês de propina. O ministro negou. ### Banco contratou parente de Delúbio Empresa de concunhado do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, prestou consultoria ao Banco Popular sem passar por licitação pública Em depoimento à CPI dos Correios, o ex-presidente do Banco Popular Ivan Guimarães confirmou ontem que a instituição financeira contratou, sem licitação, consultoria da empresa do concunhado do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares para a implantação do banco, criado em 2003. A instituição, voltada para a concessão de microcrédito, é vinculada ao Banco do Brasil. A Lumens Serviço de Informação Ltda firmou contrato, por três anos, para ?desenvolvimento de suporte à estrutura e gestão de serviços? pelo valor mensal de R$ 35 mil. Ela também receberia, segundo Guimarães, dividendos de acordo com o crescimento do número de contas e pontos de atendimento do banco. Guimarães confirmou a contratação ao ser questionado pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). O embasamento para a dispensa da licitação foi a alegação de ?notório saber?. Segundo o ex-presidente do Banco Popular, a Lumens é uma empresa conhecida no mercado e em sua carteira de clientes há grandes empresas. A Lumens pertence a Bonerges Ramos Freire, que é casado com Patrícia Valente. Ela é irmã de Mônica Valente, mulher do ex-tesoureiro do PT. Segundo o ex-presidente da instituição, o contrato terminou em 17 de abril de 2005. Os argumentos de Guimarães não convenceram o relator. ?Vai dar problema para quem contratou?, disse Serraglio. Para ele, o depoimento do ex-presidente da instituição não contribuiu para as investigações. ?Foi mais uma obrigação formal?, afirmou o deputado. Guimarães foi convocado para depor porque o Banco Popular possui contrato de publicidade, através do Banco do Brasil, com a DNA, agência de Marcos Valério de Souza. A CPI investiga se houve superfaturamento de contratos públicos e desvio de dinheiro para o caixa dois do PT. Esse esquema teria sido montado por Valério e Delúbio. Em seu primeiro ano de funcionamento o Banco Popular gastou mais com publicidade, R$ 29,7 milhões, do que na concessão de crédito, R$ 21,3 milhões. ?Os gastos de marketing são mais elevados no primeiro ano porque é preciso construir a imagem da instituição?, disse Guimarães. No depoimento, Guimarães atribuiu toda a responsabilidade pelas despesas e decisões de marketing, concessão de patrocínio e relacionamento com agências de publicidade à diretoria de Marketing do Banco do Brasil, que era ocupada por Henrique Pizzolato. ?Remetíamos os recursos ao Banco do Brasil e eles efetuavam os dispêndios. Não tínhamos contato com agências de publicidade?, disse ele. ?Nenhum pedido de patrocínio era apresentado ao Banco Popular. Mesmo os protocolados no Banco Popular eram remetidos automaticamente à diretoria de Marketing [do BB]?. ### Parecer sobre cassação deve sair hoje O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados reúne-se hoje para apresentação do parecer sobre o processo que pede a cassação do mandato do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). O relator do processo, Jairo Carneiro (PFL-BA), vai apresentar o parecer aos demais integrantes do conselho sem seu voto, que será lacrado para ser lido somente na reunião de amanhã, às 14 horas. Carneiro afirmou que os depoimentos e informações obtidos pelo Conselho de Ética durante o processo são suficientes para que emita o juízo de valor e elabore seu voto. ?Muita coisa que o deputado Roberto Jefferson disse está sendo comprovada, mas o nível de abrangência da representação tem aspectos políticos e é diferente do criminal. Alguém pode ser condenado politicamente e ser absolvido juridicamente?, acrescentou o parlamentar. O relator disse que não pode dar nenhuma pista sobre seu voto, mas garantiu que está agindo com toda prudência. Jairo Carneiro ressaltou que o voto só tem dois caminhos: pela procedência da representação contra Roberto Jefferson, movida pelo Partido Liberal, ou pela improcedência. Relator de Dirceu O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) continua como integrante do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara e consequentemente relator do processo de cassação do mandato do deputado José Dirceu (PT-SP). A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) rejeitou ontem o recurso do líder do PPS, deputado Dimas Ramalho (SP), que pedia o afastamento de Delgado do Conselho porque ele trocou o PPS pelo PSB.