Nacional
Lula diz que nem se mata nem renuncia
Eduardo Scolese Luciana Constantino Leonardo Souza Folhapress Brasília - Afirmando estar no ?comando? e que ninguém se arrependerá de confiar em seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou ontem a história de ex-presidentes do País para dizer que, mesmo diante da atual crise política, não renunciará ao mandato nem sequer seguirá o caminho de Getúlio Vargas, que, em 1954, suicidou-se diante da pressão à sua gestão. Lula prometeu manter a ?paciência? de Juscelino Kubitschek (1956-1961) até o fim de seu governo. ?Nem farei o que fez o Getúlio Vargas [1930-1945 e 1951-1954], nem farei o que fez o Jânio Quadros [jan. a ago. 61], nem farei o que fez o João Goulart [1961-1964]. O meu comportamento será o comportamento que teve o Juscelino Kubitschek: paciência, paciência e paciência.? E continuou para concluir que ?a verdade prevalecerá e o povo brasileiro vai saber verdadeiramente, o que está acontecendo no Brasil, o que está por trás do que está acontecendo no Brasil, quem são os ocultos ou não, porque os públicos nós já sabemos e vai saber, concretamente, quem praticou ou não corrupção neste País.? Em recentes encontros reservados, Lula já havia comparado os ataques que vem sofrendo com de outras gestões, mas ontem falou abertamente na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Planalto. Antes de discursar, Lula ouviu cobranças de investigação de quatro conselheiros escalados a falar em nome dos cerca de 60 integrantes do conselho. Depois, em sua fala, o presidente agradeceu ?as palavras de confiança? dos oradores. De improviso Usando um broche de Nossa Senhora Aparecida, Lula ocupou toda a sua fala para tratar da crise política. Por 45 minutos, num discurso quase todo improvisado, o presidente atacou os promotores paulistas que divulgaram denúncias contra o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda), e afirmou que, por conta da crise, houve uma ?antecipação? das eleições de 2006. Disse ainda que não vai mudar os rumos da economia por conta da crise e da aproximação das eleições do ano que vem. Sobre o PT, afirmou que sente orgulho de integrar o partido, mas que a legenda deve dar o exemplo e punir os responsáveis pelos erros. Aos que cobram agilidade nas apurações, Lula declarou que ?lamentavelmente ou felizmente? a democracia do país não permite a prisão das pessoas sem antes se esgotarem todos os procedimentos de investigação e de defesa. ?Quero dizer para vocês que sou petista, tenho orgulho de ser petista e a justiça começa dentro de casa?. Assim como tem feito em seguidos discursos, Lula voltou a dizer que ninguém pode ser condenado a priori. E disse aos presentes que a ?suspeição é pior do que a acusação concreta e objetiva, porque joga-se lama em todo mundo e na hora em que vai se provar, a gente percebe que nem tudo que foi dito era mentira, mas que nem tudo que foi dito era verdade?. Indiretamente, o presidente também respondeu aos recentes ataques de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que sugeriu sua desistência da reeleição como uma forma de diminuir os efeitos da crise. ?Isso não me incomoda?, afirmou o presidente. ?Cada um dos meus companheiros sabe que pode ser o meu melhor amigo, dentro ou fora do PT, dentro ou fora do governo, se cometer alguma coisa de equívoco de conduta, com a mesma grandeza que eu o convidei para vir para o governo, eu o convido para deixar o governo e, depois, ele responderá onde tiver que responder.? Sobre as apurações das denúncias de corrupção, batendo com a mão no púlpito à sua frente, Lula afirmou: ?Temos que ser duros, temos que ser rígidos, temos que apurar, mas temos que permitir que as instituições funcionem sem cometer nenhum ato que possa colocar em risco o bom senso daqueles que praticam, nas suas instituições, a prática democrática?.